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No Limite: Por que fala de Íris para Ariadna foi transfóbica?

No Limite: Ariadna e Íris discutem sobre prostituição - Reprodução/Rede Globo
No Limite: Ariadna e Íris discutem sobre prostituição Imagem: Reprodução/Rede Globo

Caio Coletti

De Splash, em São Paulo

19/05/2021 15h04

Uma troca de farpas entre participantes do "No Limite", na noite de ontem, levou a acusações de transfobia contra uma delas: Iris, que se desentendeu com Ariadna, que é uma mulher transgênero, sobre o passado da mesma na prostituição.

Ariadna contou que recorreu à prostituição apenas por não conseguir outro emprego, dizendo que era rejeitada por todos os potenciais empregadores por ter "nome de homem e cara de mulher".

Iris replicou argumentando que Ariadna "teve opção sim", que o preconceito estava "dentro da cabeça" dela, e lembrou dos trabalhos que já fez em sua vida: "Eu passei roupa para os outros, eu fui babá...".

Você não pode falar de uma coisa que você não estava dentro da realidade. [...] Amiga, você é uma mulher cis, branca, loira, dos olhos verdes."
Ariadna para Iris no 'No Limite'

Mas por que a fala é preconceituosa?

Em declaração a Splash, Symmy Larrat, presidenta da ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos), caracterizou como "não só transfóbica, mas de uma crueldade imensa" a fala de Íris.

[É] imputar a uma pessoa trans a culpa por vivenciar a prostituição como forma de sobrevivência, em uma sociedade em que pessoas transgêneras são expulsas de casa na adolescência e, sem amparo estatal, ficam sem acesso a diretos básicos como educação, saúde e assistência."
Symmy Larrat a Splash

A ativista ainda disse que Íris errou ainda mais ao não ouvir a explicação de Ariadna e "insistir em sua análise transfóbica": "Estamos acostumadas a conviver com o julgamento da cisgeneridade, mas assistir isso de Íris, que já ganhou milhões e pode desfrutar de uma vida mais confortável, é agressivo demais".

Os números

De acordo com dados da Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais), levantados em 2020, 90% das pessoas trans no Brasil precisam recorrer à prostituição para se sustentar.

A inclusão trans tem sido muito debatida no ambiente corporativo, mas ainda são poucas as empresas que querem ou, principalmente, sabem executá-la. Para Maite Schneider, fundadora da Transempregos, plataforma que conecta empregadores a pessoas trans em busca de oportunidade, as empresas ainda "têm medo" porque não compreendem o que precisam fazer em relação a tópicos como nome social, uso de banheiros e benefícios de saúde.

"O sistema de saúde, por exemplo, é muito binarista. Se você tem um homem trans que quer engravidar e precisa de exames de ginecologia, o plano trava, porque acha que tem alguém querendo burlar o sistema", exemplificou ela ao UOL em entrevista do ano passado.

Equipe de Iris pede desculpas

Fora do "No Limite", a equipe de Iris Stefanelli postou um pedido de desculpas oficial a Ariadna e a todas as pessoas transgênero que assistiram ao episódio e se ofenderam com a fala da participante.

Temos a certeza de que, assim que ela [Íris] voltar a realidade, e assistir às suas falas, vai se desculpar com todos e buscar se informar sobre essa triste realidade [das pessoas trans na prostituição]. Íris, assim como muitos de nós, tem muito o que aprender sobre este e outros assuntos. [...] Respeitamos demais a história da Ariadna e temos um carinho muito grande por ela e pela parceria de ambas, como vimos desde o programa de estreia."
Equipe de Íris no Instagram

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