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Johnny Depp revela nunca ter assistido aos filmes de 'Piratas do Caribe'

De Splash, em São Paulo

21/04/2022 10h17

Johnny Depp esteve em mais um dia do julgamento do caso que envolve o ator e a ex-esposa, Amber Heard. Durante depoimento, o artista revelou uma informação inusitada àqueles que seguem a sua carreira: ele nunca assistiu aos filmes da franquia "Piratas do Caribe".

O ator foi questionado sobre os filmes que marcaram seu trabalho de atuação, e ao citarem os longas da Disney, ele respondeu: "Eu não assisti."

"Mas acredito que o filme foi muito bem, aparentemente, e eles queriam continuar, fazendo mais [filmes] e eu estava bem em fazer isso", continuou. "Não é como se você se tornasse essa pessoa, mas se você conhece esse personagem, na mesma medida em que eu conhecia... Porque ele não era o que os escritores escreveram, então eles realmente não foram capazes de escrever para ele." As informações são do The Independent.

Johnny Depp interpretou o Capitão Jack Sparrow por cinco filmes da franquia, de 2003 e 2017.

No mesmo depoimento, o ator disse acreditar que a Disney o tirou da saga "Piratas do Caribe" por precaução. "Dois anos se passaram de uma constante conversa que aconteceu mundialmente sobre eu ser esse espancador de esposas. Então, tenho certeza de que a Disney estava tentando os cortar os laços por questão segurança. O movimento #MeToo estava em pleno andamento naquele momento", comenta Depp ao citar o movimento no qual diversas atrizes de Hollywood denunciaram abusos e assédios na indústria.

Entenda o caso

Johnny Depp foi substituído em "Animais Fantásticos 3" após perder um processo para o jornal britânico "The Sun". A publicação o chamou de "espancador de esposas", lembrou a revista Vanity Fair.

A justiça considerou que a manchete era "substancialmente verdadeira" após o jornal apresentar 14 relatos de abusos da ex-mulher do ator, a atriz e modelo Amber Heard, 35.

Os advogados de Amber Heard defenderam que, durante o casamento, Johnny Depp virava um "monstro" pelo consumo de drogas e álcool, com "ataques de raiva" que terminaram em agressões verbais, físicas e sexuais.

O julgamento está em andamento nos EUA. A defesa da modelo relatou várias cenas de violência, principalmente em março de 2015 na Austrália, onde Depp filmava o quinto episódio de "Piratas do Caribe".

"Esse monstro aparecia quando bebia ou usava drogas", acrescentou a advogada Elaine Bredehoft, mencionando coquetéis de álcool, medicamentos, cocaína, ecstasy e cogumelos alucinógenos.

O que motivou o julgamento

Ambos se acusam de difamação desde que ela publicou no jornal The Washington Post um artigo em que se descreve como uma "figura pública que representa a violência doméstica". "Eu falei contra a violência sexual e enfrentei a ira de nossa cultura. Isso tem que mudar", diz o texto de 2018.

A atriz não cita em nenhum momento Depp. Mas o ator a processou por difamação por insinuar que ele era um agressor. Ele pede US$ 50 milhões (R$ 233 milhões) em danos.

Após a publicação da coluna, Depp, que nega a agressão, entrou com uma ação de difamação contra Amber. A atriz, por sua vez, entrou com um processo de difamação em que pede US$ 100 milhões (R$ 466 milhões) pela continuação dos "abusos" e "assédio" que Depp lhe impôs durante o casamento.

O ator entrou com a ação no estado da Virgínia, onde o Washington Post é impresso e onde o marco legal é mais favorável às denúncias de difamação do que na Califórnia, onde os dois atores residem. Os pedidos da atriz para que o processo fosse arquivado foram negados.

Os dois devem testemunhar com os atores James Franco, Paul Bettany e o magnata Elon Musk. O julgamento deve durar seis semanas.

Este caso se pauta principalmente na "Primeira Emenda" da Constituição, que confere a Amber Heard "o direito de dizer as palavras que disse", respondeu Rottenborn, e pediu ao júri que "confirme e proteja" esse direito.