PUBLICIDADE
Topo

Indígenas derrubam estátua do fundador de Bogotá durante protestos

08/05/2021 03h40

Bogotá, 7 mai (EFE).- A estátua do fundador de Bogotá, o conquistador espanhol Gonzalo Jiménez de Quesada, foi derrubada nesta sexta-feira do pedestal em que estava instalada no centro da cidade por um grupo de indígenas, como parte dos protestos que acontecem no país há dez dias.

O monumento a Jiménez de Quesada, que o mostra com o braço direito erguido e apontando sua espada para baixo, foi derrubado por membros da etnia Misak, o mesmo grupo que no dia 28 de abril, primeiro dia dos protestos, derrubou o monumento em homenagem ao fundador de Cali, o conquistador Sebastián de Belalcázar.

Com tambores e bandeiras, e exaltando "as autoridades indígenas da Colômbia", o "povo Misak" e as "mulheres de Bogotá", um grupo de indígenas chegou nesta manhã ao monumento localizado na praça da Universidade de Rosário, no centro de Bogotá, para derrubar a estátua.

"A partir deste momento, não terão este estuprador, este suposto conquistador, em Bogotá", bradou um dos líderes indígenas, como é possível ver nos vídeos que circulam nas redes sociais.

CONQUISTADOR DE TERRAS MUISCAS.

Gonzalo Jiménez de Quesada, nascido em 1509 em Granada, na Espanha, segundo alguns historiadores, embora outros localizem seu nascimento em Córdoba, fundou a cidade de Santa Fé de Bogotá em 6 de agosto de 1538 em territórios conquistados dos povos da etnia Muisca.

Essa cidade tornou-se a capital do Novo Reino de Granada e, mais tarde, a capital da Colômbia.

Depois de derrubar a estátua, os indígenas entoaram canções tradicionais com instrumentos musicais nativos e dançaram junto ao pedestal, localizado em frente à Avenida Jiménez, uma das principais vias da cidade, nomeada em homenagem ao seu fundador, que morreu em 1579 na cidade de Mariquita, no centro da Colômbia, enquanto avançava na sua campanha de conquista.

"Um grupo de vândalos derrubou a estátua de Gonzalo Jiménez de Quesada na pequena praça Rosário de Bogotá. Rejeição total contra este tipo de atos criminosos que atacam os bens públicos da cultura", lamentou em sua conta no Twitter o Ministro da Cultura da Colômbia, Felipe Buitrago.

Há dez dias a Colômbia vive uma onda de manifestações de rua contra o governo do presidente Ivan Duque que até agora deixou pelo menos 24 pessoas mortas, a maioria delas devido à violência policial, de acordo com dados oficiais, embora outras fontes, como a ONG Temblores, elevem esse número para 37 mortos.