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Pabllo Vittar conta que novo álbum exalta Norte e Nordeste do Brasil

Pabllo Vittar fala sobre "Batidão Tropical", seu novo álbum - Reprodução/Instagram
Pabllo Vittar fala sobre 'Batidão Tropical', seu novo álbum Imagem: Reprodução/Instagram

Colaboração para o UOL, no Rio de Janeiro

24/06/2021 23h31

Hoje foi um dia feliz para os fãs de Pabllo Vittar, que puderam conferir o novo álbum da cantora, "Batidão Tropical". Nascida em São Luís, criada em Santa Izabel do Pará e depois moradora de Caxias, cidade no interior do Maranhão, a artista afirmou que seu objetivo no novo lançamento foi resgatar suas origens nortistas e nordestinas.

"Fui selecionando por memória empírica, lembrando das músicas que escutava quando ia para a escola lá em Caxias, por exemplo. É por isso que não tem nenhum feat, não queria dividir esse sabor com ninguém", explicou Pabllo em entrevista ao El País.

A cantora contou que cresceu ouvindo grupos como Calcinha Preta, Companhia do Calypso, Aviões do Forró e Banda Ravelly. "Sinto que, como artista, tenho que honrar e valorizar esses ritmos, porque cresci ouvindo forró e tecnobrega e é graças a isso que faço o pop de 2021?, disse ela.

Atualmente moradora de São Paulo, Pabllo afirmou que não deixou de ouvir os ritmos que cresceu escutando e lamentou o preconceito com os gêneros, que são tratados, por vezes, como restritos ao Norte e Nordeste.

"É por isso que esse álbum é um apogeu do Norte e Nordeste. Quero exaltar essas regiões, bater no meu peito e dizer que não é só cultura regional, é um patrimônio brasileiro. É muito louco a desvalorização do que é nosso enquanto importamos cultura. É muito legal escutar coisas de fora, eu adoro uma Beyoncé, uma Madonna, adoro um k-pop, mas o que estamos ouvindo de música nacional? As mesmas canções, os mesmos artistas e os mesmos ritmos. A gente tem que quebrar a hegemonia das músicas que tocam nas rádios e trazer novidade, principalmente daqui, do Brasil. Pabllo Vittar

O atual momento que o Brasil enfrenta também a ajudaram a decidir os rumos do novo álbum, que foi pensado com o objetivo de lembrar da riqueza cultural brasileira.

"Quando estoura qualquer ritmo do Norte e Nordeste eu sou a primeira pessoa a soltar fogos pela janela. Quando Duda Beat apareceu, quando os Barões da Pisadinha apareceram, essa galera que canta com sotaque, que traz essa regionalidade, foi incrível, porque são portas se abrindo. Mas a gente ainda tem muita coisa para mostrar, tem muitos ritmos e músicas que não saíram ainda de seus bairros e periferias e é conhecido muito localmente", disse ela.

Porém, Pabllo se queixou de não ter conseguido trabalhar diretamente com produtores musicais e artistas das regiões durante a produção do disco. "Mas fomos super fiéis aos ritmos. Eu ficava gravando e comentando: 'Olha, essa bateria está errada, escuta aqui como é, eles fazem assim. Também mostrava vídeos de shows, fui muito criteriosa, se eu não me sentia no Nordeste com alguma batida, trocávamos", garantiu.

Devido à pandemia, o show de lançamento do novo álbum, que ainda não tem data, será virtual, e vai compor as comemorações dos cinco anos de carreira da cantora e os ensaios para os shows fora do Brasil já agendados.

Confirmada em festivais internacionais como o Coachella, Pabllo defende que quer ver e ouvir os gêneros musicais de sua terra natal nos eventos brasileiros.

Imagina a gay lá do Pará me ouvindo cantar uma música da Companhia do Calypso que eu ouvia na infância? Eu queria ser essa gay, mona. Queria ser essa gay vendo outra gay cantar uma música da minha terra. Pabllo Vittar

A artista afirmou, sem falsa modéstia, não temer que seu novo trabalho não seja bem recebido pelos fãs, em especial pelos mais novos: "Meu trabalho sempre foi pautado, de certa forma, no regionalismo, isso sempre esteve nas minhas referências musicais. Acho que essa galera mais novinha vai gostar, porque é uma oportunidade de conhecer coisa nova. Afinal, música boa é música boa em qualquer geração".