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O cidadão Donald Trump terá menos liberdade no Twitter

07/11/2020 13h23

San Francisco, 7 Nov 2020 (AFP) - Lidar com Donald Trump é para as redes sociais uma batalha sem uma solução clara, no limite delicado entre o combate à desinformação e o respeito à liberdade de expressão. E o problema não vai acabar no dia em que ele deixar de ser presidente dos Estados Unidos.

Ao sair da Casa Branca, o milionário republicano voltará a ser um cidadão comum aos olhos da justiça americana e um usuário como qualquer outro do Twitter, seu canal de comunicação preferido.

Atualmente, ele se beneficia da exceção concedida pelo Twitter aos líderes políticos. "Nossa abordagem aos líderes mundiais, candidatos e funcionários públicos é baseada no princípio de que as pessoas devem ser capazes de escolher ver o que seus líderes dizem, com um contexto claro", disse um porta-voz do grupo com sede em São Francisco.

Essa exceção se aplica apenas a "líderes e candidatos em exercício, não aos cidadãos, uma vez que eles não ocupam mais esses cargos", acrescentou o Twitter. A empresa lembrou que os políticos não estão isentos da regulamentação das redes sociais em caso apologia ao terrorismo ou pedofilia, entre outros.

Resumindo: embora um tuíte falso ou ameaçador de um usuário possa ser excluído, postagens do presidente ficam simplesmente ocultas. Mas quando ele voltar a ser um cidadão comum, isso pode mudar.

"Se ele continuar apelando para a violência e violando o regulamento, Twitter, Facebook, YouTube e todos os outros terão que levar a questão a sério e não hesitar em banir se necessário", disse Hany Farid, especialista em mídia social da Universidade da Califórnia em Berkeley.

- Direito fundamental -O Twitter pode, se julgar necessário, suspender permanentemente uma conta e proibir a criação de novos perfis em caso de violações graves e repetidas.

Trump reclama regularmente que as redes, especialmente o Twitter, "censuram" seu campo político e não respeitam a liberdade de expressão.

Mas a reclamação nunca foi comprovada na prática, muito pelo contrário, como evidenciado pela capacidade dos grupos de direita em mobilizar multidões nas plataformas.

"As pessoas confundem o direito de dizer coisas e o direito de disseminá-las ao se dirigir a mais pessoas. As redes sociais são uma ampliação, e isso não é um direito fundamental", analisa o acadêmico.

"Ao criar uma conta, você concorda com as regras dessas empresas privadas", continua. "Não vejo nenhum republicano reclamando da proibição da pornografia no Facebook."

O presidente fez do Twitter sua plataforma favorita. Por muito tempo, lhe foi permitido falar diretamente com seus apoiadores e detratores, sem filtro. Até que as plataformas, sob pressão da sociedade civil, passaram a impor controles.

As mentiras e explosões sobre questões tão sérias como a saúde, o início da pandemia de covid-19 ou os protestos antirracistas foram a gota d'água.

As redes sociais cada vez mais se comportam como mídia, tomando decisões editoriais, e Trump não pode mais circular livremente por elas.

Vários canais dos EUA interromperam a transmissão de um discurso do presidente na noite de quinta-feira, alegando que ele estava desinformando.

- A voz da razão -O presidente dos Estados Unidos insiste desde a noite de terça-feira que ganhou estados importantes, embora a contagem ainda esteja em andamento. Também afirma que os democratas organizam uma fraude eleitoral para "roubar" as eleições.

"Todos os votos que vierem após as eleições não serão contados!", Exclamou ele novamente na quinta-feira, erroneamente, para seus 88 milhões de assinantes.

O Twitter escondeu esta sua postagem e várias outras, incluindo vídeos, com a mesma mensagem: "Parte ou todo o conteúdo compartilhado neste Tweet foi contestado e pode ser enganoso sobre como participar de uma eleição ou outro processo cívico."

Os tuítes podem não ser compartilhados tão facilmente como de costume, mas ainda podem ser lidos com um clique, para grande desgosto de algumas ONGs que pedem sua remoção em nome do combate à desinformação.

Casey Fiesler, acadêmico de ciência da informação da University of Colorado Boulder, acredita que seja uma "estratégia razoável" entre o interesse público, ou seja, saber que o presidente afirma ter vencido, e a obrigação de não fazê-lo acreditar em algo errado.

Mas os avisos do Twitter e de outras redes semelhantes, como o Facebook, não impediram que os protestos do candidato repercutissem em mobilizações de ativistas republicanos, até mesmo do lado de fora das seções eleitorais do Arizona à Pensilvânia exigindo que "parem de contar" ou contem apenas "votos legais".

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