Conteúdo publicado há 2 meses

Piovani detona Scooby e critica Justiça portuguesa: 'Máquina de moer mãe'

Luana Piovani, 47, falou em entrevista à Marie Claire sobre a vida em Portugal e os conflitos com o ex-marido, Pedro Scooby, 35, pai de seus três filhos - Dom, 10, e os gêmeos Bem e Liz, 8.

O que aconteceu

Luana afirmou ainda lidar com o abalo emocional que representa para ela o processo movido por Scooby, a fim de impedi-la de mencionar seu nome à imprensa e até nas redes sociais. "Como o processo não acabou, continuo vivendo todas as violências do mundo - a psicológica, a processual e a patrimonial. Às vezes o acordar é um momento difícil. [Mas] aí, tenho que colocar as crianças na rotina, e essa sensação passa um pouco. Tem dias que preciso tomar um ansiolítico, outros em que tomo um vinho ou malho, faço ioga... Vou cuidando de mim, porque sei que, apesar de estar cansada, só tenho essa máquina [referência ao próprio corpo] e quem cuida dela sou eu."

A condenação ao pagamento de € 17,5 mil (R$ 95,3 mil, na cotação atual) em multa a Pedro Scooby, determinada em abril, é um sapo que a atriz afirma não ter conseguido digerir ainda. "Não consigo lidar com engolir sapo hoje. É por isso que tenho essa multa me alarmando, porque eu poderia ter perdido e ficado calada, mas não aguento. Alguém me 'bateu' e não vou gritar? Quando somos jovens, achamos que vamos mudar o mundo e depois entendemos que não. Eu tomei um 'tapa na cara' e o cara nunca foi condenado a porr* nenhuma."

Questionada se já se sentiu sozinha na maternidade, Luana não tem dúvidas em responder que sim. "Milhões de vezes, e na maioria delas eu era casada. Porque o casamento era para ser um mar calmo, e é frustrante quando você olha aquele castelinho todo pronto e pensa: 'Meu Deus, a pessoa [cônjuge] não comparece ao castelinho'."

Não obstante, ela garante não carregar qualquer arrependimento em relação ao casamento com Scooby. "Não dá pra ter. Fui ter filho com três meses de namoro - então, uma coisa que quero falar para os outros é: conheça as pessoas antes, é importante. Mas, para além disso, tenho três pedras preciosas na mão. Até o que mais me desafia é um presente enorme."

A atriz vê com tristeza que muitos pais hoje em dia se recusem a assumir esse papel com a devida responsabilidade. "São tantas as figuras [paternas] e a maior parte [delas] são tão frágeis, desprovidas do mínimo, que não sei definir. Tenho um pai biológico que cometeu muitos erros com a minha mãe e comigo. Ao mesmo tempo, tem o meu pai [adotivo], que, como um anjo, apareceu, se apaixonou pela minha mãe - por aquela força, uma mulher mais velha com uma filha - e me criou, me adotou. E aí penso: por que tão pouco desse exemplo está se multiplicando?"

Feminista de carteirinha, Luana faz questão de alçar sua voz para conscientizar outras mulheres sobre seus direitos - e lamenta que tantas colegas de profissão se neguem a fazer o mesmo. "Há poucas como eu. Inclusive, me constrange olhar para o meu meio e ver colegas com tanta potência e não fazendo nada. A sensação que tenho é que esse é o resultado de uma sociedade extremamente capitalista. O que vejo nesse lugar não é que as mulheres competem, é que as potentes estão preocupadas em ganhar muito dinheiro - e [isso] é um desperdício. Vou manter o meu microfone ligado, manter-me aos berros contra toda essa carnificina. Estarei gritando, tentando promover encontros e levar informação."

Apesar de se esforçar em se manter forte, ela admite que, muitas vezes, ainda se descobre vulnerável - e não vê problema nisso. "Aprendi que a gente sobrevive. Ainda que eu achasse que a minha corrente era a mais pesada do mundo, não é nada perto de tantas outras, e é isso que me dá um boost para me recuperar. Conheço milhões de pessoas que têm pais e mães que geram trabalho, preocupação, e os meus só me ajudam. Tenho informação, uma rede social potente, dinheiro para pagar advogado para me defender dessa máquina de moer mãe que é o Judiciário português. Eu tenho tudo, né? E, ainda assim, às vezes acho que vou morrer. Quando vem a dor, é sufocante. Não estou aqui para ser mártir de ninguém, mas me permito sentir a minha dor. Quando ela vem, me sento e choro."

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