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Por onde anda Rodney Dy, revelado há 20 anos por Mion com o Funk da Pamonha

Rodney Dy com Marcos Mion no "Piores Clipes do Mundo", da MTV, em 2001, e atualmente em seu trabalho como Elvis funkeiro - Reprodução/YouTube/Instagram/@rodneydy
Rodney Dy com Marcos Mion no "Piores Clipes do Mundo", da MTV, em 2001, e atualmente em seu trabalho como Elvis funkeiro Imagem: Reprodução/YouTube/Instagram/@rodneydy

Renata Nogueira

De Splash, em São Paulo

17/09/2021 04h00

Quem assistia à MTV no começo dos anos 2000 deve se lembrar de Rodney Dy. O cantor revelado por Marcos Mion em 2001 no "Piores Clipes do Mundo" se orgulha de ter conquistado o título de pior clipe do programa com seu "Funk da Pamonha". Afinal, era essa a intenção.

"Eu comecei a fazer o clipe em 1999 e parei porque achei muito ruim. Tinha só um minuto e meio de imagem. Quando o 'Piores Clipes' começou a atingir picos de audiência, meu cunhado deu a ideia de mandar o clipe. Peguei um amigo que trabalhava em produção de TV e fizemos o resto. O clipe ficou com três minutos e mandamos exclusivamente para o programa", relembra o artista em entrevista à Splash, 20 anos depois.

O clipe de Rodney Dy foi gravado em estúdio e também com algumas externas em cenários conhecidos de Santos (SP), como a praia do Gonzaga e a pista de skate da Praça Palmares, no Canal 4.

Em uma época pré-YouTube, Rodney Dy conseguiu o feito de levar o clipe da Baixada Santista para a MTV, em São Paulo, da forma mais arcaica. Batendo na porta de um famoso estúdio e entregando uma fita Betacam. Ele admite que também contou com a sorte. "Fui atrás do falecido Miranda, que na época era diretor da gravadora Trama", relembra sobre o produtor que morreu em 2018 e ajudou a revelar artistas como Skank e Raimundos.

"Cheguei lá no momento certo. Veja como é o destino. O divulgador tinha acabado de sair para a MTV. Era véspera de um feriado. Quando eu já estava me despedindo, o cara volta porque tinha esquecido uma chave. Aí, ele levou o clipe."

Segundo Rodney Dy, a MTV já tinha 15 dias de material gravado para o "Piores Clipes". Porém, quando viram o clipe do "Funk da Pamonha", passaram o material na frente de toda a programação. "Exibiram em uma terça-feira à noite. No dia seguinte fui à padaria e todo mundo já estava olhando para mim e rindo. No centro, todo mundo me olhava também."

A fama havia chegado.

O auge

Depois de ser lançado no "Piores Clipes do Mundo", Rodney Dy fez amizade com Marcos Mion e com toda a equipe e produção do programa da MTV. Ele ainda participou dos programas do apresentador na Band e na Record. Mas já não encontra o amigo há um bom tempo.

"Não vejo o Mion pessoalmente desde 2011. A última vez que o vi foi quando fez dez anos do clipe e eles me chamaram lá na Record", relembra. "E agora faz exatamente 20 anos. Olha só que coincidência. Estou sentindo que vou encontrá-lo novamente. Ele é maravilhoso."

A voz do povo...

Recém-contratado da Globo, Marcos Mion está em evidência e até recriou o quadro de análise de clipes no "Caldeirão", que ele apresenta até dezembro. Rodney Dy confessa que gostaria de participar do programa.

"Estou ansioso, esperando alguém me ligar. O Marcos Mion é aquilo tudo mesmo, já teve várias fases. Já foi garoto rebelde, hoje é um pai. E sempre teve uma visão além do alcance. Fora que ele é um cara engraçado pra caramba", diz sobre o apresentador que o revelou.

"Fiquei muito feliz [com a ida dele para a Globo]. Já era a hora. Se você rever o 'Piores Clipes' ele até fala: 'Já perdemos uma cria para a Globo, o Supla. Agora vai o Rodney Dy?' Porque na época me chamaram para participar do programa da Xuxa. A Ana Maria Braga também usava o 'Funk da Pamonha' quando fazia receitas de festa junina."

