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'Precisamos de novas narrativas', diz Liniker, que estreia como atriz

Liniker em cena de "Manhãs de Setembro"
Liniker em cena de "Manhãs de Setembro"
Divulgação Amazon

Guilherme Lucio da Rocha

De Splash, em São Paulo

25/06/2021 04h00

Liniker estreou como atriz arrebentando como protagonista da série "Manhãs de Setembro", que chegou hoje (25) ao Amazon Prime Video.

Ela interpreta Cassandra, mulher transexual que trabalha como motogirl em aplicativos de entrega e tenta viver seu sonho de ser cantora.

Porém, a estabilidade é abalada quando a personagem descobre que uma noite de romance há 10 anos com Leide (Karine Teles) gerou um fruto: Gersinho (Gustavo Coelho). Ao saber da surpresa, Cassandra tenta renegar o filho e seguir a vida, mas o destino não deixa.

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Splash conversou com Liniker sobre a série e sua estreia como atriz. Ela afirmou que ficou muito feliz com o convite e que o papel foi importante para mostrar que pessoas LGBTQI+ não são um bloco uniforme.

Nossas narrativas são múltiplas. A Cassandra, mesmo tendo a vida tão dura e pesada, tira proveito das pequenas coisas e cria possibilidades para o afeto.
Liniker

Quando fala de afeto, boa parte desse carinho é dispensado ao ator Thomas Aquino ("Bacurau"), que interpreta o personagem Ivaldo e faz par romântico com Cassandra.

Liniker disse que foi fundamental para ela que o roteiro não colocasse sua personagem como submissa na relação. Na história, fica claro que, para Cassandra, o amor de Ivaldo é forte e recíproco, mas nada vale mais do que a sua independência.

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Para topar o trabalho, ela disse à produção que era fundamental ter diversidade nos bastidores. Uma das pessoas destacadas é Alice Marcone, também cantora e mulher trans, que participou do desenvolvimento do roteiro.

Para Liniker, a presença de Alice entre os roteiristas foi importante para não reforçar violências do cotidiano de pessoas LGBTQI+. Segundo ela, o cinema brasileiro precisa dessa diversidade.

A mesa de roteiro, como um todo, é incrível. A Alice, tendo essa vivência, fez com que a Cassandra não fosse violentada dramaticamente. Precisamos de novas narrativas. Se fosse outro recorte, de outra pessoa, talvez Cassandra passasse por coisas que estamos cansadas de ver no audiovisual.

Liniker

Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação
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Melodramédia realista musical

"Manhãs de Setembro" é ambientada em São Paulo, mas boa parte das gravações aconteceram em Montevidéu, no Uruguai, por conta das restrições da pandemia do novo coronavírus.

O diretor Luis Pinheiro diz que São Paulo e o centro da cidade, mesmo com suas adaptações, são personagens da série que ele classificou como "melodramédia realista musical".

Traduzindo o conjunto de palavras usadas pelo diretor, "Manhãs de Setembro" é um conjunto de drama, com boas pitadas de comédia, misturando com uma realidade dura e impactante, mas que é diluída com a música.

A gente discutia muito como usar músicas inteiras, sem perder a narrativa. 'Manhãs de Setembro' propõe uma fusão de linguagem que nos leva a isso.
Luis Pinheiro
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A "guia" Vanusa

Talvez millenials e parte da geração Z não saibam quem foi Vanusa (1947-2020), a grande homenageada da série. A cantora fez grande sucesso nos anos 1960 e 1970, no auge da Jovem Guarda, e seu principal sucesso é justamente a canção "Manhãs de Setembro".

Eu quero sair // Eu quero falar // Eu quero ensinar o vizinho a cantar
Trecho de 'Manhãs de Setembro', da Vanusa

Na série, Cassandra tem em Vanusa uma espécie de inspiração e guia, com direito a mensagens motivacionais em momentos tensos. Josefina Trotta, roteirista-chefe, diz que a homenagem à cantora é mais do que justa.

A série é uma homenagem desde o nome até as música que a Cassandra canta. Música e Vanusa são tudo. E, se fosse por Luis, viraria um musical por completo.
Josefina Trotta