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'Flag Day': Sean Penn busca Palma de Ouro cinco anos após vaias em Cannes

O ator Sean Penn - Emma McIntyre/Getty Images
O ator Sean Penn Imagem: Emma McIntyre/Getty Images

Em Cannes (França)

10/07/2021 12h33

Chegou a hora da revanche de Sean Penn? Cinco anos depois de a crítica vaiar seu filme em Cannes, o ator e diretor americano retorna hoje em competição pela Palma de Ouro com "Flag Day", no qual atua ao lado dos filhos.

Baseado em uma história verídica, "Flag Day" conta a vida de um pai adorado por sua filha por seu "magnetismo e capacidade de tornar a vida uma grande aventura". Mas, ao mesmo tempo, esse homem leva "uma vida secreta como ladrão de bancos", segundo a sinopse.

Penn, de 60 anos, interpreta o papel principal pela primeira vez em um de seus filmes, ao lado de sua filha Dylan, de 30 anos, e de seu filho Hopper Jack Penn, em um papel mais coadjuvante.

Em 2016, o filme de Penn "A Última Fronteira", estrelado por Javier Bardem e Charlize Theron, foi tão criticado que nem chegou aos cinemas nos Estados Unidos.

O artista esteve presente pela primeira vez em competição em Cannes com "Loucos de Amor" (1997), de Nick Cassavetes, pelo qual ganhou o prêmio de melhor atuação.

Com "Flag Day" o diretor concorre pela terceira vez à Palma de Ouro ("A Última Fronteira", "A Promessa", 2001).

Como ator, Penn trabalhou com diretores como Clint Eastwood ("Sobre Meninos e Lobos", com o qual ganhou um Oscar), Terrence Malick ("Além da Linha Vermelha") e Gus Van Sant ("Milk: A Voz da Igualdade", segundo Oscar).

Coletes amarelos na França

"Flag Day" concorre com 23 outros filmes pelo principal prêmio do festival, que será entregue no dia 17 de julho pelo júri presidido pelo cineasta americano Spike Lee.

Até o momento, sete estrearam e a crítica já começou a se posicionar. "Annette", o musical com Adam Driver e Marion Cotillard que abriu a competição na terça-feira, é de longe o favorito.

Mas "The worst person in the world", o retrato sutil de um homem de trinta anos assombrado por dúvidas - o que estudar? Quem amar? O que fazer com tanta liberdade? -, atraiu a atenção como um espelho fiel da geração dos milenials, conquistando a aprovação geral.

Trata-se do último filme da trilogia ambientada em Oslo do norueguês Joachim Trier, interpretado por uma atriz até então pouco conhecida, Renate Reisnve.

Dois filmes baseados em fatos reais e estrelados por lésbicas também foram exibidos na sexta-feira. Embora as semelhanças terminem aqui.

O primeiro, "Benedetta", esperado filme do holandês Paul Verhoeven, é um retrato de uma freira lésbica na Itália do século XVII.

Como as protagonistas femininas de seus filmes anteriores "Instinto Selvagem" (Sharon Stone) e "Elle" (Isabelle Huppert), Benedetta, interpretada pela francesa Virginie Efira, desenvolve uma capacidade de manipulação que transforma a congregação em que vive desde criança.

"La fracture", por sua vez, resgata o fenômeno dos coletes amarelos na França, movimento de protesto social que em 2018 colocou o governo em apuros.

O filme, dirigido pela francesa Catherine Corsini, recria um país em brasa: a cólera das classes populares, seu divórcio das autoridades e, ao mesmo tempo, homenageia as enfermeiras, que dão tudo de si nos serviços da emergência em troca de muita precariedade. Tudo isso com uma boa dose de humor para torná-lo mais digerível.

Na mostra paralela Um Certo Olhar, um dos dois filmes latino-americanos em disputa também estreou na sexta-feira: "La Civil", da diretora romeno-belga Teodora Ana Mihai, um filme que poderia ser definido como ação, mas que conta a realidade crua da violência no México.