O espaço aberto por Marcos Mion para Rodney Dy ainda trouxe muitos shows e possibilidades de viagens para o artista de Santos que, até então, trabalhava como locutor de vendas em um supermercado da região.

Ele recorda quando foi para a Bahia com Marcos Mion, já na Band, e Ivete Sangalo parou o trio para saudá-los. "Ele me tirou de dentro do supermercado e comecei a viajar para vários lugares", conta.

De pamonha a Elvis Presley

Atualmente, Rodney Dy se divide entre a Baixada Santista, no litoral de São Paulo, e Florianópolis (SC), onde tem família. E faz seus trabalhos de locução por todo o país, onde for chamado.

Ele divulga lojas, farmácias, restaurantes e todo tipo de comércio criando paródias musicais baseado em hits do momento, como foi o caso do "Funk da Pamonha", uma adaptação de "Cerol na Mão", do Bonde do Tigrão, funk que fazia sucesso na época.

Para chamar ainda mais atenção dos clientes e atraí-los, Rodney se veste de Elvis Presley e transforma até mesmo as canções do rei do rock em funk. "Se você prestar atenção, todas as músicas do Elvis encaixam na batida do funk. É o mesmo ritmo."

No dia em que conversou com Splash, Rodney Dy tinha feito animação em dois restaurantes e revelou um trecho de uma das paródias que criou, baseado no funk "Na Raba Toma Tapão", de MC Niack, funkeiro que ainda nem tinha nascido quando ele estourou com o "Funk da Pamonha".

Tem linguicinha na brasa, maionese tá no esquema, o rondelli e as massas por aqui não é problema. Você faz um prato enorme e paga um preço muito bom. Agora se prepara vem fazer o seu pratão. Paródia de Rodney Dy para "Na Raba Toma Tapão"

Retomada

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Rodney Dy atua como Elvis no comércio de rua de São Vicente (SP)
Imagem: Reprodução/Instagram/@rodneydy

Mas será que deu para fazer um pé de meia com o sucesso do "Funk da Pamonha"? Aos 50 anos, completados hoje, Rodney Dy ainda não pode se dar ao luxo de se aposentar.

"Ganhei um bom dinheiro, mas não tanto quanto ganharia hoje. Na época nem existia YouTube, nem redes sociais. Tinha que esperar passar na televisão. Eu aproveitei o boom dos shows, mas foi tudo muito rápido", comenta o artista.

Fui uma celebridade relâmpago, como vários que passaram. Te chamam para tudo, mas seis meses depois não te chamam nem para um velório. Rodney Dy

O cantor e locutor ainda relembrou que, há 20 anos, o funk não tinha a mesma aceitação que hoje. O ritmo era mais popular no Rio de Janeiro, e, nacionalmente, apenas uma música de funk costumava estourar por ano.

"Hoje eu canto funk em restaurantes, em comércios... Naquela época não era assim. Ainda hoje em dia às vezes tem rejeição. Eu estava cantando funk vestido de Elvis e um senhor comentou que o Elvis devia estar de bruços no caixão ouvindo aquilo. Era um saudosista."

Atualmente, Rodney Dy tem vontade de investir mais em redes sociais para mostrar suas criações. "Se eu tivesse estourado hoje em dia ficava milionário. Igual essa molecadinha que faz uma música e começa a fazer show em qualquer canto, monetizar YouTube, redes sociais."

O cantor revelado por Marcos Mion está no Instagram, no Facebook e no TikTok. Por enquanto, a rede das dancinhas virais foi a que mais deu certo. "O que bombou mais foi mesmo o TikTok, consegui 1,5 milhão de acessos em uma madrugada. Logo logo terei mais novidades", promete.

Horas depois da entrevista, Rodney Dy criou seu canal oficial no YouTube e disponibilizou o clipe do "Funk da Pamonha" em uma qualidade melhor do que as que já tinham na rede de vídeos, frutos de gravações de fãs do programa na época. O cantor promete ainda divulgar por lá suas outras criações, como o "Funk do Churros", "Espetinho da Guria" e o "Funk do Orkut".

Para Marcos Mion, ele só tem mais um pedido. Rodney Dy quer conhecer Romeo, o filho mais velho do apresentador. "Quero muito conhecer o Romeozão. Acompanho aquele trabalho maravilhoso na internet que ele faz. Abriu as portas da casa dele com aqueles filhos maravilhosos que ele tem."