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'Meu sonho é ter Mano Brown no Poesia Acústica', diz idealizador do projeto

Mano Brown se apresentando no Rock In Rio
Mano Brown se apresentando no Rock In Rio
ADRIANO VIZONI

Guilherme Lucio da Rocha

De Splash, em São Paulo

11/07/2021 04h00

Com uma legião de fãs pelo Brasil, o projeto "Poesia Acústica", que reúne artistas do rap e funk para uma música "improvisada", tem uma receita para o sucesso que cativa:

A união de grandes nomes dos dois ritmos, fazendo composições únicas, mas com apego aos seus clássicos.

Na sua 11ª edição, o elenco do "Poesia" foi composto por L7NNON, CHRIS, Ryan SP, Lourena, Xamã, Azzy, Mc Poze, Cynthia Luz. O lançamento figurou entre os assuntos mais comentados no Twitter e está no Top 20 das músicas mais ouvidas do país no Spotify.

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Divulgação - Divulgação
Paulo Alvarez, dono do selo Pineapple e produtor-executivo do "Poesia Acústica"
Imagem: Divulgação

Mas Paulo Alvarez, dono do selo Pineapple e produtor-executivo do "Poesia Acústica", quer mais. Sua meta é ter a presença de Mano Brown, integrante do Racionais MCs e grande ícone do rap nacional, integrando o seu maior projeto.

Se tem algum artista que eu quero ver no Poesia Acústica? O Mano Brown. Esse é meu sonho. Sou muito fã. Ainda não fiz o convite, mas fica aí a dica [risos].
Paulo Alvarez

Já imaginou Mano Brown no Poesia Acústica?

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Mesma fórmula, mais mulheres

O convite a Mano Brown ainda é algo para o futuro. No entanto, mesmo sem revelar os próximos nomes, Paulo garante que o "Poesia Acústico 12" vai sair num piscar de olhos.

Ele explicou que a ideia do "Poesia" nasceu numa sessão de estúdio. Com a presença de vários amigos rappers, o empresário sugeriu a ideia de uma reunião para produção de um rap, mas de forma acústica.

O primeiro projeto saiu com três participantes, hoje a média é de sete artistas.

A curadoria é de sua responsabilidade. Já passaram pelo "Poesia Acústica" nomes como: MV Bill, Ludmilla, Djonga, Negra Li, MC Cabelinho e outros tantos.

Perguntado sobre expandir horizontes e chamar artistas de outros ritmos, Paulo se mostrou um pouco reticente.

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O Poesia tem abertura para uma pegada mais próxima do samba, do reggae, como já aconteceu em outras edições. Sobre os convidados de outros ritmos, quem sabe num futuro. Temos que priorizar o rap, incluindo o funk também. São ritmos irmãos, criados por pessoas negras e periféricas.

Mas a fórmula vem se moldando com os novos tempos também.

Algo que virou motivo de discussão recente foi a falta de mulheres no projeto. Paulo fez um mea culpa e disse que a falta de presença feminina foi algo que sempre o incomodou. Mas que agora ele já decidiu:

Todo "Poesia Acústica" contará com, no mínimo, três mulheres no elenco.

O rap é machista e dominado por homens, essa falta era algo que pensava antes do debate da internet. Isso é algo que já está feito e vai rolar em todos.
Paulo Alvarez

Mas se hoje é quase uma unanimidade, o começo do projeto era bem diferente. Os chamados "guardinhas do rap", os fãs mais saudosistas de um passado mais clássico do ritmo, criticavam bastante o rap acústico e seus derivados.

O "ódio" era tão grande que virou até tema de um dos "Poesia".

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Também já fui um 'guardinha' (risos). Tudo que tem sucesso, tem hate. Eu sempre levei de boa as críticas, faz parte. O 'Poesia' não é algo passageiro e a prova está na sequência.
Paulo Alvarez

Quem é esse mano?

Paulo é nascido e criado na Zona Oeste do Rio e um apaixonado por rap desde moleque. Mas a coisa começou a ficar mais séria quando ele criou a marca Pineapple (abacaxi, em tradução literal), em 2015.

Inicialmente, sua ideia era vender roupas para o público do hip-hop.

Eu enchia o saco de MCs, DJs, produtores e fãs no chat do Facebook. Pedia para curtir a página, comprar as roupas. A galera foi gostando o negócio foi crescendo.

Formado em Direito e Jornalismo, em 2016 ele decidiu pedir demissão do emprego para viver apenas de rap. A marca de roupa acabou virando um selo musical com projetos como "Poetas No Topo" (que acabou dando origem ao "Poesia Acústica") e o "Perfil", que é uma espécie de xodó do empresário.

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O 'Perfil' dá oportunidade para beatmakers e MCs, da nova e da velha geração. Eles têm a oportunidade de fazer um som exclusivo, de se 'apresentar' para o público.
Paulo Alvarez

Por exemplo: foi na música do projeto "Perfil" que o rapper Djonga lançou a célebre frase "Fogo Nos Racistas". Você já deve ter esbarrado com ela por aí, pois o termo virou referência desde tatuagens até estampas de camisetas.

Com o sucesso dos projetos, ele acredita que a Pineapple se tornou referência e um das principais marcas da cultura hip-hop. O hate dos "guardinhas do rap", aqueles fãs do saudosismo que se apegam a um passado ideal, é só um detalhe.

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Eu só quero somar. Sei do meu papel para cultura. E a Pineapple é um dos pilares da nova geração do hip-hop".
Paulo Alvarez