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Mario Frias sobre lei de incentivo: 'Governo não tem que bancar marmanjo'

O secretário especial da Cultura, Mário Frias, durante Cerimônia de Lançamento da Retomada do Turismo - Mateus Bonomi/AGIF/Estadão Conteúdo
O secretário especial da Cultura, Mário Frias, durante Cerimônia de Lançamento da Retomada do Turismo Imagem: Mateus Bonomi/AGIF/Estadão Conteúdo

De Splash, em São Paulo

07/05/2021 11h46

O secretário especial da Cultura do governo de Jair Bolsonaro (sem partido), Mario Frias, se irritou com comentários em uma live realizada no canal do pastor e produtor cultural Wesley Ros, que cobravam a liberação de recursos da Lei Rouanet para projetos de arte cristã.

Muitos querem usar a lei de incentivo para substituir o mercado. [...] Durante 20 anos foram liberados mais de R$ 12 bilhões pela Rouanet. Por que estes proponentes não desenvolveram um mercado autônomo em todo este tempo? O governo federal não tem obrigação de bancar marmanjo."
Mario Frias sobre Lei Rouanet

Frias participou da live na noite de ontem, junto ao secretário de Fomento e Incentivo à Cultura, que cuida da Lei Rouanet, o ex-policial militar André Porciúncula — que já havia aparecido no canal de Wesley Ros alguns dias atrás.

Os dois oficiais do governo repetiram várias vezes que não há "avaliação subjetiva" sobre quais projetos são ou não aprovados para verbas de incentivo.

Desde que Frias assumiu a secretaria especial da Cultura, aprovações de projetos para a Lei Rouanet se tornaram mais lentas, e a CNIC (a Comissão Nacional de Incentivo à Cultura, responsável pela análise dos proponentes) não teve seu quadro de membros renovado.

"Cristofobia"

Outro tema da live foi a reclamação de "cristofobia" de muitos dos espectadores, envolvidos na produção de arte com temática cristã. O termo é usado para se referir à suposta discriminação contra cristãos na sociedade brasileira.

Avaliações de sociólogos e historiadores, e até mesmo de padres e pastores evangélicos, não dão suporte à existência de "cristofobia" no Brasil — eles apontam que, na verdade, são as religiões de matizes africanas que sofrem preconceito no país.

Alguns dos comentaristas da live relataram que não conseguiram captar verbas para projetos artísticos de empresas, por causa da temática religiosa. André Porciúncula se mostrou solidário às reclamações.

Parte dessa aversão vem de um direcionamento político e ideológico que tomou conta dos departamentos de marketing das empresas. É preciso que haja uma organização da sociedade, dos consumidores, para cobrar das empresas."
André Porciúncula em live de Wesley Ros

André Porciuncula é secretário de Fomento e Incentivo à Cultura, e cuida da Lei Rouanet - Reprodução - Reprodução
André Porciuncula é secretário de Fomento e Incentivo à Cultura, e cuida da Lei Rouanet
Imagem: Reprodução