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Paulo Vieira quer voltar ao 'BBB 23': 'Não sei se Boninho vai me chamar'

Paulo Vieira comandou o "Big Terapia" no "BBB 22" - Globo/João Cotta
Paulo Vieira comandou o 'Big Terapia' no 'BBB 22' Imagem: Globo/João Cotta

Filipe Pavão

De Splash, no Rio

12/05/2022 04h00

Após sucesso na edição deste ano do "Big Brother Brasil", Paulo Vieira quer retornar ao reality em 2023 com o seu "Big Terapia". No quadro de humor, todas às quartas-feiras, ele fazia uma "sessão de terapia" com o eliminado da semana e viralizava na web com piadas sobre os confinados, os comentários do público e a própria Rede Globo.

Considerado um dos protagonistas do reality, ele comemora a oportunidade de estrear o quadro no reality. "Fico feliz demais. O 'BBB' foi uma oportunidade muito boa de crescimento na minha carreira. Sou muito grato", conta em entrevista a Splash.

Não sei se o Boninho vai me chamar de novo. Acredito que sim, me parece que eles ficaram felizes. Foi um sucesso de audiência e de publicidade. Gerou muitos debates na internet.

As piadas, muitas vezes, utilizavam temas que estavam em alta nas redes sociais como as traições de Arthur Aguiar na relação com a esposa Maíra Cardi. E Paulo não poupava nem a própria emissora: ele chegou a zoar a festa da firma, na qual Rafa Kalimann doou R$ 10 mil, e também ironizou a falta de mulheres e negros na direção da Globo ao comparar o alto escalão da emissora com a final do reality, que teve, pela primeira vez, dois negros disputando o prêmio de R$ 1,5 milhão.

O humorista diz que seu humor quer fazer rir, mas também causar reflexões. E não só no BBB, mas em projetos como o "Avisa Lá Que eu Vou", seu novo programa que mescla viagem e entrevistas no GNT.

"O que eu quero é, primeiramente, ser engraçado para causar riso em alguém. No Brasil de hoje, uma risada é quase um milagre que acontece. E também propor alguma coisa. De preferência, botar o dedo na ferida e me colocando na roda. Quando eu falo sobre a sociedade, eu estou inserido nessa sociedade, é autocrítica também. O meu humor tem a obrigação de ser propositivo", pensa.

Paulo Vieira é humorista e apresentador - Globo/ Ju Coutinho - Globo/ Ju Coutinho
Paulo Vieira é humorista e apresentador
Imagem: Globo/ Ju Coutinho

Medo de cancelamento?

No bate-papo com Splash, Paulo refletiu sobre riscar algumas piadas de seus roteiros por medo de desagradar a audiência e ser cancelado na internet, ou não agradar os próprios chefes da TV Globo. Para ele, trabalhar com TV é trabalhar com a aprovação das pessoas.

"Além de ser um cara carente, ainda trabalho com aprovação. Like é aprovação, audiência é aprovação. O que eu tento fazer é me manter acordado e alerta para que essa vontade de aprovação, de dar audiência para Globo e ser relevante nas redes sociais, não seja maior do que eu acredito como pessoa", pensa.

É um calculo que faço na minha cabeça: esse tema é mais importante do que a audiência e o dinheiro? Então, eu vou me posicionar. Foi o conselho de um amigo: faça a sua reserva moral, tenha consciência do que você não pode vender.

Para o apresentador, é pior quando ele precisa cortar uma piada por medo dos telespectadores não entenderam sua crítica ou ironia. "Isso me deixa mais triste do que quando eu opto por não dizer algo por relação comercial, contratual ou patronal", afirma.

Trabalhar com ironia é uma dificuldade porque o nosso povo é deseducado, o nosso nível de educação é baixo. Por isso, eu milito pela educação, para que o meu trabalho possa melhorar e eu fazer piadas melhores. A televisão tem o papel constitucional de educar.