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Artista mais ouvido do mundo e futuro herói da Marvel: quem é Bad Bunny?

Bad Bunny é o artista mais ouvido do mundo nos últimos dois anos, expoente da moda e futura estrela de filme da Marvel - Divulgação/Jacquemus
Bad Bunny é o artista mais ouvido do mundo nos últimos dois anos, expoente da moda e futura estrela de filme da Marvel Imagem: Divulgação/Jacquemus

Colaboração para Splash, em São Paulo

02/08/2022 04h00Atualizada em 11/10/2022 11h32

Ele foi o artista mais ouvido do mundo no Spotify em 2020 e em 2021. Em 2022, já quebrou o próprio recorde: de janeiro até julho deste ano, o porto-riquenho Bad Bunny acumulou mais de 10,3 bilhões de reproduções de suas músicas no serviço de streaming. É o maior número já alcançado em um ano por um artista na plataforma — e ainda faltam cinco meses para 2022 acabar.

Benito Antonio Martinez Ocasio, mais conhecido por seu nome artístico Bad Bunny (algo como "Coelho Mau" em português), canta reggaeton e é a maior sensação latina dos últimos anos. Seu novo disco, "Un Verano Sin Ti", lançado em maio, fincou os pés no topo das paradas mundiais.

Já são seis semanas no topo da Billboard 200 e onze no top global de álbuns do Spotify. Para completar, o ex-presidente dos EUA Barack Obama acaba de indicar uma das músicas do cantor em sua já tradicional "playlist de verão".

Os números são impressionantes, mas Bad Bunny ainda não estourou no Brasil. Nem sua música, nem seu álbum aparecem entre os mais ouvidos do país nos streamings. Isso, porém, pode mudar em alguns meses: o astro entrará para o universo da Marvel no início de 2024.

Ele interpretará o herói El Muerto, que faz parte do universo do Homem-Aranha e será o primeiro personagem latino da gigante dos quadrinhos a ganhar um filme próprio. Mas esse não é seu primeiro trabalho como ator, nem seu ofício mais inusitado. Ele é um dos destaques do filme "Trem-Bala" (2022), protagonizado por Brad Pitt e previsto para ser lançado no Brasil no início de agosto. No longa, ele interpreta o assassino mexicano Lobo, um dos antagonistas do personagem de Pitt na trama.

O início de tudo

Até 2014, Benito era um universitário da Universidade de Porto Rico, no município de Arecibo, onde estudava comunicação visual, além de trabalhar como empacotador de compras em uma rede de supermercados. No tempo livre, produzia batidas e escrevia músicas. Foi quando um amigo sugeriu que ele colocasse as faixas na plataforma SoundCloud, muito usada por músicos amadores e que já nomes como Post Malone e Billie Eilish.

Os fãs começaram a surgir e logo Benito chamou a atenção de Noah Assad, fundador da Rimas Entertainment, gravadora do cantor desde 2016.

Sucesso meteórico

Assad apostou em uma série de colaborações, inserindo Bad Bunny em singles de sucesso com artistas expoentes do reggaeton como Ozuna, Ñengo Flow, Farruko e Justin Quiles, e veteranos como Daddy Yankee, Arcángel e Yandel. A música mais popular veio em 2017: "Mayores", com Becky G, acumula mais de dois bilhões de visualizações no YouTube. "I Like It, colaboração com Cardi B e J Balvin, talvez a música mais conhecida do cantor no Brasil, foi lançada em 2018, assim como "MIA" com o rapper Drake.

Seu primeiro álbum, "X 100PRE", foi lançado no final de 2018 e já é considerado um dos melhores álbuns de todos os tempos pela revista Rolling Stone. Em 2020, veio "YHLQMDLG" (sigla para "Yo Hago Lo Que Me Da La Gana" ou "Eu faço o que eu quiser" em português), o disco que deu origem ao seu domínio nas paradas musicais.

No total, são três discos de estúdio, um álbum colaborativo com J Balvin e uma compilação. Na estante, dois prêmios Grammy e quatro prêmios Grammy Latino. No passaporte, turnês de sucesso: a mais recente, "World's Hottest Tour" (ou "A Turnê Mais Quente do Mundo") é, atualmente, a mais rentável do mundo, de acordo com a agência de notícias Bloomberg, superando outros nomes do pop como Dua Lipa e The Weeknd.

A receita do sucesso? Batidas pegajosas que misturam reggaeton com trap, mambo, pop, punk e até mesmo bossa nova.

Estilo

Bad Bunny - Getty Images - Getty Images
Bad Bunny no tapete do Met Gala
Imagem: Getty Images

Nos últimos anos, o guarda-roupa do cantor tem incluído vestidos e saias. Além disso, suas unhas estão quase sempre pintadas. Um estilo bem diferente do apresentado tradicionalmente pelos homens do reggaeton.

"O que define um homem? O que define ser masculino? O que define ser feminino? Eu não consigo colocar um gênero nas roupas. Para mim, um vestido é um vestido. Se eu uso um vestido, ele deixa de ser um vestido de mulher? Ou vice-versa? Não. É um vestido e é isso", disse o artista em entrevista para a revista GQ.

