PUBLICIDADE
Topo

SP quer eventos com público para o fim do ano; organizadores estão incertos

O CCXP em sua última versão presencial, em 2019 - Mariana Pekin/UOL
O CCXP em sua última versão presencial, em 2019 Imagem: Mariana Pekin/UOL

Gabriel Nanbu

De Splash, em Santos

26/07/2021 04h00

Todos querem sair de casa para tirar a poeira e ver gente. Com o calendário de vacinação em dia, o Governo de São Paulo tem planos otimistas para a retomada da realização de eventos com público — como shows em estádio e festas — até o fim do ano. Produtores de eventos, porém, mantêm cautela e evitam anunciar projetos por enquanto.

A secretária de Desenvolvimento Econômico do Estado, Patrícia Ellen, anunciou há duas semanas — ao lado do governador João Dória — a realização de 30 "eventos-modelo" a partir de agosto.

Todos da iniciativa privada, eles devem servir de exemplo de protocolos de segurança contra a covid-19.

Os eventos incluem o GP de Fórmula 1 de São Paulo em novembro e, no campo das artes e do entretenimento, quatro shows no estádio Allianz Park, a exposição de artes plásticas SP — Arte, um show com orquestra (com local a definir), a feira de cultura geek Comic Con Experience (CCXP) e nove festas noturnas (de música eletrônica, sertanejo, funk e pop rock).

Slide de apresentação da programação de eventos-modelo do governo - Reprodução - Reprodução
Slide de apresentação da programação de eventos-modelo do governo
Imagem: Reprodução

Patrícia explica, em conversa com Splash:

A ideia é apoiar bons exemplos e mostrar à população que é possivel fazer eventos desde que respeitem protocolos. Esses eventos-modelo terão o acompanhamento do governo e servirão de molde para eventos futuros.

De acordo com o plano, os organizadores serão responsáveis pela estrutura para atender aos protocolos de segurança contra a covid-19: controle de comprovantes de vacinação, controle de uso de máscara, testagem rápida dos participantes e monitoramento pós-evento dos participantes.

O governo estadual oferecerá consultoria sobre protocolos pré-evento e, caso os organizadores necessitem, ferramentas de vigilância da Secretaria de Saúde.

Patrícia Ellen, secretária de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo - Reprodução/Twitter - Reprodução/Twitter
Patrícia Ellen, secretária de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo
Imagem: Reprodução/Twitter

"Nos próximos dias, realizaremos um chamamento público oficial para que associações sugiram outros potenciais eventos-modelo. A gente terá até dez eventos nessa categoria por mês, para que consigamos acompanhar e dar visibilidade a eles", diz Patrícia.

A secretária afirma ainda que o governo deve levar ao ar, a partir de agosto, uma ferramenta online em que eventos e estabelecimentos poderão se autodeclarar cumpridores das regras de segurança contra a covid-19, e frequentadores poderão avaliá-los.

Incerteza

Apesar do otimismo oficial, alguns dos 30 eventos-modelo previstos para o segundo semestre não confirmam sequer que serão realizados.

Pierre Mantovani, CEO da CCXP, prevista para 15 a 20 de dezembro, diz que nada está definido.

A segurança de toda a comunidade CCXP é nossa prioridade. Estamos acompanhando os dados da vacinação. Só faremos alguma coisa física quando estivermos certos de que a imunização está acontecendo de maneira eficiente no Brasil e que os protocolos e ações de segurança sanitária realmente têm funcionado em eventos físicos.

Da mesma forma, a feira de arte SP — Arte, programada para 20 a 24 de outubro outubro, ainda não tem definições sobre protocolos, de acordo com sua assessoria de imprensa, e pretende ter um alinhamento mais fino em agosto, com possíveis novas definições do governo para a pandemia.

Dois shows estão programados para os próximos meses no Allianz Parque: Kiss, em 16 de outubro, e Michael Bublé, em 7 de novembro.

Procuradas pela reportagem, nenhuma de suas respectivas produtoras, Mercury Concerts e Move Concerts, confirmaram a Splash a realização dos eventos, tampouco disseram como serão realizados os protocolos de segurança.

Réveillon e Carnaval

Se eventos fechados com limitação no número de participantes são incertos, grandes festas públicas, como o Réveillon, o aniversário de São Paulo e o Carnaval, nem estão no horizonte do governo, segundo Patrícia Ellen.

É cedo para falar sobre grandes eventos sem controle de público. Eles não estão sendo considerados.

Adaptações e precaução

Alguns eventos, fora da lista inicial de modelos do governo estadual, por sua vez, apostam na flexibilidade e em adaptações criativas para acontecerem.

Depois de sua primeira edição, em 2020, o Natal no Parque Ibirapuera volta em dezembro deste ano com duas possibilidades de configuração: uma que prevê protocolos de segurança mais brandas no Estado e outra que prevê a impossibilidade ainda de público aglomerado.

"A gente transformou o projeto de evento de Natal em um projeto de decoração, sem 'grandes momentos', como o de acender as luzes, para evitar aglomerações. Os momentos de apresentação cultural podem ou não acontecer, dependendo das condições sanitárias", explica Samuel Lloyd, diretor comercial da Urbia, empresa que administra o parque.

Estão previstos, para a decoração, um show de luzes e sons no lago, instalações que remetem à fauna e à flora brasileira, projeções, laser e iluminação especial. Caso o protocolo permita, haverá apresentações como o balé Quebra-Nozes.

A sétima edição do Cine Vista tem cabines especiais para cumprir os protocolos de distanciamento social - Nicolas Calligareo - Nicolas Calligareo
A sétima edição do Cine Vista tem cabines especiais para cumprir os protocolos de distanciamento social
Imagem: Nicolas Calligareo

O Cine Vista, no shopping JK Iguatemi, na capital paulista, é outro exemplo de evento que se adaptou à realidade do coronavírus. O evento, que realiza até 8 de agosto sua sétima edição, tem como premissa ser uma experiência de cinema e gastronomia a céu aberto.

Sem ter realizado uma edição em 2020, em razão da pandemia, o evento voltou este ano com cápsulas de cinema adaptadas aos protocolos de segurança, em que apenas pessoas que se conhecem e compraram ingresso juntas podem participar na mesma cabine.

"O projeto demorou seis meses para ser desenvolvido e está sujeito à mudança caso tenha alteração nos decretos municipais e estaduais. Estamos seguindo todas as recomendações das autoridades", diz Juliana Oranges Placidi, gerente de marketing do Shopping.