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Grupos LGBTQ protestam contra a Netflix por 'transfobia' em especial de comédia

20/10/2021 19h49

Los Angeles, 20 Out 2021 (AFP) - Dezenas de pessoas se reuniram em frente à sede da Netflix nesta quarta-feira (20) para protestar contra a transmissão de um especial de comédia e acusaram a plataforma de streaming de lucrar com conteúdo que prejudica a comunidade LGBTQ.

Alguns funcionários da Netflix saíram para participar da manifestação, à qual se juntaram ativistas trans e seguidores que exigiam melhor representação na programação deste gigante do streaming.

"Acho que os funcionários trans e não binários não estão seguros enquanto seu empregador coloca um conteúdo que pode afetá-los", disse no protesto Devan McGrath, da Netflix Animation.

A Netflix tenta se desvencilhar das críticas surgidas após o lançamento de "The Closer", no qual o comediante americano Dave Chappelle afirma que "gênero é um fato" e acusa a comunidade LGBTQ de ser "muito sensível".

"Respeitamos a decisão de qualquer funcionário que decide protestar e admitimos que temos muito mais trabalho pela frente na Netflix e em nosso conteúdo", informou a plataforma em um comunicado, no qual a companhia afirmou que "compreende o profundo dano que causou".

A organizadora do protesto, Ashlee Marie Preston, uma ativista LGBTQ, disse que o objetivo foi demonstrar que piadas como as de Chapelle atacam diretamente esta minoria.

"Estamos aqui hoje não porque não saibamos lidar com uma piada, mas porque nos preocupa que as piadas custem vidas. Não é engraçado", disse.

Empresas, incluindo a Netflix, "capitalizam a tensão [e usam} a ciência dos algoritmos para manipular e distorcer as percepções que temos sobre nós e os outros", acrescentou.

Os manifestantes leram uma lista de pedidos, incluindo que se inclua uma etiqueta de advertência ao especial de comédia e que se invista mais em talentos LGBTQ dentro e fora das telas.

- "Cometi um erro" -As críticas duram semanas, enquanto "The Closer" se situa entre os títulos mais assistidos da Netflix.

Enquanto grupos LGBTQ citam estudos que relacionam os estereótipos na tela com agressões na vida real, o diretor de conteúdo da Netflix, Ted Sarandos, escreveu em um memorando na semana passada que "o conteúdo na tela não se traduz diretamente em agressão no mundo real" e enfatizou a importância de defender "a liberdade artística".

Mas Sarandos deu entrevistas a vários veículos de Hollywood na noite de terça-feira, nas quais disse: "Cometi um erro".

"Eu deveria ter primeiro reconhecido nesses e-mails que um grupo de nossos funcionários estava sofrendo, e que eles estavam realmente feridos por uma decisão que tomamos na empresa", disse ao The Hollywood Reporter.

E, embora concorde que "o conteúdo na tela pode ter impacto na vida real, positivo e negativo", Sarandos reiterou sua posição de que o especial Chappelle não deve ser retirado nem ter um aviso de advertência.

"Esse grupo de funcionários se sentiu um pouco traído porque criamos um lugar tão bom para trabalhar que às vezes esquecem que esses desafios vão aparecer", acrescentou Sarandos.

A maioria dos funcionários da Netflix presentes no protesto desta quarta-feira não falou com a imprensa, mas McGrath disse que a resposta dos líderes foi "frustrantemente lenta".

- "Dor e sofrimento" -O protesto ganhou o apoio de celebridades da TV como Jameela Jamil ("The Good Place") e Jonathan Van Ness ("Queer Eye"), que gravaram um vídeo para expressar "amor e apoio" ao movimento.

David Huggard, conhecido como Eureka O'Hara de "Ru Paul's Drag Race", participou da manifestação e destacou "a dor e o sofrimento que causa viver neste mundo como um indivíduo não binário".

"Se você promove ódio e discriminação, é diretamente a causa", disse Huggard.

"E isso serve para tudo neste país, especificamente para as pessoas que têm o poder na indústria do entretenimento".

Chappelle foi acusado de debochar de transgêneros no passado, mas continua sendo muito popular.

Um pequeno contra-protesto se reuniu na quarta-feira em apoio a Chappelle com cartazes que diziam: "As piadas são engraçadas".

"São os Estados Unidos, estamos nos divertindo, um pouco de liberdade de discurso", disse o comediante Vito Gesualdi.

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