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Luciano Huck e mais famosos repudiam morte de petista por bolsonarista

Luciano Huck e outros famosos repudiaram o assassinato de um petista morto por um bolsonarista no Paraná - Reprodução/TV Globo
Luciano Huck e outros famosos repudiaram o assassinato de um petista morto por um bolsonarista no Paraná Imagem: Reprodução/TV Globo

Colaboração para Splash, em Maceió

10/07/2022 16h17Atualizada em 10/07/2022 18h27

O apresentador Luciano Huck e outros famosos repudiaram a morte do petista Marcelo Arruda, que foi assassinado ontem pelo bolsonarista Jorge José da Rocha Guaranho, em uma festa privada em Foz do Iguaçu, no Paraná. O evento foi realizado para celebrar os 50 anos de Arruda, que era filiado ao PT e fez a comemoração temática do partido, com foto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Por meio de seu perfil no Twitter, Luciano Huck classificou o episódio como uma "tragédia", e apontou que conviver em uma sociedade democrática "exige tolerância, civilidade e respeito no dissenso".

"Diante desta tragédia, só consigo pensar nas crianças que perderam os pais de um jeito tão brutal. Democracia exige tolerância, civilidade e respeito no dissenso. Quando antagonismos políticos matam, morre junto o ideal democrático. Até para discordar, precisamos saber ouvir. Sem isso, retrocedemos à barbárie. Temos a obrigação de entregar um Brasil melhor do que recebemos. E isso só será possível com diálogo, união e consenso", escreveu o apresentador da TV Globo.

A cantora Zélia Duncan também se manifestou em tom de repúdio e chamou Jorge José da Rocha de "homem vazio de qualquer forma de pensar".

"O assassino apareceu na festa com a esposa e a filha... ameaçou, as deixou em algum lugar e voltou para completar o crime. Um 'homem de família', enfurecido e vazio de qualquer forma de pensar", publicou a artista.

Os atores José de Abreu e Antonio Tabet lembraram o episódio de campanha ocorrido em 2018, quando o então candidato à presidência, Jair Bolsonaro, que venceu o pleito, defendeu que "a petralhada" fosse "fuzilada".

"O 'vamos fuzilar a petralhada' começou em Foz", escreveu José de Abreu.

Antonio Tabet disse que Jair Bolsonaro "fomente uma guerra armada" e se referiu ao presidente como "Irresponsável".

"A imprensa não pode passar mais pano. Basta! Dois pais morreram porque Bolsonaro - o presidente que sugeriu que a vacina causava Aids - fomente uma guerra armada do bem (ele) contra o mal (todos com opiniões, religiões ou hábitos diferentes). Teremos guerra civil por um louco?", postou no Twitter.

"Nenhuma violência se justifica. Mas não há paralelo. O presidente não pode dizer que 'vamos metralhar a petralhada'... sugerir que a vacina causa Aids... vender o ódio. Banalizamos a irresponsabilidade. A liturgia do cargo morreu. Nossos maiores exemplos são os piores exemplos", completou.

Entenda

O agente penitenciário Jorge José da Rocha Guaranho invadiu uma festa e matou a tiros o aniversariante, o guarda municipal Marcelo Arruda, na noite de sábado (9), em Foz do Iguaçu (PR). O evento celebrava os 50 anos de Arruda, que era filiado ao PT e fez uma comemoração temática com bandeiras e cores do partido e foto do ex-presidente e pré-candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva.

A festa reuniu cerca de quarenta convidados na sede da Associação Esportiva Saúde Física Itaipu. Por volta das 23h de ontem (9), Guaranho invadiu o local, acompanhado da mulher e do filho, e começou a xingar quem estava na festa e a gritar "aqui é Bolsonaro", de acordo com testemunhas e com o boletim de ocorrência. O aniversariante não conhecia o bolsonarista, segundo relatos.

Guaranho teria ido embora e voltado cerca de 15 ou 20 minutos depois, sozinho e armado.

A esposa de Marcelo Arruda, que é policial civil, se identificou com o distintivo, mas Guaranho avançou contra o guarda municipal e efetuou os dois primeiros disparos. Arruda revidou a agressão e atirou contra o bolsonarista ao menos três vezes. Marcelo Arruda foi levado ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos. .

A Delegacia de Homicídios informou que está apurando o caso.

Arruda deixa mulher e quatro filhos, incluindo um bebê. Filiado ao PT, ele foi candidato a vice-prefeito de Foz do Iguaçu pelo partido em 2020.

Ex-presidente Lula lamenta violência

Pré-candidato à Presidência, o ex-presidente Lula se manifestou e prestou solidariedade à família de Arruda.

"Uma pessoa, por intolerância, ameaçou e depois atirou nele, que se defendeu e evitou uma tragédia maior. Duas famílias perderam seus pais. Filhos ficaram órfãos, inclusive os do agressor. Meus sentimentos e solidariedade aos familiares, amigos e companheiros de Marcelo Arruda", disse Lula.

Até o momento, Jair Bolsonaro não se manifestou sobre o assunto.