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'Magali Dançarina' vira cantora gospel e revela mágoa com Mauricio de Sousa

'Magali dançarina' viralizou há 10 anos e diz que quase fechou contrato com "Fantástico" Imagem: Reprodução/Youtube

Jean Sfakianakis

Colaboração para Splash, em São Paulo

20/09/2021 12h12Atualizada em 24/09/2021 09h18

Em uma época em que o Facebook começava a se tornar popular e os memes não viralizavam na mesma velocidade que hoje, uma artista de Fortaleza fez sucesso como a "Magali Dançarina". Era 2011 e, nas ruas de Xerém, em Duque de Caxias (RJ), Tassia Gomes, hoje com 36 anos, foi filmada em uma performance inusitada, que chamou atenção até de Mauricio de Sousa - mas não como ela gostaria.

Tassia dançava em frente a um comércio, que pagava de R$ 10 a R$ 80 para ela passar o dia chamando a atenção de transeuntes e distribuindo panfletos. Bastou um vídeo ser compartilhado nas redes, para que o número chamasse a atenção em todo o país. "Sem querer", ela acumulou milhões de visualizações.

A popularidade, segundo ela, a teria feito receber propostas para um quadro de entrevistas no "Fantástico", para ir ao "Programa da Eliana" e à MTV. Mas, após um pronunciamento do próprio Mauricio de Sousa, criador da Turma da Mônica, as coisas começaram a mudar.

À época, Mauricio de Sousa usou o Twitter para comentar as imagens. "Vi a Magaly (com y, como aparece no YouTube) dançando no Largo da Carioca. Vi ali uma jovem empreendedora e talentosa, passando uma mensagem alegre, curiosa, em momentos de dança caricata. Mas vi, também, os traços de um personagem meu sendo utilizado indevidamente numa propaganda de rua", disse.

O cartunista, dono da marca Turma da Mônica e todos os seus personagens, foi além: "E vi um desrespeito aos profissionais que trabalham na nossa divisão de teatro, bailarinos que são preparados durante meses e orientados durante anos para que se comportem como os personagens dos sonhos das crianças".

Tassia diz que houve conversas com a empresa e diz que aguardou um chamado para trabalhar com a Mauricio de Sousa Produções, mas admite que a posição da empresa com seu trabalho a entristeceu:

Se eu te disser que não tenho mágoa com o Mauricio vou estar mentindo, eu passei a minha infância toda curtindo a Turma da Mônica, e não tive culpa em usar a roupa da Magali, estava apenas trabalhando".

Segundo ela, o fato foi determinante para tirar da mesa qualquer projeto na TV. "A Globo me chamou no Jardim Botânico e convidou para fazer entrevistas como Magali em todo o Brasil. No dia seguinte, ligaram dizendo que não seria mais possível", conta.

Em contato com o UOL, a Mauricio de Sousa Produções afirmou que levou Tassiana "para São Paulo, na época, para uma conversa com o Mauricio e houve inclusive o convite para que ela fizesse estágio no grupo de atores para se profissionalizar e fazer parte do grupo, caso se adaptasse. Na ocasião ela nos falou que não queria se mudar para São Paulo e não houve como esse nosso convite se realizar."

Tassia afirma que ficou três meses em São Paulo, mas que não foi chamada e que, depois disso, voltou a morar no Rio.

Depressão

Tassia já vivia em um quadro de depressão desde uma fase morando em São Paulo, aos 19 anos. "Vim para São Paulo procurar novas oportunidades, mas não encontrava nada", revela.

"Fiquei muito alegre quando começaram a compartilhar o vídeo, me chamavam para os programas oferecendo R$ 1 mil, era demais!", diz a cearense, que entrou em um quadro de "depressão profunda" após não conseguir ir à frente com seus projetos.

"Cheguei a pesar 35 kg, não tinha vontade de levantar da cama, não queria fazer nada", desabafa.

Novo momento

Somente com a ajuda de alguns analistas na igreja, e depois de muitos anos, Tassia passou a se considerar curada da depressão, mesmo que ainda diga não estar 100% recuperada.

"Hoje, acho que não entraria no mesmo processo. Vi algumas portas se fechando e nem por isso me abalei, vou continuar tentando", revela a moradora de Xerém e mãe de uma menina de 3 anos.

Agora estudante de psicologia, Tassia quer atuar na área para ajudar outras pessoas, enquanto também aposta na carreira de cantora gospel, buscando por oportunidades de apresentação em igrejas.

Hoje sem a fantasia de Magali, ela compartilha o desejo de, um dia, conseguir conversar com Mauricio de Sousa e conta o que gostaria de dizer ao autor: "Não foi desrespeito usar a fantasia, usar a Magali, eu não queria roubar nada de ninguém".

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