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Grammy e Carnaval: Elza Soares viveu seu auge nos últimos anos de vida

Daniel Palomares

De Splash, em São Paulo

20/01/2022 18h25

O Brasil se despede hoje de Elza Soares. A cantora morreu de causas naturais aos 91 anos e mesmo com vasta carreira que se espalhou ao longo de mais de seis décadas, conseguiu viver alguns de seus melhores momentos nos últimos anos de vida.

Lançando álbuns aclamados internacionalmente, se apresentando ao redor do mundo e recebendo homenagens das mais diversas formas, Elza Soares encerrou sua trajetória com chave de ouro.

Destaque na música

Em 2015, Elza lançou o álbum "A Mulher do Fim do Mundo", seu primeiro em oito anos. O disco foi visto como um renascimento em sua já consagrada carreira e foi eleito como um dos maiores destaques do ano até mesmo por veículos internacionais.

"Elza Soares fez o álbum de sua vida, em todos os sentidos", declarou o crítico musical Philip Sherburne da "Pitchfork". Misturando gêneros como o samba, o rock e o rap, o CD ainda discutia nas letras temas como violência doméstica e negritude.

Foi com "A Mulher do Fim do Mundo" que Elza garantiu sua primeira e única vitória no Grammy Latino, vencendo o prêmio de "Melhor Álbum de Música Popular Brasileira". Seu disco seguinte, "Deus é Mulher", de 2018, também foi nomeado na mesma categoria.

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Elza Soares faz sua estreia no Rock in Rio em show em parceria com Rael no Palco Sunset
Imagem: Marcos Ferreira/Brazil News

Rock in Rio

Após se apresentar em festivais pela Europa e nos EUA, Elza Soares cantou pela primeira vez em um grande festival de música no Brasil aos 87 anos. A cantora foi uma das atrações do Rock in Rio em 2017 e voltou a cantar no festival em 2019.

Já rodei o mundo cantando para essa molecada em grandes festivais. Faltava o Brasil. No meu disco 'A Mulher do Fim do Mundo', eu toco em temas que hoje são caros para os jovens, como violência contra a mulher, falo dos gays, das drogas, de racismo. Todo mundo quer e precisa saber. Eu me sinto uma garota aqui no palco

contou Elza nos bastidores do festival em 2017 ao UOL

A cantora também teve a oportunidade de se apresentar na abertura das Olimpíadas do Rio em 2016 e cantou o Hino Nacional na abertura dos Jogos Pan-Americanos no Rio em 2007.

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Elza Soares em homenagem feita pelo Acadêmicos do Baixo Augusta, em São Paulo
Imagem: Reprodução/@anaclaramm

Biografia

Em 2018, Elza Soares viu sua biografia ser lançada pelas mãos de Zeca Camargo. Baseado em inúmeras conversas que Zeca teve com a cantora, o livro reuniu os detalhes de sua carreira e também de sua vida pessoal e das dificuldades que enfrentou.

"É um luxo porque tenho uma biografia em que a biografada está aqui, disposta a falar, oferecendo suas memórias. E vem uma história oral. Já se escreveu muita coisa sobre a Elza, mas é a primeira vez que ela dá a versão dela", festejou Zeca Camargo, em entrevista ao "Correio Braziliense" na época do lançamento.

Musical

A trajetória de Elza foi encenada no musical "Elza", que estreou em julho de 2018 e contou com sete diferentes atrizes e cantoras que deram vida a diferentes fases da vida da estrela.
A peça foi vencedora dos prêmios Shell, APCA, Cesgranrio e Referência e, no ano passado, foi exibida de maneira remota e gratuitamente pelo Youtube.
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Elza Soares na concentração da Mocidade Independente de Padre Miguel na Sapucaí
Imagem: Lucas Landau/UOL

Enredo

Em 2020, Elza viu sua vida contada novamente, desta vez como enredo de escola de samba. A Mocidade Independente de Padre Miguel, escola do Rio de Janeiro, homenageou a cantora e contou com sua presença no último carro alegórico.

Elza foi uma das primeiras intérpretes de samba-enredo na Marquês de Sapucaí e já havia desfilado tanto pela Mocidade quanto pelo Salgueiro, ainda nas décadas de 1960 e 1970. A Mocidade terminou a disputa em terceiro lugar no Carnaval daquele ano.

"Foi uma emoção muito grande. Tudo estava muito lindo. Senti a energia", agradeceu Elza, segurando as lágrimas ao fim do desfile, em entrevista a TV Globo.