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Sâmia Bomfim envia pedido de explicações a hospital sobre Klara Castanho

Sâmia Bomfim e Klara Castanho - Divulgação/Instagram/Reprodução
Sâmia Bomfim e Klara Castanho Imagem: Divulgação/Instagram/Reprodução

João Viera

Colaboração para Splash, de São Paulo

28/06/2022 18h36

A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL) enviou na tarde de hoje um pedido oficial de explicações ao hospital que vazou informações sobre Klara Castanho, que gestou e entregou para adoção um bebê fruto de um estupro. A atriz, que não pretendia tornar o caso público, afirma que uma enfermeira a ameaçou de vazar a informação de que ela não pretendia ficar com a criança.

Segundo informações obtidas por Splash com a equipe da deputada, o ofício de Sâmia busca entender "quais os procedimentos do hospital para cuidado e acolhimento de paciente cuja gestação é resultante de estupro"; os procedimentos para assegurar o sigilo das informações e da intimidade dessas pessoas; se casos semelhantes ao de Klara aconteceram com pessoas anônimas; a relação que o hospital possui com colunistas e jornalistas "ditos de fofoca", segundo o ofício, quando se trata do atendimento de figuras públicas; e que medidas o hospital tomou acerca do caso Klara Castanho.

"É extremamente grave o vazamento de informações ocorrido no interior do hospital. Além de expor a intimidade e o sofrimento de uma mulher, expondo ao escrutínio público a violência a qual fora vítima, os envolvidos violaram um processo judicial que transcorria em segredo de justiça. Por isso estamos pedindo informações ao hospital sobre o vazamento de dados pessoais e iremos acompanhar o desenrolar do caso", explicou Sâmia.

Até o momento da publicação dessa reportagem, a deputada ainda não havia recebido as respostas solicitadas à instituição. Atualizaremos assim que essa informação nos for concedida.

MP já havia solicitado explicações

O Ministério Público já havia solicitado, na tarde de ontem (27), uma apuração sobre a violação do sigilo profissional por parte da enfermeira com a atriz.

Em nota, a Promotoria de Justiça da Infância de Santo André informou que todo o procedimento de entrega do recém-nascido para adoção seguiu integralmente o trâmite previsto no Estatuto da Criança e Adolescente.

A investigação do MPSP ocorrerá em sigilo.

Abuso, gravidez e exposição de Klara Castanho

A história teve início após a apresentadora Antonia Fontenelle dizer em uma live que "uma atriz global de 21 anos teria engravidado e entregado a criança para adoção". "Ela não quis olhar para o rosto da criança", afirmou Fontenelle.

Embora não tenha citado nominalmente Klara Castanho, os internautas imediatamente associaram a versão contada por Antonia à atriz. Após a declaração de Fontenelle repercutir, dezenas de internautas criticaram Klara Castanho e apontaram "falta de responsabilidade" da artista. Mesmo sem terem certeza do que aconteceu, a atriz foi julgada e atacada.

Procurada por Splash, Antonia Fontenelle questionou apenas: "e o que eu tenho a ver com isso?". Nas redes, ela publicou um relato em que classifica a história de "monstruosa" e disse que a doação de uma criança seria "abandono de incapaz".

Em carta aberta publicada no Instagram, Klara relatou que foi estuprada e engravidou, mesmo tendo tomado pílula do dia seguinte. Classificado por ela como "o relato mais difícil da minha vida", a artista explicou que não queria tornar o assunto público, mas já que a adoção foi exposta, resolveu se pronunciar.

Não posso silenciar ao ver pessoas conspirando e criando versões sobre uma violência repulsiva e de um trauma que eu sofri. Eu fui estuprada.
Klara Castanho

Klara não reportou a violência sexual à polícia por sentir "vergonha e culpa". Acreditou que, ao "fingir" que o episódio não aconteceu, ela "talvez esquecesse".

Ao dar prosseguimento ao relato, a atriz destaca que descobriu a gravidez ao passar mal e procurar um médico. Mas o profissional que a atendeu não se solidarizou com sua dor e a violência sofrida, mesmo após revelar que foi estuprada.

Incapaz de criar um filho fruto de um estupro, Klara Castanho optou pela doação do bebê que gerou e fez todos os procedimentos legais. Entretanto, quando teve a criança, teria sido ameaçada por uma enfermeira, que quis levar o caso a público por meio da imprensa.

Ela diz ainda que não demorou para que jornalistas passassem a procurá-la, ainda no hospital, para questionar sobre a gravidez e a adoção, mas, ao explicar-lhes que o filho foi fruto de uma violência, os repórteres se comprometeram em não publicar matéria a respeito. Até que o assunto ganhou força no Twitter neste último sábado (25), após o colunista do jornal Metrópoles, Leo Dias, detalhar o caso em uma matéria. Tanto o jornalista, quanto o jornal, pediram desculpas.

Diversos famosos se solidarizaram com Klara após o ocorrido, entre eles as atrizes Juliana Paes e Flavia Alessandra, as cantoras Jojo Toddynho e Luisa Sonza e as apresentadoras Ana Maria Braga e Sonia Abrão.