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Fernanda Montenegro pretende reativar teatro da Academia: 'Meu espaço'

Fernanda Montenegro - Divulgação
Fernanda Montenegro Imagem: Divulgação

Colaboração para Splash, no Rio de Janeiro

05/11/2021 14h40

Fernanda Montenegro foi eleita para integrar a Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira 17 em substituição do diplomata Affonso Arinos de Mello Franco. A atriz, portanto, já se prepara para a sua chegada à instituição - não apenas com muita leitura e estudo, mas também com planos para o futuro, como reativar o teatro do local.

Em entrevista ao jornal O Globo, a veterana reflete sobre o motivo que a fez demorar tanto tempo para aceitar o convite para integrar a Academia. "Às vezes não passa pelo raciocínio. Há um emocional, um momento em que simplesmente bate. Não sei pôr em palavras. Talvez tenha sido o amor à vida? Esse desejo de permanecer numa sociedade de grande resistência cultural, que há 125 anos sobrevive a crises e crises. Agora que houve o decreto bruto do fim da cultura e das artes, acho que a Academia está à frente da resistência. Até pela sua capacidade de sobrevivência em um país que a toda hora começa tudo de novo", declara.

A artista também abre o coração para falar sobre o teatro da Academia e revela planos para uma reabertura. "Será que não aceitei entrar na Academia por causa daquele palco? É possível. Ali tem um palco muito fechado, muito resguardado para as necessidades da Academia. Eu acho perfeito. Eu tenho na minha cabeça muitas possibilidades de pôr vida naquele palco, não a serviço da Academia, mas de uma possível plateia. Talvez eu tenha achado aí o meu espaço, não como escritora, mas como atriz", comenta.

Preconceito

Na entrevista, Montenegro refere-se a si mesma como 'apenas uma atriz' e explica que a classe ainda sofre preconceito intelectual. "Eu juro que Homero deve ter sido ator. Os diálogos da 'Ilíada' são arrebatadores. Shakespeare foi ator. E partiu para tudo aquilo que criou como ator. Molière foi ator. O ator faz a criação na pele. Mas ainda é uma profissão que sofre preconceito, até do ponto de vista intelectual. 'Ator é burro', 'ator não pensa, ator fala'... Você pode ser um mau escritor que não tem importância. Mas você não pode ser um mau ator porque senão você não existe. Publicamente você não pode propor outros caminhos. Ou você é ou não é. Não há subterfúgios", aponta.