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Raquel Krähenbuhl: Quem é a repórter brasileira com acesso à Casa Branca

Raquel Krähenbuhl foi um dos destaques da cobertura das eleições
Raquel Krähenbuhl foi um dos destaques da cobertura das eleições
Divulgação

Leandro Carneiro

Do UOL, em São Paulo

16/11/2020 04h00

Joe Biden ou Donald Trump? Quem vencerá as eleições dos Estados Unidos? Enquanto muitos se questionavam sobre isso, um nome se destacava na cobertura da GloboNews. Dá para dizer que Raquel Krähenbuhl deu aula de ao vivo na cobertura direto de Washigton.

Mas quem é ela?

Apesar de não ser um nome tão conhecido da maioria, Raquel tem uma vasta experiência de Estados Unidos. Ela tem 36 anos, 14 deles trabalhando no país que terá Biden como presidente a partir de 2021.

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Raquel não está acostumada a virar notícia. Inclusive, ela acha estranho essa situação, tão frequente nos últimos dias.

Nunca imaginei que uma postagem no Twitter viraria notícia. Confesso que ainda acho estranho virar notícia. Estamos aqui para trazer a notícia. Eu sei fazer perguntas, não estou acostumada a responder perguntas sobre mim.

E da mesma forma que estranhou virar notícia, foi também pelas redes sociais que ela buscou fôlego para lidar com a quase interminável cobertura.

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Recebi mensagens que me emocionaram e, na hora da exaustão, deram fôlego. Esse trabalho persistente de muitos anos, de uma estrangeira cobrindo o poder americano, está começando a render frutos.

"Fiquei feliz em trazer ao telespectador um mundo que poucos conhecem ou têm acesso. Mas nada seria possível sem o timaço que estava trabalhando incansavelmente em NY e no Brasil. TV é equipe, e a nossa é fantástica. Todos estão de parabéns por essa cobertura belíssima e histórica".

Sem tempo irmão

Quem é do time que prefere atacar a jornalista, como aconteceu por parte de alguns apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), recentemente, não tem muito espaço.

Eu procuro ignorar os ataques. Não fico lendo as postagens. Nunca vou entrar em briga com quem me ataca pelas redes, me recuso a gastar energia com isso. Minha família e amigos ficam mais chateados e preocupados, mas eu digo a eles que isso não me incomoda.

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"Já percebi que depois de dois dias os ataques passam. Não foi a primeira vez que fui atacada e não será a última. Acho que isso quer dizer que estamos fazendo um bom trabalho."

Raquel Krähenbuhl foi um dos destaques da cobertura das eleições - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Mas como é trabalhar na Casa Branca?

Sou a única jornalista brasileira com a credencial da Casa Branca, o que me dá um acesso maior. Costumo passar horas na sede do governo todos os dias. Entre um ao vivo e outro, converso com autoridades para expandir e fortalecer minha rede de contatos.

A repórter ainda tem a missão de cuidar do comitê social do grupo de jornalistas estrangeiros. Ela é quem fica responsável por organizar eventos com jornalistas e autoridades.

Biden - Tasos Katopodis/Getty Images - Tasos Katopodis/Getty Images
Imagem: Tasos Katopodis/Getty Images
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Raquel acredita que a rotina deve acalmar um pouco com Biden no poder. Como ela mesmo definiu, trabalhar com Trump era uma "aventura".

Todo mundo está sempre alerta. Não há rotina. Eu faço parte do pool de jornalistas da Casa Branca, e quando é meu dia no rodizio, sempre acho que, de repente, o presidente vai chamar para um evento que não estava previsto na agenda. Perdi a conta de quantas vezes fomos surpreendidos dessa maneira.

Para quem acha que Trump não dá acesso aos jornalistas, a repórter da GloboNews mostra o contrário. Foram mais de 50 perguntas feitas por ela ao presidente americano durante seu mandato.

Trump, como nenhum presidente, deu muito acesso aos jornalistas. Apesar de atacar, fala com a imprensa o tempo todo, de improviso e sem controle. Abriu para a imprensa reuniões com o gabinete, com congressistas e empresários. Eu já fiquei em uma reunião dessas quase 2 horas.

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Trump dirigiu a Casa Branca como um negócio dele e, como a gente sabe, o negócio dele é entretenimento, com muita surpresa e drama. Acho que a nossa rotina vai acalmar muito, não haverá mais momentos em que parece que estamos cobrindo ficção e não realidade

Trump em cena de Esqueceram de Mim 2 - Perdido em Nova York - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Quando começou o sonho americano?

Apesar de estar há mais de uma década nos Estados Unidos, Raquel, que sonhava ser correspondente, credita ao acaso o fato de ter ido parar o país norte-americano.

Nos últimos meses de faculdade, me inscrevi em um workshop com uma equipe da NBC. Fiquei muito amiga de uma das jornalistas que liderava o curso - mesmo não conseguindo conversar direito com ela. Alguns meses depois, me formei e a Margie me convidou pra vir a Washington estudar inglês.

"Eu vim para ficar dois meses na casa dela. Um mês depois, comecei a fazer estágio com o correspondente da Globo, Luís Fernando Silva Pinto. Passei a fazer boletins sobre mercado financeiro e economia para o "Conta Corrente" da GloboNews. E lá se foram quase 15 anos."

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Com o microfone nas mãos e em link ao vivo, todos conhecem Raquel. Nas redes sociais, muitos fãs acompanham seu trabalho.

Mas e quando a câmera desliga?

Sou jornalista quando a câmera desliga também. Gosto de explorar lugares, culturas, conhecer pessoas, falar com estranhos, ouvir histórias, sentir a cidade. Especialmente com minha bicicleta. Não tenho carro e pedalo até debaixo de neve e de madrugada.

Mas também adoro desligar, acordar tarde, cochilar, meditar, passar horas vendo filmes, de papo com família e amigos. Recentemente, minha irmã gêmea mandou uma mensagem que me define bem. Ela disse que tenho um coração cheio de vontade e uma alma sapeca, aventureira e impulsiva... Acho que é isso.