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Perseguição a ex-dançarina de Demi mostra perigos do 'tribunal da internet'

Demi e a dançarina Dani em maio de 2018, meses antes da overdose
Demi e a dançarina Dani em maio de 2018, meses antes da overdose
reprodução/Instagram

Ana Carolina Silva

De Splash, em São Paulo

31/03/2021 04h00

Depois da overdose sofrida por Demi Lovato em 2018, parte dos fãs julgou e condenou a dançarina Dani Vitale como uma das más influências responsáveis pela recaída da cantora. Ela foi perseguida, atacada e ameaçada pelo tribunal das redes sociais.

Mas, afinal, Dani teve alguma culpa no que aconteceu?

De acordo com a própria Demi, não.

No terceiro episódio do documentário "Dancing with the Devil", a cantora puxa a orelha de seus fãs —a parcela tóxica que todo fandom tem hoje em dia— e deixa claro que Dani foi vítima de julgamentos injustos e desproporcionais.

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Foi horrível ver o que aconteceu com Dani depois que as pessoas pensaram que ela estava envolvida com o que houve naquela noite [da overdose].
Demi Lovato
reprodução/Instagram - reprodução/Instagram
Pouco antes da overdose (e muito antes da pandemia), quando ainda havia turnês, Demi encenava momentos quentes com Dani no palco
Imagem: reprodução/Instagram

A reportagem de Splash acompanhou o que foi publicado sobre Dani no Twitter e no Instagram, em português e inglês, nos últimos dois anos. A dançarina passou a receber mensagens muito agressivas que ameaçavam até a integridade física de sua família.

Só para dar um exemplo...

As mensagens abaixo foram postadas por fãs diferentes na última semana de março de 2021. Dani não fala português, mas também recebeu incontáveis ameaças em inglês.

reprodução/Twitter - reprodução/Twitter
Exemplos de mensagens contra Dani (as quatro foram postadas por pessoas diferentes na semana da publicação deste texto)
Imagem: reprodução/Twitter

E são fãs de uma cantora que sempre fala muito sobre a importância da saúde mental.

Aliás, Demi sofre com ataques, mensagens gordofóbicas, machistas e violentas (como os haters que lamentaram o fato de que ela não morreu após a overdose). É irônico que fãs dela também publiquem tanto ódio nas redes.

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Meus fãs são incríveis, são muito apaixonados, mas eles passam dos limites às vezes. Eles querem o melhor para mim, mas nem sempre têm todas as informações.
Demi Lovato

Ninguém precisa amar Dani, só respeitar.

Todos têm direito de pensar que ela não foi a melhor amiga possível para Demi durante os meses de recaída, já que a dançarina estava com ela em noitadas regadas a álcool (segundo elas, eram festas sem drogas). Mas o documentário reforça que a cantora é adulta.

reprodução/Instagram - reprodução/Instagram
Demi e a dançarina Dani Vitale curtiram noitadas juntas
Imagem: reprodução/Instagram

Em vídeo feito antes da overdose, Demi está em um bar na Holanda e pede mais bebida; no canto, Dani faz sinal de "não" com a cabeça e pede ao bartender que a dose seja "pequena".

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Ou seja, a preocupação estava ali.

Porém, se Demi é tão boa manipuladora quanto diz ser, não havia o que qualquer outra pessoa pudesse fazer para impedi-la de usar drogas pesadas eventualmente. O documentário deixa claro que a sobriedade precisa ser uma escolha sua, não dos outros. Dani não é Demi.

Perdi todos os trabalhos. Ninguém quer seu filho na aula de uma 'professora que trafica heroína'. Perdi contratos com artistas... Tudo por causa da decisão de outra pessoa [Demi].
Dani Vitale
reprodução/YouTube/Demi Lovato - reprodução/YouTube/Demi Lovato
Dani Vitale fala no terceiro episódio do documentário "Dancing with the Devil"
Imagem: reprodução/YouTube/Demi Lovato

No terceiro (e penúltimo) episódio de "Dancing with the Devil", Demi pede desculpas por ter demorado para inocentar Dani publicamente —esta é a primeira vez que ela fala sobre a overdose de forma tão aberta, pois precisou de muito tempo para processar sua experiência de quase morte.

Mas nem todo fã ouve seus ídolos.

Embora muitos tenham aprendido a lição depois da publicação desse episódio, no qual a cantora afirma que ama Dani Vitale (que diz amá-la de volta), ainda é possível encontrar mensagens de ódio contra a dançarina no Twitter.

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Veja o episódio 3 do documentário:

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