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O termo 'denegrir' é racista? Entenda a origem da palavra

Carolina Cimenti foi corrigida durante o "GloboNews em Pauta" por usar o termo - Reprodução/GloboNews
Carolina Cimenti foi corrigida durante o "GloboNews em Pauta" por usar o termo Imagem: Reprodução/GloboNews

De Splash, em São Paulo

26/05/2022 17h10Atualizada em 26/05/2022 21h15

Ontem, quando a comentarista Carolina Cimenti foi corrigida ao vivo na GloboNews por usar o termo "denegrir", uma discussão se iniciou nas redes sociais.

Enquanto alguns concordam que o termo seja racista, outros apontaram a origem latina da palavra para argumentar que não há relação com pessoas negras. Afinal, o termo é racista ou não?

Segundo o site Dicionário Etimológico, o termo tem origem no latim "denigrare", que significa "tornar escuro". Esse também é um dos significados da palavra "denegrir" ou "denigrir" no dicionário Michaelis: "Ficar ou fazer ficar escuro".

No entanto, para quem aponta o racismo no termo, o problema não está na etimologia, nem no significado literal: está no sentido figurado. A segunda definição de "denigrir" no Michaelis é a seguinte: "Manchar(-se) a reputação".

Diferentemente de outros termos racistas que costumavam fazer parte do vocabulário corriqueiro, como "mulata" ou "serviço de preto", a história de "denegrir" não está diretamente ligada à escravidão, mas isso não significa que não seja racista.

A DPU (Defensoria Pública da União) explicou em sua conta oficial no Twitter o porquê algumas expressões são consideradas de cunho racista.

"O longo período de escravidão que o Brasil enfrentou ainda deixa marcas na forma como nos comunicamos. Expressões de cunho racista continuam sendo usadas todos os dias, muitas vezes sem que as pessoas se deem conta do significado profundo do que estão dizendo", explica o órgão.

"Muitas dessas expressões associam a palavra negro ou preto a coisas ruins. Já outras, como 'inveja branca', fazem boas associações às pessoa de pele clara. Recentemente, uma jornalista se desculpou ao vivo por usar a palavra 'denegrir', quando poderia ter usado outro termo", disse a DPU, comentando o episódio da jornalista da GloboNews, sem citá-la.