PUBLICIDADE
Topo

Meirelles avalia legalização da maconha: 'Mais razoável proibir o álcool'

Fernando Meirelles coproduziu a série Pico da Neblina, da HBO - Divulgação/HBO
Fernando Meirelles coproduziu a série Pico da Neblina, da HBO Imagem: Divulgação/HBO

Colaboração para Splash, em São Paulo

05/07/2022 11h39Atualizada em 05/07/2022 11h40

O cineasta Fernando Meirelles opinou sobre a legalização da maconha em entrevista à revista Veja. O diretor afirmou que a maconha recreativa deve ser liberada em breve no Brasil e fez uma comparação da substância com o álcool. Meirelles e seu filho, Quico, também falaram sobre a nova temporada da série dirigida por eles, "Pico da Neblina" (HBO).

"É assim no mundo inteiro. Estamos um pouco mais lentos porque temos uma bancada evangélica ativa, mas vai acontecer. Estou agora em Los Angeles e, se eu dobrar a esquina do meu quarteirão, tem uma loja de maconha. Você entra, compra e fuma. Isso também vai acontecer no Brasil, a série apenas antecipa esse cenário", disse o diretor indicado ao Oscar por "Cidade de Deus".

A maconha não faz mal nenhum. Seria muito mais razoável proibir o álcool, que é uma droga nociva que faz as pessoas se envolverem em acidentes de trânsito, agredir a mulher. Você não vê isso com a maconha. Fernando Meirelles

"Não tem sentido não legalizar. Vai acontecer daqui a pouco e vai ser um negócio multibilionário. A gente se inspirou em experiências de legalização ao redor do mundo. Os modelos da Espanha, da Holanda, dos Estados Unidos, do Uruguai, do Canadá. Olhamos todos esses e projetamos o que poderia acontecer no Brasil", acrescentou Quico.

Ao falarem sobre o "tabu" ao redor do tema, o filho do diretor afirmou que a intenção da série é mudar essa concepção: "Queremos mostrar que é só mais uma substância, além de uma planta com muitos usos e que não deveria ser vista como um tabu."

Meirelles concordou com Quico e falou sobre os hábitos da dupla. "O Quico gosta de fumar maconha, e eu não fumo mais maconha há muito tempo", contou.

Questionado sobre a diferença entre o mundo do tráfico de drogas retratado em "Cidade de Deus" e o mesmo problema nos dias de hoje, o cineasta destacou o crescimento do mercado de drogas sintéticas e a facilidade de acesso a elas por meio de aplicativos.

"Mas, do meu ponto de vista, a maconha não tem nada a ver com as drogas, é só mais uma substância, como o café", finalizou.