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Rock in Rio 2022 começa com 'Fora Bolsonaro' e muito heavy metal

Primeiro dia de Rock in Rio foi marcado por protestos políticos e metal - Júlio César Guimarães
Primeiro dia de Rock in Rio foi marcado por protestos políticos e metal Imagem: Júlio César Guimarães

Colaboração para Splash, no Rio

03/09/2022 00h22

Além de música e muito heavy metal, o primeiro dia do Rock in Rio 2022 teve bastantes protestos políticos. A multidão não perdeu tempo, e desde o começo do dia aproveita o silêncio dos instrumentos para puxar coros xingando o presidente Jair Bolsonaro. As bandas também não ficam atrás; sem medo de polêmica, posicionam-se.

Bandas brasileiras criticam política

Black Pantera, banda mineira, abriu o Rock in Rio 2022 recitando o poema Me Gritaron Negra, de Victoria Santa Cruz. O texto fala sobre crescer com preconceito. Citaram: "E vou rir daquelas pessoas que, por educação e por nos evitar, chamam os negros de 'gente de cor'. E que cor é essa? NEGRA! E que linda soa! NEGRA! E que ritmo tem, NEGRA, NEGRA, NEGRA!" No telão, a banda piscou a mensagem "vidas negras importam."

Na plateia, uma bandeira com as frases "Fora Bolsonaro" chamou a atenção. Em contraposto, diversas bandeiras do Brasil desfilaram pela aglomeração.

Ratos de Porão também tinham algo a mostrar. A banda paulista se apresentou com a bandeira do Movimento Sem Terra, MST, pendurada em uma caixa de som. O baixista Juninho vestia uma camiseta do movimento. Enquanto o público entoava "ei, Bolsonaro, vai tomar no c*", o grupo acompanhou com os instrumentos.

Protestos internacionais

A banda Living Colour, de Nova York, também tinha alguns dizeres sobre a política brasileira. Corey Glover, vocalista, dedicou o show à Marielle Franco, e gritou frases como "f*da-se o fascismo", e segurou durante alguns minutos uma placa na qual lia-se "vote" de um lado e "democracia" do outro. O público reagiu com um coro de "Fora Bolsonaro", e o vocalista ficou quieto durante alguns minutos, sorrindo.

Gojira, banda francesa, falou sobre desmatamento e sustentabilidade no Brasil. O vocalista, Joe Duplantier, é conhecido ativista da natureza, e em 2021 visitou Brasília para participar de um protesto indígena:

"A próxima música é muito, muito especial. De certa maneira, envolve vocês aqui do Brasil, e suas lindas terras. Esta música é sobre a destruição da casa dos indígenas [brasileiros] e de outros povos da Floresta Amazônica. Precisamos mudar as coisas. No geral, em muitos lugares deste planeta. Contamos com vocês para defender o que é certo, defender seu povo, seu país, sua natureza. Essa música vai para todos os povos indígenas ao redor do mundo. Se chama 'Amazonia'"

Política ao vivo

Uma repórter da Globo tentou mostrar a empolgação da multidão pré-Iron Maiden em uma entrada ao vivo. Entre a multidão, falava ao microfone sobre a animação, mas foi interrompida por coros xingando o presidente. Algumas pessoas também fizeram "L" com a mão, símbolo associado ao candidato à presidência Lula.

Apoio ao presidente

Embora nenhum artista tenha se posicionado a favor do governo atual, na plateia não era raro ver bandeiras do Brasil - constantemente usada como símbolo de apoio ao Bolsonaro. As bandeiras, usadas amarradas às costas, flamulando ou passando de mão e mão, coloriram de verde e amarelo a multidão, majoritariamente vestida de preta no dia do metal do Rock in Rio 2022.

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