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Quando a internet inspira o cinema brasileiro

Luccas Neto estrelou 'O Hotel Mágico'
Luccas Neto estrelou 'O Hotel Mágico'
Guto Costa

Francisco Russo

Colaboração para Splash, de Lisboa

20/10/2020 04h00

O cinema, desde sempre, buscou referências em outras mídias. Basta lembrar dos inúmeros livros adaptados ou das séries que viraram filmes ou ainda dos astros da TV e da música que migraram para a telona. No Brasil, como esquecer dos filmes estrelados por Xuxa, Trapalhões e tantos outros?

Até Faustão e Eliana se arriscaram, isso sem falar de Carla Perez no eterno 'Cinderela Baiana' (1998).

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Com a internet, não seria diferente. A rede não só mudou hábitos de todo tipo como, também, criou uma estética própria através do YouTube e, agora, com TikTok. É claro que ela também serviria de fonte de inspiração para o cinema —o brasileiro, inclusive. Pode-se até dividir tal influência em três.

#1

A primeira é a mais óbvia: a tentativa de abocanhar (parte da) popularidade de youtubers. Kéfera foi pioneira com "É Fada" (2016), visto por 1,7 milhão de espectadores, mas passou longe de repetir o feito. "Gosto Se Discute" (2017) e "Eu Sou Mais Eu" (2019) tiveram pouco mais de 100 mil pagantes.

Tamanha queda tem muito a ver com as escolhas feitas pela própria Kéfera ao estrelar filmes distantes ao perfil que seu público do YouTube estava acostumado. Uma decisão consciente, na busca em se afirmar como atriz, cuja consequência se refletiu também nas bilheterias.

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Luccas Neto é o representante mais recente deste formato: seu novo filme, "Luccas Neto em O Hotel Mágico", faturou R$ 1,8 milhão em apenas duas semanas. Lançado direto nas plataformas digitais, foi o grande sucesso em VOD no Brasil, durante a pandemia.

Tamanha popularidade não passou despercebida: Luccas já assinou contrato para sua estreia no cinema, em "Os Aventureiros - A Origem", previsto para 2021, se a pandemia permitir. Ao lado das franquias "Detetives do Prédio Azul" e "Turma da Mônica", é hoje um dos ícones dos filmes infantis nacionais.

#2

O segundo modelo busca replicar fórmulas que deram certo no YouTube, seja apostando em esquetes rápidas, piadas histriônicas ou ambas. "Internet: O Filme" (2017) e a franquia "Os Parças", que conta com o youtuber Whindersson Nunes no quarteto principal, são exemplos deste formato.

Aqui, importa mais a reação de momento do espectador do que propriamente em desenvolver alguma narrativa.

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#3

Há ainda as tentativas de dramatização de temas relacionados à internet, como a (prematura) cinebiografia "Eu Fico Loko" (2017), baseada no youtuber Christian Figueiredo, ou o recente "Alice Junior" (2020), cuja personagem principal é uma youtuber adolescente transexual.

Alice Júnior está tão engajada na luta contra o conservadorismo quanto preocupada com os dilemas típicos da idade.

#3

E, claro, há as inevitáveis misturas. "Alice Junior" traz referências visuais típicas da estética youtuber e se dá ao luxo de ter Gretchen apenas para estrelar memes, inseridos na narrativa. "Internet: O Filme" cita Felipe Neto como vilão, em uma piada bem anterior ao seu reposicionamento político

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Sejam filmes comerciais ou com alguma ambição narrativa, fato é que a internet conquista terreno no cinema brasileiro —o que é até natural, vide seu alcance e também pela busca por um novo público. Resta acompanhar como será nos filmes futuros e o quanto ela será aceita (ou não) pelo espectador.