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Nova era em Hollywood: público prefere filmes com elenco mais diverso

Cena de "Bad Boys para Sempre": filmes com elenco diverso são preferidos pelo público
Cena de "Bad Boys para Sempre": filmes com elenco diverso são preferidos pelo público
Divulgação

Daniel Palomares

De Splash, em São Paulo

16/05/2021 04h00

Quando o Oscar anunciou que levaria em conta novos requisitos para qualificar os filmes indicados, baseando-se na diversidade de seu elenco e equipe de produção, muita gente torceu o nariz. Mas parece que a maioria do público está de acordo com a Academia quando se trata do assunto.

O relatório anual de diversidade de Hollywood da UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles) apontou que, nos EUA, cada vez mais pessoas não brancas, cerca de 40% da população do país, consomem filmes nos cinemas e também nos serviços de streaming.

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Em 2020, não brancos representaram a maioria da bilheteria de abertura de seis dos 10 maiores filmes do ano. Hollywood se beneficiaria muito abraçando as possibilidades e avanços aliados a diversidade.

aponta o estudo

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Will Smith e Martin Lawrence em "Bad Boys pra Sempre"
Imagem: Divulgação

"Bad Boys Para Sempre", estrelado por Will Smith e Martin Lawrence, teve a maior bilheteria de 2020, faturando U$ 426,5 milhões. 68% do elenco do filme é formado por não brancos, enquanto a segunda e terceira maiores bilheterias, "Tenet" e "Sonic - O Filme", têm 38% e 53%, respectivamente.

Diversidade = sucesso

Não precisamos ir longe para perceber como apostar na diversidade pode resultar em sucesso. Já assistiu a "Bridgerton"? A série produzida por Shonda Rhimes se tornou simplesmente a maior da história da Netflix, vista por 82 milhões de lares nos 28 primeiros dias no catálogo.

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Regé-Jean Page, o "Duque de Hastings" em "Bridgerton"
Imagem: Reprodução Instagram
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Diferentemente da maioria das produções do Período Regencial Britânico, "Bridgerton" trazia um elenco repleto de atores negros, incluindo Regé-Jean Page, cobiçado por 11 a cada 10 pessoas que assistem à série.

Representatividade não vende?

O sucesso de séries e filmes recentes prova o contrário do que muitos acreditam: diversidade e representatividade vendem sim, e muito! "Podres de Ricos" (2018), com um elenco principal 100% asiático, se tornou a comédia romântica de maior faturamento da última década.

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Cena do filme "Podres de Ricos"
Imagem: Reprodução

"Pantera Negra", também de 2018, além de se tornar uma das maiores bilheterias de todos os tempos, ainda é o filme com maior bilheteria feito por um diretor negro em toda a História.

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Chadwick Boseman e Michael B. Jordan se enfrentam em cena de "Pantera Negra"
Imagem: Divulgação
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Mudança atrás das câmeras

O estudo da UCLA aponta que filmes com elenco mais diverso são frutos de maior diversidade por trás das câmeras também. Quanto mais oportunidades existirem para diretores e roteiristas não-brancos e mulheres, maior o interesse do público.

Filmes escritos ou dirigidos por pessoas não-brancas em 2020 tiveram elencos significativamente mais diversos do que aqueles escritos e dirigidos por homens brancos.

aponta o relatório

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Chloé Zhao com sua estatueta do Oscar 2021
Imagem: Getty Images

Nas premiações

Pelo segundo ano consecutivo, um diretor asiático venceu o Oscar de melhor direção, além de melhor filme. Bong Joon-ho e Chloe Zhao fizeram história e demonstram a iniciativa da premiação em se tornar mais representativa.

Dos indicados a melhor filme neste ano, três eram protagonizados por atores negros e outros dois por mulheres. Se pensarmos em edições anteriores, com a vitória de "Parasita" (2019) ou "Moonlight" (2016), a diversidade também prevaleceu.

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Filme "Parasita", do coreano Bong Joon-ho (2019)
Imagem: Reprodução

Muito a mudar

O caminho por uma indústria mais inclusiva e diversa, porém, ainda está longe de chegar ao fim. Na história de 93 edições do Oscar, por exemplo, somente uma atriz negra venceu o prêmio de melhor atriz. Em melhor direção, só vimos duas mulheres com a estatueta até hoje.

Os tipos de papel oferecidos a atores não-brancos também precisam ser repensados. Em entrevista ao "The New York Times", Viola Davis disse se arrepender de participar do filme "Histórias Cruzadas" (2011). "Senti que não eram as vozes negras que estavam sendo ouvidas", lamentou a atriz.

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Viola Davis em cena de "Histórias Cruzadas"
Imagem: Reprodução

"Green Book - O Guia", vencedor de melhor filme em 2018, rendeu um segundo Oscar a Mahershala Ali, mas foi duramente criticado por ilustrar a narrativa do "branco salvador", reforçando um estereótipo negativo sobre personagens negros, como se precisassem de ajuda para triunfar.

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Não basta somente que o elenco seja diverso. O público quer se reconhecer na tela e também poder projetar seus sonhos e ideais. Personagens negros, asiáticos, femininos ou LGBTQ+ ganhando narrativas poderosas e inspiradoras.

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Moonlight
Imagem: Divulgação

O melhor da diversidade

Voltando ao início, no ano passado, o Oscar anunciou que iria rever os critérios para a indicação de um longa ao prêmio de melhor filme. Para concorrer, é preciso contar com um elenco ou equipe ou produtores ou até mesmo uma história que traga diversidade.

Se muitos achavam que era só "mimimi" e uma tentativa de censurar a liberdade em Hollywood, o público mostra o contrário. As pessoas querem sim poder ver histórias mais diversas, contadas por pessoas que fogem do padrão.

Com mais diversidade, todo mundo sai ganhando.