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Vice-Miss SP que denunciou racismo pede à Justiça cancelamento do concurso

Ieda Favo denunciou racismo em concurso estadual do Miss Brasil - Reprodução/Instagram
Ieda Favo denunciou racismo em concurso estadual do Miss Brasil Imagem: Reprodução/Instagram

Ane Cristina e Pedro Ezequiel

De Splash, em São Paulo

28/10/2021 11h52Atualizada em 28/10/2021 15h54

A modelo e vice-Miss São Paulo 2021, Ieda Favo, 26, entrou com um processo contra a organização do Miss Universo Brasil após denunciar racismo no concurso estadual feito em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.

No início do mês, Ieda falou nas redes sociais sobre o racismo sofrido por ela durante a competição de beleza. As violências iam desde o tratamento ríspido, pedidos para ela ficar atrás nas fotos, atrasos na entrega dos produtos específicos para seu cabelo até um puxão feito por um coreógrafo.

Já na final, ao lado da Miss Jaú e Miss Ribeirão Preto, Ieda foi a única que teve uma pergunta feita de última hora.

Ieda pede a anulação do concurso na etapa estadual que seleciona a representante para a competição nacional. O processo tramita na 5ª Vara Cível do Foro de Guarulhos com o juiz Artur Pessôa De Melo Morais.

A assessoria da modelo informou Splash que está "solicitando, dentre outras coisas, o cancelamento do concurso Miss Estado de São Paulo" e que "já foi aberto o processo junto a Secretaria de Justiça do Estado de São Paulo, assim como o inquérito policial em Ribeirão Preto".

Ieda chegou a registrar um boletim de ocorrência na DECRADI (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância). Na época, a jovem disse que optou por formalizar a denúncia para que outras pessoas não passem pelo mesmo que ela.

Além de Miss Guarulhos, eu dou palestra de vendas, treino as meninas que querem entrar no mundo da moda, dou todo esse suporte. Eu imaginei qualquer uma dessas meninas que eu oriento passando pelo tipo de situação que eu passei. Para cortar isso pela raiz, eu pensei, vou relatar [o que houve] para que as pessoas saibam. Ieda Favo

Procurada via assessoria de imprensa, a organização do Miss Brasil afirmou que, quando soube do ocorrido no evento de São Paulo, pediu uma investigação.

Tem uma investigação em curso, ainda acontecendo, mas não foi apurado nenhum caso de racismo. Pedimos imagens, estão sendo decupadas. A investigação ainda está em curso e conta com uma pessoa designada do Miss Brasil. A organização do Miss Brasil é contra qualquer tipo de preconceito e, até o momento, não foi comprovado que ela tenha sofrido. Recebemos com muita surpresa [a notícia do processo] e não fomos notificados. Ela não procurou conversar com o Miss Brasil, estamos abertos a todos os esclarecimentos. diz o comunicado

O representante licenciado do concurso no estado de São Paulo, Eder Ignacio, não retornou aos questionamentos feitos por Splash.