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Brigas, porta quebrada e divisão: as polêmicas de Cazuza no Barão Vermelho

Capa do primeiro disco do Barão Vermelho, que completa 40 anos em 2022 - Reprodução
Capa do primeiro disco do Barão Vermelho, que completa 40 anos em 2022 Imagem: Reprodução

Weslley Neto

De Splash, em São Paulo

02/06/2022 04h00

O Barão Vermelho se apresenta hoje no Teatro Claro, no Rio de Janeiro, para celebrar os 40 anos do lançamento de seu primeiro disco, que leva o nome da banda. O grupo também fez um show ontem no mesmo local.

A história da banda de rock é marcada por dois líderes: Cazuza, vocalista do Barão entre 1982 e 1985, e Frejat, que passou a comandar o grupo nas três décadas seguintes. Rodrigo Suricato é o responsável pelos vocais desde 2017.

Mas os primeiros anos do Barão Vermelho não foram marcados apenas pelo grande sucesso em todo o Brasil. A passagem de Cazuza pela banda gerou polêmicas até hoje lembradas pelos fãs.

Frustração em início

O documentário "Barão Vermelho: Por Que a Gente é Assim?", lançado pela Netflix em 2018, mostra que a inexperiência atrapalhou a relação entre os integrantes na época em que o primeiro álbum foi lançado.

A banda era formada apenas por músicos na faixa dos 20 anos. Cazuza "errava os tempos" de suas entradas por não estar acostumado a cantar sem uma base ao vivo, ouvindo apenas a gravação nos fones de ouvido, diz o relato dos integrantes do grupo.

Outro agravante: estúdios e produtores da época tinha muito pouca experiência em registrar a distorção das guitarras barulhentas do rock. "Levaram o disco para gente ouvir, com aquele 'sonzinho perna' para caramba. Falei: 'Tá horrível isso!'", lembrou Dé Palmeira.

"A gravadora achava que era um disco ruim", afirmou Frejat. A obra foi gravada em maio e lançada em setembro de 1982.

Barão Vermelho - Reprodução - Reprodução
Barão Vermelho fez sucesso durante a década de 1980
Imagem: Reprodução

Porta quebrada no rosto de Cazuza

O episódio também é contado no documentário "Barão Vermelho: Por Que a Gente é Assim?". Uma briga entre os integrantes da banda aconteceu após Cazuza chegar bêbado e 1h30 atrasado para um show.

Segundo o relato, o músico resolveu se trancar no banheiro para cheirar cocaína.

Contrariado com a situação, Frejat começou a bater na porta para que o amigo saísse logo dali para começar rapidamente a apresentação. "Eu me encostei na porta de costas e comecei a bater com o pé", diz o guitarrista no documentário.

"Quando arrombei a porta, ele estava abaixando para mexer no trinco. A porta pegou no supercílio e no lábio. Ele fez um escândalo, e ficou um tanto de gente tentando acalmá-lo. E eu fiquei sozinho, arrasado, chorando no camarim", completou Frejat.

Saída do vocalista

Em entrevista ao programa "De Frente com Gabi" em 1998, Frejat lembrou ter muitas afinidades com Cazuza e muitos pensavam que eles eram parentes quando o Barão Vermelho foi criado.

Segundo o guitarrista, só aconteceu uma única briga séria entre ele e o cantor: quando Cazuza anunciou que iria deixar o grupo.

"Já vinha de discussões, mas sempre tínhamos acordos. Quando ele saiu, fiquei muito chateado. Nós conversávamos sobre esse tipo de atitude e ele havia se comprometido a não tomar esse tipo de atitude. Quando ele tomou e avisou a todos da banda, fiquei frustrado. Eu tinha muito mais contato com ele, me senti subestimado", argumentou.

Já em 2020, Frejat afirmou sentir saudades do cantor em entrevista ao "Provocações", apresentado por Marcelo Tas na TV Cultura. "Nas brigas e nos acertos, a gente falou tudo o que precisava falar".

Eu funcionava como um filtro entre a banda e ele. Só que, na hora que eu estourava, é porque não dava mais. Ele já tinha passado dos limites.
Frejat ao 'Provocações', da TV Cultura.

Músicas 'roubadas'?

Argumentando querer explorar "novas sonoridades", Cazuza saiu da banda no dia em que os músicos apresentaram aos executivos da Som Livre o orçamento para seu quarto disco.

"Cazuza pegou o que seria o repertório, com contrato assinado, e ficou com ele. Então a gente ficou sem cantor, sem repertório, sem letrista", contou o baterista Guto Goffi durante o documentário "Barão Vermelho: Por que a Gente é Assim?".

A saída repentina do vocalista causou um racha interno na equipe do Barão. A amizade entre os músicos, no entanto, foi mantida. "Sempre foi uma pessoa que torceu demais pela gente", apontou Frejat.

"Declare Guerra", quarto álbum do Barão Vermelho, foi lançado em 1986. Segundo o jornal "Zero Hora", apenas parte do repertório do projeto foi usado no álbum "Exagerado" (1985), o primeiro solo de Cazuza.

Cazuza no Rock in Rio em show do Barão Vermelho - Reprodução - Reprodução
Cazuza no Rock in Rio em show do Barão Vermelho
Imagem: Reprodução

Guto Goffi afirma que não foram apenas os desentendimentos que definiram a saída de Cazuza. O crescimento da popularidade do cantor também foi importante na decisão.

"Plateia começou a gritar muito Cazuza durante o show. A gente ficava um pouco triste, porque a gente se sentia 'uno' ali. O Barão Vermelho era nós cinco", destacou.

Depois de cinco anos intensos em carreira solo, Cazuza morreu em 1990, aos 32 anos, após lutar contra a Aids.