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Pathy Dejesus volta à Globo e fala de mais oportunidades para atores negros

Pathy Dejesus festeja retorno ao horário nobre da Globo
Pathy Dejesus festeja retorno ao horário nobre da Globo
André Nunez

Daniel Palomares

De Splash, em São Paulo

26/05/2021 04h00

Após participar de várias séries, incluindo o sucesso "Coisa Mais Linda", da Netflix, Pathy Dejesus está pronta para voltar às novelas. Aos 44 anos, a atriz viverá Ruth em "Um Lugar ao Sol", nova trama das 21h na Globo, ainda sem estreia prevista.

Em papo com Splash, Pathy conta como está se desafiando a gravar e cuidar do filho Rakim, de apenas 2 anos, no meio de toda a loucura da pandemia, e ainda reforça a importância de mais oportunidades para profissionais negros na indústria do entretenimento.

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Pathy Dejesus
Imagem: Reprodução/Instagram

De volta ao horário nobre

Na nova novela, Pathy dará vida a Ruth, uma engenheira ambiciosa que promete agitar a trama ao lado do antagonista da história. É a quinta novela da atriz na Globo, depois de títulos como "Avenida Brasil" e "I Love Paraisópolis".

Toda e qualquer oportunidade de exercer meu ofício é sempre motivo de muita alegria pra mim! Ainda mais agora, no atual momento que vivemos. Estar em uma novela em horário nobre na Globo me deixa ainda mais feliz e realizada.

Novelas são, geralmente, obras abertas. Isto é, são gravadas ao mesmo tempo em que vão ao ar e podem passar por mudanças de acordo com a recepção do público. A pandemia, porém, forçou com que a Globo tivesse que gravar tramas inteiramente antes de exibi-las, a fim de evitar qualquer percalço.

Boa parte já está gravada. A sensação é inédita. Ainda não tenho todos os capítulos, só vou saber descrever se chegar ao final e as cenas não tiverem ido pro ar. Talvez se aproxime da sensação de gravar uma série.

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Todo cuidado é pouco

Quando as gravações foram paralisadas no ano passado, não imaginávamos que a pandemia estaria ainda pior neste ano. Os protocolos de segurança são rigorosos no set.

Estamos nos adequando a uma nova realidade. Nós fazemos exame de PCR sempre que vamos gravar e mesmo assim, a interação mesmo é do elenco, a produção procura sempre manter uma distância. O pior, na real, é a situação em que vivemos, com tantos casos, tantas mortes e o descaso por parte do governo.

Pathy tem uma preocupação a mais: justamente o filho Rakim, de apenas 2 anos. Coordenar os cuidados com o pequeno e toda a responsabilidade como mãe com as gravações é um desafio.

É puxado e fica pior se coloco metas. No começo da pandemia, tentei manter uma rotina e não deu certo. Graças a Deus tenho uma rede de apoio, sem eles não daria conta. Tento cuidar da sanidade mental e física e ser uma mãe 'possível'. Crio Rakim para que seja alguém que respeite o próximo.

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Pathy Dejesus e o filho Rakim, de 2 anos
Imagem: Instagram/Reprodução

Mais oportunidade

Pathy sabe da importância que tem sendo uma atriz negra e preza pelos espaços na indústria. Um episódio durante as gravações de "Coisa Mais Linda" a emocionou, mas também demonstrou como o caminho por igualdade ainda está longe de chegar ao fim.

Festejei o fato de em um dia de trabalho ter o set predominante negro, o que é triste na verdade. Aquilo me emocionou muito no dia, mas não significa em absoluto que as coisas mudaram. Percebi também que muitos veículos tentaram repassar como algo recorrente. E está longe de ser a verdade.

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Adélia, Malu, Thereza e Ivone em cena de 'Coisa Mais Linda'
Imagem: Divulgação

A diversidade é cada vez mais debatida no entretenimento. Uma pesquisa da UCLA demonstra que o público prefere filmes com elenco mais diverso, ao mesmo tempo que o Globo de Ouro vê sua reputação abalada por não ter nenhum votante não-branco. Afinal, estamos mesmo rumo à mudança?

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A falta de diversidade é reflexo de estruturas racistas que permeiam toda a sociedade. Não é um problema restrito à indústria do entretenimento. Dentro das produções artísticas, passa pela falta de roteiristas negros, direção, e ainda cuidado para que o produto não apresente ideias estereotipadas.

Se fala muito sobre políticas de diversidade, defesa de causa, posta-se hashtags. Mas me questiono se indústria está realmente comprometida com isso na prática. Roteiristas, diretores, e atores negros podem falar de coisas além do racismo e deveriam ser cogitados para contar outras histórias também.

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Pathy Dejesus fala da importância de oportunidades para profissionais negros no entretenimento
Imagem: André Nunez