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Anitta rebate Rick Bonadio: 'Faz uma música e exporta pro mundo'

Anitta respondeu críticas de Rick Bonadio sobre o funk no Grammy 2021 - Roberto Filho/Brazil News
Anitta respondeu críticas de Rick Bonadio sobre o funk no Grammy 2021 Imagem: Roberto Filho/Brazil News

De Splash, em São Paulo

15/03/2021 13h35Atualizada em 15/03/2021 17h32

Anitta, Valesca Popozuda e Lexa responderam as críticas do produtor Rick Bonadio sobre o funk. A polêmica começou quando ele decidiu comentar a apresentação de Cardi B no Grammy ontem, ao som de 'WAP' remixado por Pedro Sampaio.

Bonadio disse que o Brasil precisa "exportar música boa", desmerecendo o funk como cultura popular brasileira.

A cantora Anitta respondeu Bonadio convidando ele a fazer o que ela fez: criar música, exportar para o mundo e fazer sucesso.

"Escolhe um ritmo brasileiro à sua altura, faz uma música e exporta pro mundo. É facinho e rápido. E de uma hora para outra, claro, não dá pra começar com míseros segundos no Grammy. Quando você chegar lá, a gente comemora com você", disparou.

Em seguida, ela explicou que ele deveria fazer isso sozinho, sem pegar carona em sucesso de colegas da música.

"Não vale chamar um amiguinho pra unir forças e nem comemorar quando tem vitória de outro amiguinho. Aí, você conseguindo, eu vou faço uma campanha pra deixarem de ser meus fãs e serem seu", escreveu.

Anitta comparou o funk com a bossa nova por surgir no Rio de Janeiro e não serem bem recebidos por quem se considera especialista da música. A cantora afirmou que as falas de Bonadio repetem a história.

"2021? Não! Apenas um dos milhares de comentários pejorativos dos "entendedores" de cultura na época em que a grande Bossa Nova foi lançada. Será que já vi esse filme? Estudei, então já vi", escreveu.

Por fim, Anitta disse que o "nível" das músicas dizem respeito ao acesso à educação — e que esse direito deve ser assegurado pelo Estado, não pela música.

"Mesma batida? Você deve ter parado de pesquisar desde seu último álbum de sucesso. Mesmas letras? Aceito. Porém infelizmente cada um canta uma letra compatível com o nível educacional e cultural que lhe é oferecido. Nesse caso, pelo governo brasileiro para com suas comunidades", concluiu.

Vendo o apoio que estava recebendo dos fãs, ela voltou com mais publicações. Desta vez, Anitta citou a importância de resistir a comentários como os de Bonadio, reforçando a importância do produtor musical no passado. "São de pequenas opiniões assim que as coisas crescem aos poucos e podem virar cruciais no futuro", escreveu.

Na sequência, a cantora ainda apontou o interesse da indústria musical em promover outros ritmos, deixando o funk de lado.

Respeito ao Funk

Valesca Popozuda e Lexa também rebateram os comentários de Rick.

Um dos expoentes da cultura periférica do funk, Valesca afirmou que é preciso respeitar o ritmo, mesmo não gostando dele.

"Dá pra aceitar sim, dá pra respeitar e dá pra você ignorar o ritmo, mas você escolheu 'criticar' e 'ofender'. Sim eu me ofendi, eu canto funk e proibidão mas eu gero empregos, pago imposto e mantenho a comida na minha casa com letras do proibidão", disparou.

Lexa disse que desmerecer seu trabalho na música é desrespeitoso. Ela exigiu respeito ao movimento por parte do produtor.

"O funk evoluiu e cresceu tanto que estava no Grammy ontem. É preciso respeitar nosso movimento. Tenho respeito pelo seu trabalho e esperamos o mesmo respeito. O funk é cultura, é música e está quebrando barreiras sim", pediu.

Ludmilla ressaltou o papel do funk como movimento de resistência e afirmou que é ultrapassado criticar o ritmo.

Tati Quebra-Barraco disse que Bonadio não tem vivência alguma para criticar o funk e o acusou de se cercar de funkeiros que puxam seu saco.

Mc Rebecca apontou elitismo nas falas que criticam o funk e falou da importância que o ritmo tem como movimento de transformação social nas periferias se usando como exemplo.