PUBLICIDADE
Topo

'Hipnose de massa': o que Eric Clapton já falou antes de pegar covid?

Antes de contrair a covid-19, Eic Clapton já disse informações falsas sobre a doença - Fred Thornhill/Reuters
Antes de contrair a covid-19, Eic Clapton já disse informações falsas sobre a doença Imagem: Fred Thornhill/Reuters

De Splash, no Rio

18/05/2022 04h00

Eric Clapton, 77, anunciou que cancelou apresentações de sua turnê após testar positivo para a covid-19. Ontem, a equipe do artista publicou que ele está "sofrendo com a doença" desde seu último show no teatro londrino Royal Albert Hall, no dia 8 de maio.

"Ele foi informado por seus consultores médicos que, se retomarmos as viagens e os shows muito cedo, isso poderia atrasar substancialmente sua recuperação total, após intensa discussão interna", dizia o comunicado.

Antes de ser contaminado pela covid-19, Eric já propagou publicamente notícias falsas e incorretas sobre a doença, as medidas de isolamento social e a vacinação, em especial, em relação à vacina feita pela AstraZeneca, a qual ele foi imunizado.

Músicas contra o isolamento social

Eric Clapton chegou a gravar músicas contra as medidas de isolamento social impostas pelo governo britânico no auge da pandemia em 2020. As letras de "Born To Be Free" "As I Walked Out", "No More Lockdown" e "Stand and Deliver", composta junto do músico Van Morrison, geraram polêmicas e críticas.

Em entrevista à revista Variety, Clapton disse que a proibição de eventos ao vivo para conter o vírus era "profundamente perturbadora".

Infeliz com as medidas de prevenção, ele afirmou que chegou a cogitar mudar de país durante a pandemia. No entanto, o músico não quis se mudar para os Estados Unidos por ter sido tachado como um apoiador de Trump por seus posicionamentos.

"A retórica lá é ainda pior porque estava tudo ligado ao Trump. Assim que comecei a falar qualquer coisa sobre o isolamento social aqui, minhas preocupações, fui rotulado como um apoiador de Trump nos Estados Unidos. Os comentários que recebi foram bastante pesados", reclamou Clapton.

Contra o passaporte vacinal

Em julho do ano passado, ele voltou aos holofotes após declarar que não iria fazer shows em locais que exigissem vacinação do público. De acordo com à revista "Rolling Stone", ele se pronunciou contra a medida de proteção em conversa com o cineasta Robin Monotti por meio de um aplicativo de mensagens.

"Após o anúncio do primeiro-ministro [Boris Johnson] na segunda-feira, 19 de julho de 2021, sinto-me na obrigação de fazer um anúncio pessoal: desejo dizer que não me apresentarei em nenhum palco onde haja um público discriminado presente. A menos que haja providências para que todas as pessoas compareçam, eu me reservo o direito de cancelar o show", escreveu.

Na época, o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, afirmou que todas as casas noturnas inglesas e outros estabelecimentos com grandes públicos exigiriam que clientes apresentassem prova de vacinação completa a partir do fim de setembro, o que não se concretizou.

"Vacina serve para hipnotizar a massa"

Em janeiro deste ano, Clapton voltou a atacar as vacinas. Segundo ele, qualquer pessoa que tenha tomado a vacina contra covid-19 é "vítima de hipnose de formação em massa".

De acordo com o Daily Mail, em entrevista ao canal do YouTube "The Real Music Observer", o cantor afirmou que existem mensagens subliminares escondidas na publicidade que levam as pessoas a receber os imunizantes.

"Então eu me lembrei de ver pequenas coisas no YouTube que eram como publicidade subliminar. Já estava acontecendo há muito tempo: aquela coisa sobre 'você não terá nada e você será feliz'. Eu pensei: 'o que isso significa?" E pouco a pouco, eu formei o quebra-cabeça. E isso me fez ainda mais resoluto", disse.

Reações "desastrosas" da vacina

Após tomar a primeira dose da vacina contra a covid-19, em 2021, o guitarrista disse que sofreu com reações "desastrosas" no corpo. Em carta escrita a um amigo, alegou frustração por ter se iludido com as "propagandas que diziam que ele estaria seguro após a vacinação".

"Eu tomei a primeira injeção de AstraZeneca e imediatamente tive reações graves que duraram dez dias. Eu finalmente me recuperei e disseram que faltariam doze semanas para o segundo", dizia trecho da carta divulgada pela revista "Rolling Stone".

"Cerca de seis semanas depois, recebi a oferta e tomei a segunda dose, mas com um pouco mais de conhecimento dos perigos. Desnecessário dizer que as reações foram desastrosas, minhas mãos e pés estavam congelados, dormentes ou queimando, e praticamente inúteis por duas semanas, eu temi nunca mais tocar, (eu sofro de neuropatia periférica e nunca deveria ter chegado perto da agulha) Mas a propaganda dizia que a vacina era segura para todos", seguia a carta escrita pelo artista.

O que dizem os especialistas sobre a vacina?

O UOL conversou com Renato Kfouri, diretor da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), em abril de 2021. Ele esclareceu que o efeito adverso apontado por Clapton é extremamente raro de acontecer. "No universo dos milhões de doses que já foram aplicadas no mundo todo, os casos relatados foram poucos", afirmou o especialista.

Segundo ele, a trombose relatada após a aplicação da vacina é diferente da trombose clássica que conhecemos.

"A vacina seria como um gatilho para uma doença autoimune, que a pessoa já possui, mas desconhece, e que provoca uma queda no número de plaquetas no sangue, aumentando o risco para o surgimento de trombos", explicou Renato.

Ou seja, enquanto a trombose clássica tem como uma das características a contagem alta no número de plaquetas (o que aumenta o risco de coágulos no organismo), a trombose no caso de quem tomou a vacina tem como característica uma queda no número de plaquetas.

O diretor da SBIm ainda reforçou que mesmo as pessoas que já tiveram trombose podem tomar a vacina, já que, pela natureza rara e diversa da reação, esses indivíduos não estariam mais predispostos ao problema.

"A segurança das vacinas contra o coronavírus é semelhante às outras vacinas com as quais estamos acostumados", afirma. "Sempre existem riscos, mas os benefícios, o número de mortes que serão evitadas, superam o número de eventos adversos relatados até aqui."