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Por que Andrew, agora sem títulos militares, é o filho favorito da rainha?

De Splash, em São Paulo

14/01/2022 04h00

O Palácio de Buckingham anunciou ontem que o Príncipe Andrew perdeu seus títulos militares. Ele não poderá mais ser considerado "alteza real" após a Justiça dos EUA negar o arquivamento da denúncia por abuso sexual.

"Ele se defenderá neste caso em qualidade de cidadão privado", confirmou o comunicado oficial do Palácio de Buckingham.

150 veteranos militares escreveram à rainha para pedir que ela retirasse Andrew de seus cargos militares honorários em meio ao que eles descreveram como "chateação e raiva".

Andrew já foi considerado pela imprensa britânica como o "filho favorito da rainha". Além dos relatos da proximidade entre eles antes do príncipe se envolver no escândalo, a série "The Crown", que mostra detalhes da família real, também aponta uma preferência da rainha.

Relação entre Elizabeth e Andrew

O jornal Mirror relatou o relacionamento entre a rainha e o seu segundo filho citando entrevistas do documentário "Família Real em Guerra", exibido pela rede de TV britânica Channel 5.

Segundo um depoimento da jornalista Penny Junor, a rainha "sempre teve um ponto cego quando se trata do príncipe Andrew". Paul Burrell, ex-mordomo da princesa Diana, reforça que Andrew "sempre foi o filho favorito e nunca fez nada de errado na visão de Elizabeth 2ª".

Katie Nicholl, especialista na família real, afirmou ao documentário que o bom relacionamento de Andrew com Elizabeth gerou uma tensão entre ele e o irmão mais velho, príncipe Charles, sucessor da coroa britânica.

Um dos motivos da proximidade foi pontuado pelo historiador Robert Lacey em publicação da Town & Country. Ele explica que Elizabeth se afastou dos compromissos reais e se dedicou exclusivamente à maternidade, diferentemente do que fez quando Charles nasceu, 12 anos antes.

Além de ser uma mãe "presente" no crescimento de Andrew, a rainha também ficou satisfeita com a escolha do então príncipe por um relacionamento com Sara Margarida Ferguson.

Os dois formaram um dos principais casais da década de 1980. Após diversos problemas no relacionamento, o divórcio foi concluído em 1996.

A imprensa também considerava Andrew um "herói de guerra". Ele fez parte da marinha real britânica durante a guerra das Ilhas Malvinas em 1982. A Grã-Bretanha assumiu o controle do território após o conflito com a Argentina.

O que mostra a série 'The Crown'?

O carinho de Elizabeth com o filho Andrew é assunto na 4ª temporada de "The Crown". Durante o episódio 4, a rainha, interpretada por Olivia Colman, descobre que Margaret Thatcher favorece seu filho, Mark, em situações que envolvem a gêmea Carol.

Elizabeth se questiona sobre ter um filho favorito. Em um diálogo com Philip (Tobias Menzies), a monarca pergunta se cometeu erros por ser tão compreensiva no relacionamento com Andrew, o que a faz perceber sobre a própria preferência.

Afastamento da vida pública

Os primeiros sinais de afastamento de Elizabeth e Andrew surgiram em 2019, ano em ele abandonou as funções públicas dias após dar uma entrevista falando sobre a amizade com Jeffrey Epstein, preso após ser acusado de explorar menores sexualmente.

"Minha antiga associação com Jeffrey Epstein se tornou uma grande interrupção no trabalho da minha família", afirmou o então príncipe em comunicado oficial.

Quando tentou se defender em entrevista à BBC, Andrew deu negativas consideradas pouco convincentes, sem sinais de arrependimento e sem empatia pelas vítimas do amigo.

Segundo o Mirror, Elizabeth cancelou uma festa de aniversário preparada para celebrar os 60 anos do príncipe. A comemoração foi planejada para acontecer em fevereiro de 2020.

Abertura de processo e apoio financeiro

A norte-americana Virginia Giuffre denunciou o príncipe Andrew por abuso sexual em 2021. Segundo o processo, ela uma das vítimas dos crimes sexuais do empresário americano Jeffrey Epstein.

Giuffre afirma ter sido abusada por Andrew nas propriedades de Epstein em 2001, quando tinha 17 anos. As acusações foram negadas oficialmente pelo príncipe.

Jeffrey Epstein foi preso em julho de 2019, e no mês seguinte foi encontrado morto em sua cela.

Segundo a defesa de Andrew, em 2009, Giuffre assinou um acordo com Epstein que a proibia de processar o magnata ou "outros réus em potencial". O juiz avaliou que esse acordo é insuficiente para arquivar o processo contra Andrew.

Segundo o Daily Telegraph, a rainha apoiou o príncipe diante do processo chegou a desembolsar milhões de libras de seu próprio patrimônio para vários advogados que cobram até US$ 2.000 (R$ 11 mil) por hora.

Porém, o Mirror aponta que não existe uma ajuda financeira ao príncipe neste momento. O jornal aponta que Andrew colocou um chalé à venda por R$ 127 milhões pensando em arcar com os custos do processo.

Segundo publicação do jornal The Sun, a relação entre mãe e filho foi impactada pela polêmica. A publicação garante que Andrew não estará presente nas celebrações do jubileu de platina, que comemoram os 70 anos do reinado de Elizabeth.

Andrew pediu pelo arquivamento da denúncia por abuso sexual, o que foi negado pela Justiça norte-americana na última quarta-feira (12). A decisão antecedeu o comunicado que confirmou a perda dos títulos militares.