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Filha de Belchior esperava condenação e não vai recorrer, diz advogado

Weslley Neto

De Splash, em São Paulo

24/03/2022 21h58

Isabella Belchior, filha do cantor Belchior, morto em 2017, foi condenada ontem a nove anos de prisão pelo assassinato do metalúrgico Leizer Buchwieser dos Santos em 2019. O crime aconteceu em São Carlos (SP).

Ela optou por não contratar um advogado e recorreu à Defensoria Pública de São Paulo. Pedro Naves Magalhães, que assumiu a defesa da filha de Belchior, conversou com Splash sobre o caso concluído ontem em júri popular na cidade do interior de São Paulo.

"A Isabella estava convicta que seria condenada, até por assumir as responsabilidades pelo que fez. Conseguimos reduzir a pena de 12 para 8 anos, e ela pegou mais um ano de prisão por ocultação de cadáver. Ela compreendeu que estava dentro do que era possível, acatou e disse que não quer recorrer. A ansiedade por uma definição era maior que a insatisfação".

Junto de Isabella, também foram condenados Estefano Rodrigues e Bruno Thiago Dornelas Rodrigues. Os dois são irmãos de Jaqueline Dornelas Chaves, companheira de Isabella e também réu no júri popular.

O advogado também informou que Estefano e Bruno também não recorrerão após a sentença.

Redução de pena

Pedro Naves Magalhães relatou que a diminuição de pena ocorreu após o júri reconhecer ser um "homicídio privilegiado", quando são considerados atenuantes por situações em que você comete o crime alegando "relevante valor moral ou social".

Além de defender que Isabella participou do crime por legítima defesa, o advogado lembrou que a polícia descobriu, durante as investigações, que Santos praticava crimes sexuais envolvendo menores de idade.

Pedro destaca que as diferentes versões apresentadas pelos réus representaram um desafio para a defesa. Ele também reforça que a filha de Belchior sempre manteve o mesmo relato, o que a ajudou no júri.

"Ela diz que foi atacada de surpresa. Uma coisa abrupta, da qual não conseguia se soltar. Isabella pegou uma faca que estava ao alcance e acertou o agressor para conseguir sair. Ela soltou a faca em seguida porque os outros (Estefano e Bruno) vieram ajudá-la. Ela não sabe apontar o que aconteceu depois", lembrou o advogado.

A defesa de Jaqueline

Jaqueline Dornelas Chaves era suspeita por ter feito contato com a vítima no dia do crime — foi para ela que a vítima enviou a proposta de pagar por sexo com uma criança. No entanto, o juiz chegou à conclusão de que ela não participou do assassinato e a absolveu das acusações.

Pedro Naves Magalhães também foi responsável pela defesa da companheira de Isabella. Ele conta que a falta de provas de que Jaqueline estava no local do crime foi crucial para a absolvição.

"Jaqueline assumiu que existiu uma troca de mensagens entre ela, Isabella e a vítima. Mas as trocas de mensagens e as ligações não foram apresentadas pela acusação. As provas eram frágeis, estavam baseadas em denúncias anônimas", explicou.

Futuro de Isabella

Por fazer parte da Defensoria Pública, o advogado não continuará acompanhando o caso de Isabella, caso ela seja transferida para outra cidade.

"Será verificado em qual cidade há vagas para o cumprimento em regime semiaberto, caso ela consiga futuramente. Pode ser Rio Claro (SP) ou Araraquara (SP), depende do que a Justiça determinará. Não há vaga em São Carlos", afirmou Pedro.

"Isabella já cumpriu mais de um ano e meio da pena esperando o julgamento. Acredito que ela pode progredir para o regime semiaberto em breve para cumprir para mais uma parte e, assim, avançar ao regime aberto quando possível", concluiu.

Entenda o caso

O caso aconteceu em 26 de agosto de 2019. Leizer Buchwieser dos Santos teria marcado um encontro com Jaqueline Dornelas Chaves, companheira de Isabella, que teria levado sua sobrinha de 3 anos na época.

A filha de Belchior afirmou, em depoimento de 2019, que a vítima tentou forçá-la a ter uma relação sexual e, por isso, reagiu. Os dois irmãos de Jaqueline participaram do esfaqueamento, segundo a decisão da Justiça.

"Nós apuramos que esse encontro foi todo marcado via chat, e ele pagaria por esse encontro", disse o delegado Gilberto de Aquino ao UOL em 2020.

A polícia passou a suspeitar da participação de Leizer Buchwieser dos Santos em crimes sexuais com menores de idade quando notou usuários comemorando sua morte em uma rede social.

"Acabaram matando ele no local, colocaram no carro, jogaram o corpo em um lugar e incendiaram o veículo. Nós investigávamos o caso como homicídio, depois descobrimos o envolvimento de Leizer com a pedofilia", concluiu o delegado.