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Gabriel, o Pensador grava clipe em cemitério de MG; moradores protestam

Gabriel, o Pensador postou nas redes sociais imagens das gravações em um cemitério de Uberlândia (MG) - Reprodução/Instagram
Gabriel, o Pensador postou nas redes sociais imagens das gravações em um cemitério de Uberlândia (MG) Imagem: Reprodução/Instagram

Luiza Missi

De Splash, em São Paulo

16/07/2021 16h46Atualizada em 16/07/2021 17h41

Moradores de Uberlândia (MG) recorreram às redes sociais para protestar contra a gravação de um clipe de Gabriel, o Pensador num cemitério da cidade.

Os moradores incomodados consideram as filmagens no Cemitério Parque dos Buritis um "desrespeito" com os familiares das pessoas lá enterradas. O artista, por outro lado, diz que o trabalho foi feito "com seriedade e amor".

Juliana Lessa, moradora da cidade, fez uma postagem no Instagram questionando a escolha do cemitério como cenário: "Quando escolhemos o cemitério para sepultar e cremar nossos entes, não imaginávamos tamanho desrespeito que teriam com as famílias que perderam seus entes e que estão sepultados no estabelecimento que se intitula como 'cemitério'".

Ela compartilhou a foto de um ofício enviado por um vereador da cidade à Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Serviços Urbanos questionando se houve autorização do Poder Público para a realização das filmagens.

O cemitério em questão é administrado por uma empresa privada — mas a lei municipal determina que "os cemitérios, sejam públicos ou particulares, constituirão parques de utilidade pública e serão reservados e respeitados aos fins que se destinam".

A Splash, o vereador Antônio Augusto "Queijinho" (Cidadania) afirma que a Prefeitura respondeu seu ofício informando que não tinha conhecimento da gravação do clipe: "Na verdade, lá é um cemitério público com administração particular. Ao nosso ver, e acredito que ao ver da administração pública, não poderia ser feito esse clipe. Tanto que eles já foram notificados pelo poder público", argumenta.

A música de Gabriel, o Pensador se chama "Patriota Comunista" e será lançada com clipe na próxima quarta-feira (21). Procurado por Splash, o artista afirma ter ouvido falar de uma "rixa" entre Juliana e os donos do cemitério, e diz acreditar que ela tem "segundas intenções" em sua reclamação. Ele acrescenta:

Perdi minha avó para a covid e a música, entre outros assuntos, fala justamente sobre a importância do respeito à vida e o absurdo da banalização da morte. Quem assistir o clipe, vai se emocionar. Gravei cenas de "Tô feliz (matei o presidente) 2" também em um cemitério e nem por isso veio gente hipócrita querendo views em cima disso. Um dos câmeras perdeu seu avô durante a filmagem e ele foi velado lá. Estávamos trabalhando com seriedade e amor. Gabriel, o Pensador

A Splash, Juliana nega as acusações e diz que sequer conhece os donos do cemitério: "Não tenho problema nenhum, tanto que meus pais foram enterrados lá".

Nos comentários da publicação de Juliana, outros moradores concordaram com seu ponto de vista: "Temos que entender que alguns lugares são sagrados, este é meu ponto de vista, e devemos respeitá-los! Uma lástima um cemitério em tempos de pandemia servir de locação para um clipe", comentou uma seguidora.

Alguns defenderam a gravação do clipe no cemitério: "Nossa, vi com outro olhar... Não acho desrespeito de forma alguma. Desrespeito é a forma que a população é tratada pelos políticos desse país. Foi uma locação de um trabalho sério... Não é porque é arte, música que deixa de ser sério... Enfim, com todo respeito a sua opinião, eu penso bem diferente", escreveu uma moradora.

Outro usuário da rede social concordou com a indignação, mas ressaltou: "Respeito e concordo com toda a forma das manifestações aqui feitas, porém lembro que o referido local infelizmente trata se de local privado/particular, que inclusive comercializa os espaços, a gestão pública apenas faz a concessão para a atividade fim".

Splash procurou a administração do Cemitério e Crematório Parque dos Buritis e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Serviços Urbanos de Uberlândia, e aguarda resposta.

Confira a nota completa enviada por Gabriel, o Pensador:

Na verdade, eu soube que há uma rixa entre a mulher que criticou e os donos do cemitério, que autorizaram as filmagens. Perdi minha avó para a Covid e a música, entre outros assuntos, fala justamente sobre a importância do respeito à vida e o absurdo da banalização da morte. Quem assistir o clipe, vai se emocionar. Gravei cenas de Tô feliz (matei o presidente) 2 também em um cemitério e nem por isso veio gente hipócrita querendo views em cima disso. Um dos câmeras perdeu seu avô durante a filmagem e ele foi velado lá. Estávamos trabalhando com seriedade e amor. É bom lembrarmos que é muito comum pessoas ligadas à política inventarem polêmicas com segundas intenções, como parece ser o caso. A letra de Patriota Comunista já alerta:

"Não quero enterrar a esperança em que em tempos de tantos enterros o homem ainda enxergue a aberração da arrogância
e agarre esse chance de achar uma mudança de rumo atitude e conduta
mas fica difícil encontrarmos caminhos mais justos se todos nós somos tão filhos da p*
fazendo de tudo pra levar vantagem em tudo
achando normal o absurdo
pagando de louco de cego e de surdo apenas quando nos convém"

E para concluir, cito mais duas frases da letra:

"Se eu pude aprender pela voz dos poetas não posso aceitar a censura
Se os meus professores abriram minha mente a cura tá na educação e na cultura"