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'Skull: A Máscara do Anhangá' é o terror brasileiro queridinho dos gringos

"Skull: A Máscara do Anhangá" retrata uma entidade antiga da América Latina - Divulgação
'Skull: A Máscara do Anhangá' retrata uma entidade antiga da América Latina Imagem: Divulgação

Fernanda Talarico

De Splash, em São Paulo

08/11/2021 04h00

"Skull: A Máscara do Anhangá" é a prova que os filmes de terror brasileiros estão cada vez mais tomando o seu espaço no cenário audiovisual mundial. Já lançado em 10 países, como Estados Unidos e também no Reino Unido, o longa dirigido por Kapel Furman e Armando Fonseca ganhou diversos prêmios e foi nomeado para Melhores Efeitos Gore pelo prestigiado festival Fright Fest. No Brasil, ele chegou recentemente ao Amazon Prime Vídeo e promete um novo olhar à produção nacional do gênero.

Em entrevista a Splash, Fonseca explicou que um dos principais motivos do sucesso do filme internacional é se distanciar do que o público "gringo" está acostumado. Para ele, há um interesse muito maior nos mistérios da América Latina do que nos que já foram usados à exaustão, como exorcismos católicos e possessões sobrenaturais.

Senti que isso chama mais a atenção do que uma mitologia do eurocentrismo e do cristianismo existente na Europa. Criamos algo daqui, local, o que é o está sendo bastante assistido lá fora.

Em decorrência da pandemia do coronavírus, a estreia de "Skull: A Máscara do Anhangá" aconteceu primeiro fora do Brasil, onde os cinemas voltaram a funcionar antes. Desta maneira, a crítica internacional caiu nas graças do filme, que recebeu diversos elogios da mídia, como o caso do "The Guardian", que considerou a produção uma "masterclass de carnificina", e o "Gizmodo", que a chamou de "um prazer para os fãs de filmes Splatter [subgênero do terror focado em cenas violentas] ".

Natallia Rodrigues em 'Skull: A Máscara de Anhangá' - Divulgação - Divulgação
Natallia Rodrigues em 'Skull: A Máscara de Anhangá'
Imagem: Divulgação

A gente conseguiu chegar em muitas pessoas, principalmente lá fora. Passamos em diversos festivais, está sendo lançado um DVD nos Estados Unidos, e só agora chegamos ao Brasil. Com essa chancela internacional, conseguimos chamar a atenção, mas ainda dependemos um pouco desse parecer de fora, o que incomoda um pouco, mas com certeza essa situação vai melhorar com o tempo.

Para Armando Fonseca, o terror está realmente crescendo — em número de produções e em público — e, por isso, é o gênero certo para se investir no momento. "Um filme de terror chegou a ganhar o Oscar de Melhor Filme em 2018, o 'A Forma Da Água', e isso é um ótimo indicativo."

A Origem

"Skull: A Máscara do Anhangá" acompanha a investigação da policial Beatriz Obdias (Natallia Rodrigues) para descobrir o mistério por trás do desaparecimento de um artefato místico conhecido como "A Máscara de Anhangá". A relíquia possui o poder de encarnar Skull, uma entidade milenar capaz de promover rastros de terror e sangue por onde passa.

Em desenvolvimento desde 2013, a história do filme partiu de interações com Skull, produzidas para o "Cinelab", um programa de TV do Universal Channel que acompanha o desenvolvimento de produções de terror. Segundo Fonseca, a ideia inicial era, a partir do personagem, criar uma série de ficção.

Se você assiste ao filme, percebe que há vários personagens e várias histórias que podem ser mais exploradas, mas como tivemos um sinal verde para produzir um longa-metragem, tivemos que condensar tudo e contar apenas uma história.

Cena de 'Skull: A Máscara do Anhangá' - Divulgação - Divulgação
Cena de 'Skull: A Máscara do Anhangá'
Imagem: Divulgação

Efeitos Reais

Uma das marcas de "Skull: A Máscara do Anhangá" é a qualidade dos efeitos especiais e a quantidade de cenas de violência gráfica que eles proporcionam. O filme chama bastante a atenção por não ter medo de chocar, com cenas bastante gráficas, que não economizam no sangue e nas tripas — que parecem de verdade.

A produção dos efeitos especiais foi uma odisseia e foi desenvolvida pelo Kapel Furman, com quem eu divido a direção. Ele tem muita experiência e está há mais de 20 anos trabalhando com efeitos aqui no Brasil e já fez muita coisa. Já testávamos muita coisa por causa do Cinelab.

Para "Skull: A Máscara do Anhangá", o cineasta revela que utilizou principalmente um dos recursos mais disponíveis para eles: tempo. "Passamos muito tempo nos preparando, para sabermos exatamente o que executarmos. Não dá para perder tempo no set, é muito dinheiro envolvido, então precisávamos já executar."

Entre os diversos momentos de violência, o mais difícil de fazer foi um que acontece em uma balada, onde as pessoas estão fantasiadas e acontece um banho de sangue.

São umas sete mortes, e tivemos que gravar uma por uma, com efeitos especiais diferentes. Queríamos explorar bastante essa gama de possibilidades de efeitos que poderiam surgir desta balada. E foi muito corrido, pois era um tempo reduzido, mas aquela coisa: as cenas mais divertidas, são as mais difíceis de se fazer.

Sequências

Com uma recepção de 67% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes — site agregador de notas de filmes —, é impossível dizer que "Skull: A Máscara do Anhangá" já não seja um sucesso. Agora, com a chegada ao Brasil, é preciso aguardar para entender que o terror nacional também agradará ao público local.

E, para aqueles que gostaram das cenas de violência explícita, uma boa notícia: há uma intenção dos idealizadores de continuar a história de Skull.

Temos vontade de fazer continuações, tanto diretas, quanto mostrando o passado, o que acontecia com o artefato mítico na América do Sul.