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Repórter da Globo se emociona ao falar de Elza Soares: 'Com nó na garganta'

De Splash, em São Paulo

21/01/2022 08h12Atualizada em 24/01/2022 10h07

O jornalista Alexandre Henderson se emocionou e desabafou sobre Elza Soares ao falar ao vivo no "Bom Dia RJ" (TV Globo)". O repórter mostrava a chegada do corpo de Elza no Theatro Municipal do Rio, onde será velado.

A cerimônia será restrita aos familiares até às 10h e aberta ao público em seguida.

Henderson destacou a importância de Elza para a população negra — mais da metade do país — e como ele era um fã da cantora.

É uma referência, Elza. Quando olhamos essa cena, pensamos na referência como mulher preta, artista. A Elza que cantou muito que 'a carne mais do mercado é a carne negra'. Foi uma mulher atuante: denunciou e falou sobre o racismo, sobre a opressão da população negra, foi uma mulher que se posicionou muito em relação às questões da mulher, da comunidade LGBTQIA+, uma mulher a frente do tempo. Elza foi uma artista muito, mas muito necessária e muito atual. Alexandre Henderson

Elza Soares - Reprodução/TV Globo - Reprodução/TV Globo
Caixão com corpo de Elza Soares chega ao Theatro Municipal
Imagem: Reprodução/TV Globo

"Deixa uma lacuna na música popular brasileira, mas também um legado. Aquele corpo que está ali é de uma mulher que marcou sim a história da música brasileira, a história do Brasil. Uma mulher com uma lucidez política estrondosa. Sou fã de Elza, estou muito tocado porque a Elza marcou diversas gerações, cantou com diversos cantores e gêneros. Estou com o coração na mão e nó na garganta que a gente se despede dessa cantora, uma das maiores do mundo", concluiou o jornalista.

Ontem, nas redes sociais, Henderson disse que se sentia mais sozinho a cada vez que um herói negro morria.

O jornalista destacou Elza, a cantora do milênio, como uma das principais vozes negras do Brasil.

"Elza 'lata d'agua na cabeça', a nega que veio do 'planeta fome' mas, mesmo com todas as agruras da vida, se fez rainha. A diva, uma das maiores da nossa MPB, deixou esse plano. A voz inconfundível, o gogó de ouro. Elza, mulher negra, potência nossa, voz que deu o papo reto nos deixou? o Brasil chora! Confesso que cada herói ou heroína negra que se despede me dá um nó na garganta! Ficamos mais solitários. A Elza nos inspira coragem. Ao mesmo tempo, a ausência dela me dá a sensação de silenciamento de uma liderança potente, num país tão carente de vozes que, de fato, dão uma sacudida no sistema", escreveu.

Ontem, após exibição de matéria sobre Elza Soares no Jornal Nacional, telespectadores repararam no olhar marejado e voz embargada de Renata Vasconcellos ao encerrar o telejornal.

A prefeitura do Rio de Janeiro declarou três dias de luto em homenagem a cantora. Elza Soares morreu ontem aos 91 anos de causas naturais em casa.

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