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Lançando álbum-relato, Majur diz: 'Tive que me amar para continuar vivendo'

A cantora Majur
A cantora Majur
Guilherme Nabhan / Divulgação

Guilherme Lucio da Rocha

De Splash, em São Paulo

12/05/2021 04h00

Após dois anos de autoconhecimento, Majur entrega seu primeiro álbum, "Ojunifé".

Ela, que tem como padrinho Caetano Veloso e esteve com Emicida e Pabllo Vittar no single "AmarElo" e no show histórico no Theatro Municipal, em São Paulo, acredita que seu disco de estreia é uma espécie de desabafo.

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E o que significa Ojunifé?

Essa palavra vem do idioma iorubá, comum na África Ocidental, e quer dizer "olhos do amor".

O nome não foi escolhido à toa por Majur e reflete muito do que a cantora quis reunir em seu disco de estreia. Em conversa por telefone com Splash, ela falou sobre seu processo criativo e como tanto tempo pensando resultou nesse trabalho tão pessoal.

Eu tive que me olhar muito com os olhos do amor para sobreviver ao preconceito, à transfobia, ao racismo. Tive que me amar para continuar vivendo.
Majur

O álbum contou com a produção da própria Majur, que fez questão de ter um trabalho intimista e que refletisse sua "verdade". Ela acredita que seu disco pode servir como inspiração para o público LGBTQI+.

É a minha vida que vai ser exposta. É um disco importante, porque fala muito do meu encontro comigo mesma. Quero impulsionar outras pessoas a viverem e a contarem suas histórias.
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Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

O afropop de Majur e a importância de "AmerElo"

Durante o papo com Splash, a cantora classificou seu trabalho como afropop. Ela deu uma resumida para a gente:

Eu questiono o que é o axé music, criado no Brasil como se fosse representação de um único som. Mas existe muita diversidade, vários instrumentos com origem africana. O que proponho é uma nova visão com o nome que considero correto. O que vou fazer é uma música pop com instrumentos africanos.

Uma das primeiras vezes que Majur ganhou a atenção do público em geral foi com a música "AmarElo". O álbum homônimo do cantor, inclusive, ganhou um Grammy Latino de Melhor Álbum de Rock ou Música Alternativa em Língua Portuguesa, virou documentário da Netflix e show no Municipal.

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Coisas do destino, a canção tem dois anos, o mesmo tempo que Majur vem investindo no seu lançamento solo.

Para ela, a música é mais do que um mero trabalho. Ela considera "AmarElo" uma espécie de hino de força que transmite toda a verdade dos envolvidos.

"AmarElo" é uma junção de três histórias fortes, brasileiras, que representa corpos revolucionários. É uma música que impulsiona pessoas e teve um impacto enorme na minha vida.
Majur

A música e a transexualidade

Em entrevista de 2019 ao jornal "O Globo", Majur comentou sobre o fato de não bater na tecla de ser uma mulher transexual nas suas músicas, pois não queria restringir suas letras. Além disso, segundo ela, sua representativa já estava evidente no seu visual.

Será que agora, falando mais sobre sua trajetória de vida, essa visão mudou? Segundo a cantora, o jogo segue o mesmo. O que muda agora é o espaço que ela ocupa, que "é um marco de representatividade".

Não precisamos falar que somos mulheres trans pois já somos lidas assim, por mais femininas que sejamos. Minhas experiências por si só vão fazer algo muito maior.
Majur
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Em janeiro do ano passado, Majur conseguiu alterar seu nome nos documentos. Uma das pessoas mais importantes na trajetória da cantora e a que mais a incentivou foi sua mãe, a dona Luziane Luzia Santos.

A cantora, como boa parte das pessoas nascidas e criadas na favela, tem o sonho de dar a casa própria para sua rainha. E ela diz estar cada vez mais próxima de realizá-lo.

Hoje, minha mãe mora em um apartamento alugado por mim. Estou em movimento, utilizando do meu talento para aprender. Isso faz com que as coisas aconteçam.
Majur