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Yair Lapid, a ex-estrela da TV que quer expulsar Netanyahu do poder

Yair Lapid - Reprodução / Instagram
Yair Lapid Imagem: Reprodução / Instagram

Em Jerusalém (Israel)

13/06/2021 08h04

O centrista Yair Lapid, ex-estrela da televisão israelense, ganhou credibilidade desde que entrou para a política, a ponto de virar o principal rival do atual primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, e estar prestes a afastá-lo do poder.

Quando em 2012 este jornalista abandonou a televisão para lançar seu partido Yesh Atid ("Há um futuro"), seus críticos o acusaram de usar sua 'imagem de galã de cinema' para seduzir a classe média.

Quase dez anos depois, Lapid continua de pé e assumiu as rédeas da oposição.

Em 2 de junho, ele assinou um acordo de coalizão com partidos de direita, esquerda e centro e uma formação árabe, pacto que foi posteriormente aprovado pelo Parlamento.

O texto, baseado em um rodízio, prevê que o líder da direita radical, Naftali Bennett, assumirá o governo nos primeiros 18 meses e depois Lapid tomará as rédeas.

Com este pacto, o Lapid está perto de sua meta: expulsar Netanyahu, primeiro-ministro que ficou mais tempo no cargo na história de Israel e é acusado de corrupção em uma série de casos.

Durante as eleições legislativas de março de 2020, Lapid integrou seu partido à coalizão centrista "Azul-Branco" do general Benny Gantz.

Mas quando Gantz chegou a um acordo para formar um governo com "Bibi", apelido de Netanyahu, Lapid fez as malas.

"Eu disse a (Gantz) 'já trabalhei com Netanyahu (...), ele não deixará que você coloque as mãos no volante'", contou Lapid há alguns meses à AFP.

"Gantz me disse: 'confiamos nele, ele mudou'. E eu respondi 'o homem tem 71 anos, não vai mudar'. E infelizmente para o país, eu tinha razão", acrescentou Lapid, ministro das Finanças durante 20 meses (2013-2014) no governo de Netanyahu.

Nas legislativas de 23 de março, o partido centrista do Lapid alcançou a segunda posição, com 17 deputados, atrás do Likud (direita) de Netanyahu.

Imprensa e romance policial

Nascido em novembro de 1963 em Tel Aviv, cidade onde concentra sua base eleitoral, Lapid é filho do falecido jornalista Tommy Lapid, ex-ministro da Justiça.

Sua mãe, a escritora Shulamit Lapid, é uma das mestres dos romances policiais israelenses, com uma série de obras cuja protagonista é uma jornalista.

O jornalismo impregnou a juventude de Lapid, que assinou suas primeiras matérias para o jornal Maariv, antes de passar ao Yedioth Aharonot, o mais vendido do país, o que deu a ele uma grande notoriedade.

Paralelamente, Lapid continuou suas atividades: lutou boxe, praticou as artes marciais, escreveu romances policiais e séries de televisão, compôs e interpretou canções e até atuou no cinema.

Mas foi na televisão - nos anos 2000 se tornou o apresentador de talk shows mais seguido do país - onde se impôs como a encarnação do israelense comum, fazendo sempre a mesma pergunta aos seus convidados: "O que é ser israelense na sua opinião?"

Patriota, liberal, laico, insultado pelos judeus ortodoxos - aliados-chave de Netanyahu -, Lapid conseguiu se posicionar no centro.

"Humildade"

"Ele se abstém de se vangloriar (...) e é o mais 'não-candidato' de todos os candidatos ao cargo de primeiro-ministro", afirmou antes das eleições de março o jornalista Yuval Karni no Yediot Aharonot, destacando que os israelenses "apreciam" a sua humildade.

Quando milhares de israelenses protestavam contra Netanyahu semanalmente, por causa das acusações de corrupção, Lapid mantinha a discrição.

"Tinha a sensação de que não conseguiria me manifestar como líder da oposição em frente à residência do primeiro-ministro", disse.

Dizia que não buscava ser primeiro-ministro e sim aliar-se a outros partidos para expulsar o "rei Netanyahu" de seu trono e "romper barreiras que dividem a sociedade israelense".

Recentemente, o centrista desejou "um governo que diga: não nos odiamos".

Com Bennett, representante de uma direita radical oposta em muitos pontos às suas visões centristas, forma uma aliança que não é natural, mas guiada pelo mesmo objetivo de mudança no comando do país.