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'Não quero ferir ninguém', diz Gyselle Soares sobre viver escravizada negra

Gyselle Soares na pele da escrava Esperança Garcia - Instagram/Reprodução
Gyselle Soares na pele da escrava Esperança Garcia Imagem: Instagram/Reprodução

Daniel Palomares

De Splash, em São Paulo

10/11/2021 04h00

Gyselle Soares causou polêmica ao ser escolhida para interpretar a escravizada Esperança Garcia, reconhecida como primeira advogada do Piauí, na peça "Uma escrava chamada Esperança". Ativistas do movimento negro e outras pessoas nas redes sociais condenaram a escolha de uma atriz com a pele mais clara do que a verdadeira Esperança.

Em papo com Splash, Gyselle conta que refletiu sobre as críticas, mas que não tem intenção de ofender ninguém com seu personagem no espetáculo. Esperança se tornou conhecida ao escrever uma petição para o governador da capitania do Piauí em 1770, denunciando os abusos que sofria de seus senhores, incluindo agressões sem motivo e a separação dos filhos pequenos, direitos que eram garantidos aos escravizados.

A crítica é sempre bem vinda. É claro que quando fazemos um personagem, a gente não tem cor. Eu me considero negra. Mas não posso desrespeitar as opiniões de todos. Não passei por certos momentos e dificuldades que tantos passam.

Gyselle Soares

"Eu entendo a polêmica, mas a peça não fala de cores. Fala de inclusão, de todos nos amarmos, nos respeitarmos. Entendo perfeitamente essas críticas, não quero ferir ninguém. Me fizeram repensar. Se eu vejo que não é bacana, não seguirei", pontua Gyselle. A peça não voltou a ser reapresentada desde o último mês.

As críticas em torno da escolha de Gyselle para o papel se concentraram em torno do embranquecimento da personagem histórica. Isso acontece quando atores de pele mais clara ou brancos são escolhidos para representar figuras de etnias diferentes das suas. Mesmo em casos nos quais a atriz e a personagem são negras, pode existir a controvérsia. Zoe Saldana, atriz negra de pele clara, foi criticada por interpretar Nina Simone, cantora negra de pele escura, na cinebiografia "Nina" de 2016.

"Também sofri preconceito, todo dia quebramos barreiras, isso torna a gente mais forte. Venci mais diante dos meus fracassos do que nas vitórias", conclui Gyselle.