Em sua estreia no baile Met Gala, por exemplo, o porto-riquenho foi destaque ao desfilar um coque decorado com joias e um vestido sob medida feito pela grife britânica Burberry, que uniu a alfaiataria masculina aos trajes femininos usados no século 19 em sua terra natal. Ele também foi o rosto da campanha de primavera da francesa Jacquemus, apresentando peças supercoloridas e usando salto alto.

Carreira de ator

Em 2024, Bad Bunny estrelará um novo filme do universo do Homem-Aranha. Ele interpretará El Muerto, um lutador que faz parte de uma tradicional família ligada à luta libre mexicana e que passa, de geração para geração, uma máscara que lhes garante superforça.

"Não é que eu sou o primeiro latino a atuar em um filme da Marvel. Eu sou o primeiro latino em um papel principal. Eu acho que as pessoas vão ficar orgulhosas do meu trabalho", disse, em uma aparição no talk show americano The View.

O cantor, porém, já mostrou suas habilidades como ator antes. Benito fez uma participação especial em "Velozes e Furiosos 9" (2021) e interpretou o traficante Kitty na terceira temporada de "Narcos: México", série da Netflix.

Bad Bunny interpretou O Lobo no longa 'Trem-Bala' - Divulgação/Scott Garfield - Divulgação/Scott Garfield
Bad Bunny interpretou O Lobo no longa 'Trem-Bala'
Imagem: Divulgação/Scott Garfield

Cantor, ator e... lutador

Fã declarado de luta livre profissional, Bad Bunny também já passou pelo ringue. No ano passado, o cantor fez participações especiais em lutas promovidas pela WWE e se tornou o vencedor mais jovem do Campeonato 24/7, aos 26 anos.

Alinhado com o aspecto teatral da modalidade, o Campeonato 24/7 é aberto para qualquer pessoa. A regra diz que o título pode ser defendido "24 horas por dia, 7 dias por semana" em qualquer lugar, desde que um árbitro da WWE esteja presente para apitar a disputa. Isso faz com que as "lutas" ocorram fora dos eventos programados pela WWE com o intuito de promover o esporte.

Além de Bad Bunny, outros famosos que não são lutadores profissionais já levaram o cinturão, como o DJ americano Marshmello, dono do hit "Happier" em parceria com o grupo Bastille.

Ativismo e orgulho latino

Além de usar seu visual como ferramenta para questionar "regras" de gênero, Bad Bunny também usa sua voz para se manifestar sobre questões políticas. Em 2020, durante uma participação no "The Tonight Show", talk show apresentado por Jimmy Fallon, o músico protestou contra a morte de Alexa Negrón Luciano, uma mulher transexual que foi assassinada na cidade de Toa Baja, em Porto Rico.

"Mataram Alexa, não um homem de saia", diz a camiseta usada por Benito durante a apresentação, uma queixa sobre a representação transfóbica de Alexa na mídia porto-riquenha.

Bad Bunny protesta contra a morte de Alexa Negrón Luciano, mulher trans assassinada em Porto Rico - Reprodução/YouTube - Reprodução/YouTube
Bad Bunny protesta contra a morte de Alexa Negrón Luciano, mulher trans assassinada em Porto Rico
Imagem: Reprodução/YouTube

Um de seus maiores sucessos, a música "Yo Perreo Sola", defende o direito das mulheres de "perrearem" (uma dança porto-riquenha em que as mulheres rebolam sozinhas ou com um parceiro) sem serem assediadas por homens. Para o clipe, o cantor se transformou em uma drag queen. Ao vencer o Billboard Music Awards de Melhor Artista Latino, Bad Bunny dedicou o prêmio às mulheres latinas e fez referência à canção.

"Chega de violência machista contra as mulheres. Vamos educar todos agora para termos um futuro melhor. [...] Aprendamos que é possível dançar, ser educado e respeitoso ao mesmo tempo. Se ela não quer dançar com você, respeite. Ela dança sozinha", afirmou.

Ele também emprestou sua voz para a campanha de Joe Biden, que usou a música "Pero Ya No" em uma propaganda contra Donald Trump, interrompeu uma turnê europeia em 2019 para protestar contra Ricardo Rosselló, então governador de Porto Rico e, em seu último álbum, criticou os frequentes apagões de energia no território, alfinetando o atual líder da ilha, Pedro Pierluisi.

Apesar de falar das agruras, Bad Bunny transborda orgulho de sua origem latina e afasta a possibilidade de lançar versões de suas músicas em inglês para agradar o público americano.

"É preciso acabar com isso de que os gringos são deuses. Talvez fosse necessário e eles abriram portas para esse boom latino, mas aquele momento para mim acabou. Tenho muito orgulho de chegar ao ponto em que cantamos em espanhol, e não apenas em espanhol, mas no espanhol que falamos em Porto Rico. Sem mudar o sotaque", afirmou, para o jornal El País.

No Brasil, Anitta tem feito sucesso investindo em músicas em espanhol, a exemplo de "Envolver". Com sua trajetória de ascensão no mundo da música e a entrada no universo dos super-heróis, é apenas uma questão de tempo até o fenômeno Bad Bunny explodir de vez no país.