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Espanha bloqueia leilão de suposta pintura de Caravaggio

08/04/2021 14h44

Roma, 8 abr (EFE).- A Espanha bloqueou o leilão em Madri agendado para esta quinta-feira na casa de leilões Ansorena de uma pintura sob a suspeita de se tratar de um verdadeiro Caravaggio, segundo informações do jornal italiano "La Repubblica".

O ministro da Cultura espanhol, José Manuel Rodríguez-Uribes, confirmou hoje, em Madri, que foi tomada a decisão de evitar a sua possível saída da Espanha e que ontem a Direção-Geral de Belas Artes do Ministério e o Conselho de Qualificação, Valorização e Exportação de Ativos se reuniram com urgência para declarar o quadro como não exportável.

A Comunidade de Madri também iniciou, a pedido do Ministério, a declaração do quadro como Bem de Interesse Cultural (BIC). "Com esta dupla garantia garantimos que ele permanece na Espanha e que as coisas podem ser bem feitas", explicou Rodríguez-Uribes.

O ministro espanhol reconheceu que o governo queria agir rapidamente para impedir que o quadro deixasse o país, como aconteceu com outro Caravaggio nos anos 1970, que foi leiloado e agora está em Cleveland (Estados Unidos).

"Em todo caso, é uma pintura muito valiosa, espero que seja um Caravaggio", destacou Rodríguez-Uribes.

Segundo "La Reppublica", a pintura é um "Ecce Homo" do século XVII, um óleo sobre tela, medindo 111 por 86 centímetros e originalmente atribuído ao círculo de José de Ribera e estimado em apenas 1,5 euros (cerca de R$ 10 mil).

No entanto, segundo os especialistas consultados pelo jornal, este Cristo "tem todas as aparências de ser um Caravaggio descoberto, e pode abrir um novo capítulo sensacional na história do pintor maldito, que morreu aos 39 anos, no dia 18 de julho de 1610, na costa entre Lácio e Toscana, à espera de ser perdoado da condenação por homicídio".

O jornal publica o depoimento de María Cristina Terzaghi, uma das primeiras estudiosas do mestre do século XVII, que veio à capital espanhola para ver a obra e não tem dúvidas de que pertence ao pintor cujo nome verdadeiro era Michelangelo Merisi.

Essa professora de História da Arte Moderna da Universidade Roma Tre explica que "o manto roxo com que Cristo está vestido tem o mesmo valor composicional que o vermelho de Salomé del Prado em Madri", e que "esta obra mantém um vínculo profundo com as pinturas feitas no início da estadia napolitana".

O jornal explica que a escolha da Espanha "de bloquear o leilão é uma prova clara de que a nova atribuição é amplamente compartilhada".

Ele afirma que o ponto de partida se baseia no fato que a tela está na Espanha há quase quatro séculos e retrata o mesmo tema já abordado por Caravaggio. Como apontam os documentos, sabe-se que em Roma, em 1605, Caravaggio pintou um Ecce Homo para o cardeal Massimo Massimi.

No jornal "Corriere della Sera", o crítico de arte Vittorio Sgarbi explica que presumiu que se tratava de um Caravaggio e que propôs comprá-lo por centenas de milhares de euros para poder trazê-lo de volta à Itália, mas que ontem, ele soube que a pintura havia sido removida.

O "Corriere della Sera" publica que a casa de leilões declarou que o lote foi retirado "porque a peça precisa ser verificada e estudada mais profundamente".