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YouTube cria fundo para ajudar criadores negros contra o racismo estrutural

Malik Ducard, vice-presidente de parcerias de conteúdo do YouTube
Malik Ducard, vice-presidente de parcerias de conteúdo do YouTube
Divulgação

Guilherme Lucio da Rocha

De Splash, em São Paulo

12/01/2021 08h00

O YouTube criou um fundo de US$ 100 milhões para ajudar na produção de conteúdo de pessoas negras em seus canais na plataforma. Os selecionados para receber treinamento e uma quantia em dinheiro foram anunciados hoje (12).

No total, 132 pessoas foram contempladas com a "bolsa" num primeiro momento, entre criadores de conteúdo de temas variados e artistas. No Brasil, o "Fundo Vozes Negras" selecionou 35 canais, com nomes como Spartakus, Natály Neri, Nath Finanças e o cantor Péricles.

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Além do Brasil, foram escolhidos criadores e artistas da África do Sul, Austrália, Estados Unidos, Nigéria, Quênia, e Reino Unido.

Em conversa com Splash, Malik Ducard, vice-presidente de parcerias de conteúdo do YouTube, explicou que a ideia de amplificar a voz dos negros que produzem conteúdo no YouTube existe há anos, mas ele afirma que em 2020 isso passou a ser urgente.

A ideia do fundo existe há anos. Queríamos amplificar a voz de produtores de conteúdo negros. Com o assassinato trágico do George Floyd, nos comprometemos a fazer algo - e rápido.
Malik Ducard
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Ducard diz que, assim que o YouTube definiu que criaria o fundo, o Brasil foi um dos primeiros países escolhidos.

A cultura negra brasileira é tão importante para o YouTube, o engajamento é tão grande. Quando desenhamos o fundo, o Brasil esteve na lista e nunca foi uma questão para nós.
Malik Ducard

Para Bibiana Leite, diretora de parcerias e líder do programa #YouTubeBlack no Brasil, o fundo é importante para além do dinheiro. Os 35 selecionados receberão também treinamento e participarão de workshops online para produção de conteúdo.

Carine Wallauer/UOL - Carine Wallauer/UOL
Imagem: Carine Wallauer/UOL

Segundo o YouTube, cada criador de conteúdo receberá um valor diferente, baseado no seu momento, e poderá usar da maneira que achar melhor —para comprar novos equipamentos ou contratar profissionais de edição, por exemplo.

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A gente sabe que, devido ao racismo estrutural, muitos criadores não conseguem fazer receita com seu conteúdo. Muitos fazem dos seus canais um negócio e precisam de investimento.
Bibiana Leite

Futuro

A ideia da plataforma é expandir o fundo para mais países e englobar mais criadores --chegando a 500 até 2023.

Bibiana diz que a escolha dos selecionados foi feita com base em diversas métricas --entre elas, o engajamento dos canais. Ela destaca a importância da diversificação.

Os nossos criadores fazem conteúdos incríveis sobre vários temas que mostram a cara do Brasil. Com esse fundo, a gente vai fazer com que eles invistam no potencial.
Bibiana Leite

Segundo o YouTube, a primeira turma foi escolhida entre canais que já tinham participado de algum evento do YouTube Black. Nos próximos meses, serão abertas as inscrições para a turma de 2022 que contará com uma seleção ampla.