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Eva Wilma: Atriz falou sobre foto emblemática em protesto contra ditadura

As atrizes Eva Todor, Tônia Carrero, Eva Wilma, Leila Diniz, Odete Lara e Norma Bengell em 1968, durante a passeata dos cem mil, em protesto contra a ditadura militar no Brasil, no Rio de Janeiro
As atrizes Eva Todor, Tônia Carrero, Eva Wilma, Leila Diniz, Odete Lara e Norma Bengell em 1968, durante a passeata dos cem mil, em protesto contra a ditadura militar no Brasil, no Rio de Janeiro
Reprodução

Marcela Ribeiro

De Splash, no Rio

17/05/2021 13h04

Eva Wilma é uma das famosas que aparece em uma foto emblemática na passeata dos cem mil, em junho de 1968, em protesto contra a ditadura militar no Brasil que aconteceu no Centro do Rio de Janeiro.

A atriz está de mãos dadas com Eva Todor, Tônia Carrero, Leila Diniz, Odete Lara e Normal Bengell.

Eva Wilma no Conversa com Bial  - Reprodução/vídeo - Reprodução/vídeo
Eva Wilma
Imagem: Reprodução/vídeo
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A atriz morreu no sábado (15), aos 87 anos, em decorrência de câncer no ovário. Ela estava internada no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, desde o dia 15 de abril.

O corpo da atriz Eva Wilma foi velado e sepultado em cerimônia restrita realizada ontem na cidade de São Paulo.

Em entrevista ao programa "Persona em Foco", na TV Cultura em 2015, a atriz lembrou que estava em grande sucesso no teatro Maison de France, no Rio, quando aconteceu do lado, no restaurante Calabouço, o assassinato do estudante Edson Luís de Lima Souto, por policiais militares durante um protesto.

"Foi muito traumatizante. Quando acontece uma reunião de classe, essa assembleia no dia seguinte do assassinato do estudante, foi tão tumultuada", contou.

Depois disso, os artistas decidiram parar os teatros e meses depois participaram do protesto.

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Antes da passeata, Eva contou que os artistas ficaram três dias nas escadarias dos Theatros Municipais do Rio e de São Paulo se se revezaram em turnos.

Nós tivemos uma experiência muito interessante que às vezes o público desconhece. É uma foto famosa, emblemática, de um momento difícil para a cultura no país. Era uma mobilização contra a censura e pela cultura. Os teatros todos de São Paulo pararam, uma greve

Eva Wilma ao "Vídeo Show", em 2018.

Eva lembrou que os líderes organizaram a saída das atrizes, de mãos dadas, com o objetivo de serem as porta-vozes da manifestação.

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E o encerramento desses três dias e três noites comandados por pessoas tão brilhantes como Dias Gomes como Flávio Rangel...Eles combinaram que nós atrizes iríamos puxando todo mundo de mãos dadas na frente. E lá fomos nós, uma fila muito bonita de atrizes de mãos dadas

Eva Wilma falou durante o "Roda Viva", em 2015, sobre a importância do artista se posicionar politicamente.

Sempre achei que quanto maior a popularidade, maior a responsabilidade perante a sociedade. Isso me deu a noção de me colocar e defender as minhas ideias.