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Ex-BBB Samantha vive há 16 anos nos EUA e virou campeã de jiu-jitsu

Samantha comemora vitória em campeonato mundial de jiu-jitsu
Samantha comemora vitória em campeonato mundial de jiu-jitsu
Reprodução/Instagram

Felipe Pinheiro

De Splash, em São Paulo

21/01/2021 12h30

Empresária, mãe, atleta. Samantha Barradas, 46 anos, que ficou conhecida pela participação relâmpago de uma semana no "BBB 3", aprendeu a conciliar muitos papéis. Até por isso se emociona ao falar de sua última conquista: o pentacampeonato mundial de jiu-jitsu no fim do ano passado.

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Samantha nasceu no Rio da Janeiro e na infância matava aula para fazer educação física com outras turmas de tanto que gostava de esportes. Mas talvez nem ela imaginasse o quão longe chegaria.

Há 16 anos nos EUA, ela e o marido abriram academias de jiu-jitsu no país.

Superação

Um dos maiores desafios da carreira foi no último campeonato. Em treinamento, ela fraturou o calcanhar e ouviu de uma médica que não conseguiria se recuperar a tempo. Faltavam só duas semanas para a competição.

Sou muito insistente e teimosa. Fui para casa, chorei e falei: vou competir de qualquer maneira. Fui lutar enfaixada. Não estava andando direito e com dor.
Samantha Barradas, atleta

Nesse intervalo, teve de mudar a categoria para peso livre. Uma dificuldade a mais para seu psicológico. Durante a segunda luta, Samantha lembra de um momento dramático que exigiu dela o máximo de foco e esforço. O calcanhar fez um estalo e ela quase não suportou de dor. Quase.

Olhei para meu marido [também seu treinador] com dor. Não dá mais para mim. Só de falar tenho vontade de chorar. Ele começou gritar: 'você não vai desistir. Você vai conseguir!'.
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O apoio do marido e os gritos do lado de fora do tatame foram determinantes. Samantha descobriu uma força interior e finalizou a adversária.

"Só pensava nas minhas alunas, nos meus filhos. Veio uma força que só o brasileiro tem. É sangue nos olhos! Dei a volta por cima e ganhei. Foi aquele alívio".

Vida nos EUA

A ex-BBB mora há 16 anos com o marido e os três filhos pequenos em Long Island, Nova York. São muitas funções para desempenhar e ainda encontrar tempo para treinar.

Sou mãe, mais velha, tenho meu trabalho e se dedicar a um campeonato dessa proporção é difícil. É uma gratidão imensa a Deus, ao universo e a minha força de vontade.

Preconceito no jiu-jitsu?

Ela afirma que nunca enfrentou preconceito, mas se chateia por acreditar que o espaço às mulheres na transmissão do último campeonato pela Federação Internacional poderia ter sido mais justo: "Foi sacanagem. Um desmerecimento porque tinham muitas mulheres competindo".

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Para a gente, da categoria master, é mais difícil pelo nosso tipo de vida. Normalmente são mulheres casadas, mais velhas, com filhos?

A superação não é só pelo que precisa enfrentar no tatame e nos bastidores das competições, como a diferença de prêmio em dinheiro para homens e mulheres. Imigrante, Samantha tem de lidar com uma cultura e estilo de vida diferentes.

Ela se lembra de uma situação de discriminação numa loja:

Quando comecei a falar, a vendedora percebeu que eu não era americana e falou que não estava conseguindo me entender. Fiquei chateada porque ela estava sendo sarcástica.

Samantha soube se virar naquela situação de constrangimento e a funcionária acabou se desculpando. Ela afirma que esta foi a única vez que algo parecido aconteceu. No máximo costuma chamar atenção pelo sotaque carioca e acaba ouvindo algumas brincadeiras.

É o meu ganha pão. Tudo vem do jiu-jitsu. Temos gratidão misturada com paixão. Acho que por isso nosso trabalho dá certo.
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Big Brother Brasil

Samantha até gostaria de voltar a fazer um reality show, mas não entraria de novo no Big Brother. Apesar disso, se recorda com carinho da experiência e até tem saudade.

Samantha na abertura do 'BBB 3'; assista:

Eu era uma menina. Aproveitei para caramba! Não entrei para jogar. Estava amarradona. E a eliminação veio. Fiquei só uma semana. Foi o que estava escrito e aceitei numa boa.
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Pensa em um dia voltar a morar no Brasil?

"Sou carioca da gema! Rata de praia. Hoje já estou acostumada. Infelizmente, acho que não voltaria. Meu negócio é aqui, tenho duas academias e várias associadas. É difícil. Meus filhos estão aqui. Mas não vou falar nunca?".