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Meios de comunicação pedem solidariedade com Charlie Hebdo após novas ameaças da Al-Qaeda

23/09/2020 07h35

Paris, 23 Set 2020 (AFP) - Mais de 100 meios de comunicação franceses publicaram nesta quarta-feira uma carta aberta com o pedido de uma mobilização em solidariedade à revista satírica Charlie Hebdo, que recebeu novas ameaças do grupo terrorista Al-Qaeda depois de publicar caricaturas de Maomé.

"Precisamos da sua ajuda. Precisamos que se mobilizem (...). Os inimigos da liberdade devem entender que todos juntos somos seus adversários, independente de nossas diferenças de opinião ou crença", afirma a carta.

"É todo o edifício jurídico elaborado por mais de dois séculos para proteger a liberdade de expressão que está sendo atacado", acrescentam os signatários, que defendem a liberdade de expressão e de blasfêmia.

A revista satírica Charlie Hebdo recebeu novas ameaças da Al-Qaeda depois que publicou no início do mês - por ocasião do início do julgamento pelo atentado de janeiro de 2015 - as caricaturas de Maomé que transformaram a redação do semanário em alvo dos terroristas há cinco anos.

As ameaças "constituem uma verdadeira provocação em pleno julgamento dos atentados de 2015", afirmou o diretor da publicação, Riss, à AFP.

Ele disse que as ameaças "vão além do Charlie Hebdo porque apontam para toda a mídia e inclusive o presidente da República".

"Graças a uma mobilização histórica dos meios de comunicação franceses, que publicam em conjunto esta carta a nossos concidadãos, desejamos enviar uma mensagem potente para defender nossa concepção da liberdade de expressão e, além, da liberdade de todos os cidadãos franceses", afirmou o diretor do Charlie Hebdo, que publica a carta na capa da revista na edição desta quarta-feira.

O julgamento do atentado de 7 de janeiro de 2015, que deixou 12 mortos, incluindo jornalistas e caricaturistas do Charlie Hebdo, acontece atualmente em Paris e deve prosseguir até 10 de novembro.

Na terça-feira, uma diretora da revista, Marika Bret, revelou que foi obrigada a abandonar sua residência depois de receber ameaças de morte que a polícia considerou verossímeis.

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