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Relatório da RSF revela amplitude do sexismo no jornalismo

08/03/2021 10h03

Paris, 8 Mar 2021 (AFP) - Um fenômeno que é desenfreado na internet, nas ruas e dentro das redações: a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) publicou nesta segunda-feira (8) um relatório que ilustra a extensão do sexismo no jornalismo e suas múltiplas consequências para as mulheres jornalistas e a liberdade dos meios de comunicação.

Esta preocupante análise, divulgada por ocasião do Dia Internacional dos Direitos da Mulher, é baseada em uma pesquisa realizada pela RSF em 112 países.

A organização entrevistou seus correspondentes e jornalistas especializados em questões de gênero, para identificar os atos sexistas vividos por suas colegas, seja qual for sua natureza: discriminação, insultos, assédio sexual, toques inadequados, agressões verbais e físicas de natureza sexual, ameaças de estupro, e inclusive estupro.

E a observação é contundente: "ser mulher jornalista muitas vezes significa acumular um duplo risco. Isto é, além dos perigos inerentes à profissão, de ser exposta à violência de gênero ou sexual", resume RSF.

Violências que são praticadas em todos os lugares, a começar pela internet e redes sociais, que são citadas por 73% dos entrevistados. São inúmeros os casos de jornalistas vítimas de assédio cibernético, como a colunista e investigadora indiana Rana Ayyub, que é diariamente ameaçada de estupro e morte.

Mas também nas ruas (36%), como no Brasil, onde repórteres lançaram uma campanha contra torcedores de futebol que procuram beijá-las sem seu consentimento.

E no local de trabalho (58%), a RSF relembra as múltiplas revelações que abalaram as redações em diversos países desde o surgimento do movimento #MeToo.

A ONG cita o exemplo da apresentadora dinamarquesa Sofie Linde, que surpreendeu o público em uma cerimônia de gala televisionada ao contar como um superior na televisão pública se ofereceu para promover sua carreira em troca de sexo oral. Depois disso, 1.600 mulheres que trabalham em veículos de imprensa no país assinaram uma carta de apoio, na qual também afirmavam sofrer de sexismo.

O relatório também destaca as graves consequências de toda esta violência, tanto para as pessoas que a sofrem como para o direito à informação.

Por exemplo, podem levar a jornalista a abandonar as redes sociais (de acordo com 43% dos entrevistados), a se autocensurar (48%), mudar de especialidade (21%) ou até desistir (21%).

Por fim, a RSF está emitindo uma série de recomendações para combater esse fenômeno, como ações de sensibilização, capacitação, assessoria prática, ou mesmo a criação de cargos editoriais encarregados de "questões de gênero".

fpo/app/zm/mr