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Snoopy ganha série, e viúva de seu criador quer redescoberta das tirinhas

Série 'Snoopy e sua Turma', do Apple TV+
Série 'Snoopy e sua Turma', do Apple TV+
Divulgação

Beatriz Amendola

De Splash, em São Paulo

12/02/2021 04h00

Snoopy fez (e ainda faz) a alegria de várias gerações que conheceram suas tirinhas nos jornais. Mas agora, aos 70 anos, ele, Charlie Brown, Patty Pimentinha e companhia têm uma nova série que leva o espírito do papel para as telas:

"Snoopy e sua Turma", que estreou no último dia 5 no Apple TV+.

A série é, na verdade, a segunda com os personagens criados por Charles M. Schulz (1922-2000) na Apple: em 2019, a gigante de tecnologia já havia lançado "Snoopy no Espaço", com episódios curtinhos que mostram uma versão astronauta do nosso beagle favorito.

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Mas a nova produção, com seis episódios de quase meia hora, vem para pegar fundo na nostalgia de quem lia as tirinhas "Peanuts". A imaginação do Snoopy escritor está lá, assim como suas versões aviador e jogador de baseball —isso sem falar de outros ícones, como a barraquinha de conselhos de Lucy.

Mas, para chegar aí, foi um longo caminho para Jean Schulz, 81. Viúva de Charles, com quem foi casada por 27 anos, ela se tornou uma espécie de guardiã dos personagens desde a morte do cartunista, e passou anos procurando o parceiro certo para levar Snoopy mais uma vez à TV.

David M. Benett/Dave Benett/Getty Images for Somerset House - David M. Benett/Dave Benett/Getty Images for Somerset House
Jean Schulz em foto de 2018, na abertura de uma exposição dedicada a Peanuts em Londres
Imagem: David M. Benett/Dave Benett/Getty Images for Somerset House

Splash conversou com ela, e te contamos tudo:

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De novo na TV

Além dos famosos especiais de Natal, Snoopy e seus amigos ganharam algumas séries na TV ao longo dos anos. A última havia sido em 2014, em uma coprodução francesa e americana.

"Fazia muitos anos que já estávamos sentindo falta dos personagens na TV", diz Jean.

Quase desde que meu marido morreu, parecia que as séries não estavam sendo distribuídas, não estavam sendo compradas e exibidas. E percebemos que a TV mudou.

Depois de perceber isso, Jean conta, foram anos procurando um parceiro que se dispusesse a trabalhar em um modelo de colaboração com a Peanuts Worldwide, empresa que administra tudo relacionado aos personagens. Foi quando, há aproximadamente três anos, o Apple TV+ entrou na jogada.

Divulgação - Divulgação
Cena de 'Snoopy e sua Turma', do Apple TV+
Imagem: Divulgação

"Eles estavam dispostos a colaborar com a nossa família e o nosso estúdio aqui e ter as tirinhas como base para a animação, construindo uma parceria para as histórias", diz ela, que está feliz com o resultado. "Acho que funcionou lindamente".

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O legado de Charles Schulz

Ao longo da entrevista, Jean fala com carinho de seu "Sparky", apelido de Charles entre a família e os amigos, e destaca a expertise de seus traços ao criar movimentos e expressões para seus personagens.

Ela cita como exemplo a tirinha "Grenoble" (1967), em que Snoopy, de patins, treina para as Olimpíadas de Inverno em Grenobla, na França, e faz um movimento conhecido como Salto Axel. Charles a desenhou, segundo ela, a partir de um vídeo de um patinador profissional.

Reprodução - Reprodução
Salto de Snoopy em tirinha de 1967
Imagem: Reprodução

"Mesmo ele tendo desenhado a tirinha em 67, as pessoas que aprendem esse salto hoje encontrarão lá o que precisam saber. Ela mostra o quão fiel Sparky era ao que estava desenhando. Ele estudava, entedia, e se preocupava que aquilo fosse fiel à vida real", recorda.

Para Jean, a nova série produzida por Mark Evestaff e Stephanie Betts conseguiu captar bem esse espírito do criador dos Peanuts —e agora, ela espera que "Snoopy e sua Turma" permita uma redescoberta das tirinhas, hoje também disponíveis em livros.

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A série é a melhor coisa logo depois de ler as tirinhas. Espero que ela leve as pessoas aos quadrinhos. Há muita profundidade neles, e as pessoas vão gostar, não importa a idade.

Vale notar que, por um desejo de Charles, "Peanuts" não ganhou novas tirinhas após a morte de seu criador. Apesar disso, continua rendendo bem: segundo a "Forbes", o cartunista foi a terceira celebridade morta mais bem paga de 2020, com US$ 32,5 milhões, atrás apenas de Michael Jackson e Dr. Seuss.

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Imagem: Divulgação

Uma nova geração de fãs

Snoopy está em camisetas, cadernos e até em cafés, mas, para uma nova geração, a animação deve ser o primeiro contato deles com o beagle.

"Eu adoraria estar no Brasil ou em qualquer outro lugar, com crianças vendo Snoopy pela primeira vez e ouvindo as risadas delas", diz Jean, antes de recordar outra história do marido —desta vez, de quando ele foi a uma sessão de uma peça "You're a Good Man, Charlie Brown" (1967).

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Sparky disse: foi a primeira vez em que ouvi as pessoas rirem dos meus diálogos, porque eu sento em uma sala e desenho, e não ouço a resposta de ninguém.

E, apesar de não poder acompanhar nenhum tipo de sessão, já que ainda estamos em plena pandemia, ela está animada com as reações à série: "Acho que as pessoas vão rir e aproveitar".