PUBLICIDADE
Topo

Marcelo Médici tem um hobby: passar trote, e ele elege os mais absurdos

Marcelo Médici. Quem vê essa carinha nem pensa...
Marcelo Médici. Quem vê essa carinha nem pensa...
Divulgação

Leonardo Rodrigues

De Splash, em São Paulo

13/10/2020 04h00

Quase todo mundo tem um hobby, algo que nos preenche e ajuda a ter uma vida mais plena. Correr, ler, cozinhar. E com o ator e humorista Marcelo Médici, 48 anos, tão premiado no teatro e TV, não é diferente. Só que o passatempo preferido dele é uma atividade tão curiosa quanto milenar: passar trote.

Continua depois da publicidade

Cara, eu sei. É um absurdo. Eu não ganho nada com isso. É coisa de gente idiota, que não tem o que fazer.
Marcelo Médici, o idiota sem ter o que fazer que amamos

Tudo começou na infância. Um dia, Marcelinho viu a tia-avó contando o caso de um trote telefônico que ela havia recebido. Alguém pediu para ela esticar o fio do aparelho o máximo que conseguia, para no fim mandá-la para naquele lugar. Ela ficou horrorizada, e Marcelo caiu no chão de tanto rir.

Alguns anos depois, com a ajuda de uma amiga, ele começou a ligar para a casa das pessoas fingindo ser da produção do SBT e prometendo prêmios da antiga "Sessão Premiada". Ele inclusive passava o endereço da emissora e fazia pessoas irem até lá para pegar um eletrodoméstico que inexistia.

Olha a piração: eu pedia para minha avó, coitada, comprar sacolas de fichas na Telesp, só para passar trote. As do boteco eram mais caras. Depois, tive até um telefone pré-pago que eu usava para ninguém me descobrir.
Temos aqui um viciado em trotes

Continua depois da publicidade

A treta começou ficar séria mesmo na segunda metade dos anos 90, quando Marcelo arrumou uma nova parceira de "crime": a atriz e amiga Cláudia Rodrigues. Nessa época, ela já trabalhava na Globo e descolou uma agenda telefônica com famosos de cair o queixo.

Dá pra imaginar o que aconteceu, né?

Havia todo um método. Eles disfarçavam as vozes e faziam sotaque gaúcho. Cada um ligava uma vez. Passavam-se por produtores, repórteres, promoters de festas e às vezes até por eles mesmos. Alguns trotes foram lendários. E o Marcelo elegeu os que considera melhores —ou seriam piores? Eis as vítimas.

Cláudia Raia

Claudia Raia - Tato Belline/Divulgação - Tato Belline/Divulgação
Imagem: Tato Belline/Divulgação

Eu estava fazendo uma novela com ela, mas ela saía antes, e a personagem dela morria. Liguei falando que recebi o roteiro e a personagem continuava no céu, tocando harpa e de babyliss. Ter que usar babyliss pegou (risos). Ela ligou pros diretores desesperada, dizendo que tinha compromissos.

Continua depois da publicidade

Irene Ravache (esse trote ficou famoso, e é melhor o Marcelo contar com as próprias palavras)

Irene Ravache - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Fafy Siqueira

Fafy Siqueira - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Uma vez ligamos pra ela e perguntamos se ela poderia participar de uma ação vestida de Big Mac. Ela dizia que não podia, e a gente chamava ela de babaca. Ela ficou possessa, parecia que ia infartar. Mandou a gente àquele lugar. E a gente ligou de novo e mandamos ela ir à merda (risos)

Cacá Carvalho

O ator Cacá Carvalho - Reprodução - Reprodução
O ator Cacá Carvalho
Imagem: Reprodução
Continua depois da publicidade

Sabia onde ele passaria o Réveillon e liguei fingindo ser o promoter da festa, bem arrogante. Ele disse que vestiria azul, e falei que azul atrapalhava, que teria que ser dourado, branco ou prata. Foi hilário. Cacá é brilhante, uma força da natureza, e foi ficando constrangido, pequenininho (risos).

Liguei dizendo que era repórter. Fiz uma entrevista longa, ótima. No fim, eu finalizava: 'Mas por que então você está fazendo essa bosta de papel na novela?' (risos) Ele me mandou tomar no c* na hora. É muito engraçado como muda rápido a postura do entrevistado quando mudo a pergunta.

Nesse caso, Marcelo avisou que era ele no fim. Mas, dependendo da adrenalina do papo, nem dá falar. Aliás, ele, que se diz "regenerado", gelou quando pedimos para ele passar um trote para gravarmos e mostramos aqui.

Não consigo mais. Quando você falou, eu gelei. Meu Deus! Se eu passar um trote hoje em dia acho que eu desmaio. Tem que ter muito sangue frio. Comecei a ficar marcado e encontrei Jesus (risos)
Marcelo Médici

Continua depois da publicidade

Quer dizer, encontrou mais ou menos, né? Sabemos que o Marcelo mantém um número secreto para trotes: o telefone fixo da operadora de TV por assinatura que ele contratou e atualmente se encontra desligado. Até quando?

Se um dia eu estiver muito entediado, é só plugar na televisão a linha sai. Deixo ali porque de repente pode bater uma loucura, né?
Praticamente um dependente químico da trollagem

Íamos terminar o texto ali em cima, mas lembramos de uma pergunta. Sabemos que já foi reconhecido em trotes, inclusive pelo Fábio Porchat. Mas nunca ninguém quis te passou um de vingança?

Já. O Tony Ramos tentou, mas ele usou o próprio número que eu tinha gravado. Deve ter esquecido. Ele fez uma voz diferente, mas eu já sabia que era ele. Tony é a pessoa mais querida do mundo. Ele jamais falaria as baixarias que eu falo. (risos)
Marcelo Médici, sinceríssimo