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Secretário de Cultura de São Paulo rebate Mário Frias: 'Despreza a arte'

Sérgio Sá Leitão é o secretário estadual da Cultura em São Paulo - Ricardo Borges/Folhapress
Sérgio Sá Leitão é o secretário estadual da Cultura em São Paulo Imagem: Ricardo Borges/Folhapress

Guilherme Lúcio da Rocha e Luiza Missi

De Splash, em São Paulo

29/07/2021 11h48Atualizada em 29/07/2021 12h26

Sérgio Sá Leitão, secretário estadual da Cultura em São Paulo, rebateu as críticas que recebeu de Mário Frias, secretário especial de Cultura do governo do presidente e Jair Bolsonaro (sem partido). Ele também critica o novo decreto que altera a Lei Rouanet e diz que o governo pretende recorrer à Justiça:

"Esse novo decreto é um decreto eivado de irregularidades, fere a constituição, então estamos confiantes de que a Justiça com o tempo se pronunciará e com o tempo encerra esse pesadelo — mais um pesadelo do governo Bolsonaro."

Em relação às mudanças, isso representa mais um ataque a cultura. É um governo que despreza a a arte, a ciência, a democracia e a vida. Mas isso vai passar. Sérgio Sá Leitão, secretário da Cultura em São Paulo

A Lei Rouanet é responsável por incentivar o desenvolvimento de projetos culturais no país capitalizando e distribuindo recursos para o setor cultural. No entanto, a gestão de Frias já recusou projetos por motivos ideológicos — foi o caso do Festival de Jazz do Capão, na Chapada Diamantina, recusado por se denominar "antifascista e pela democracia". No fim, o escritor Paulo Coelho se dispôs a cobrir os custos do evento.

Neste mês, Mário Frias foi criticado nas redes sociais após fazer uma postagem racista, dizendo que o historiador negro Jones Manoel "precisa de um bom banho". Ele foi chamado de "figura medíocre em posição de poder" por Emicida, e fez referência à Lei Rouanet ao responder a fala do rapper: "Falar, meus caros, até papagaio fala. Se bem que, esse está mais pra realejo, porque, antes de falar, tem que depositar a moedinha".

Sérgio Sá Leitão também comentou as postagens de Mário Frias sobre uso do gênero neutro ("todes") em postagem do Museu da Língua Portuguesa:

Nós estamos falando de algo que é muito maior do que isso, um museu para posteridade. Isso será esquecido e o museu ficará e será abraçado. Aqui estamos fazendo política cultural para posteridade e estamos construindo, realizando.

O pronome neutro é usado para se referir às pessoas não-binárias — que não se identificam com os dois gêneros — e é mais inclusivo com a linguagem, já que o português costumava utilizar apenas artigos e pronomes masculinos e femininos.

Para Mário Frias, o uso da linguagem sem flexão de gênero é "brincar de revolução" e fazer "piruetas ideológicas", "vandalizando nossa cultura":