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Zoë Kravitz dá cara de 2020 para 'High Fidelity'

Zoë Kravitz em cena da série 'High Fidelity'
Zoë Kravitz em cena da série 'High Fidelity'
Phillip Caruso/Divulgação

Mariane Morisawa

Colaboração para Splash, de Los Angeles

24/09/2020 04h00

Demorou, mas "High Fidelity", a série, finalmente chegou ao Brasil, com um episódio novo todas as quintas, no Starzplay. Mas, ao contrário do livro lançado em 1995 por Nick Hornby e adaptado para o cinema em 2000 com John Cusack no papel de Rob, a protagonista é uma mulher, vivida por Zoë Kravitz.

Sarah Kucserka, co-criadora com Veronica West, conversou com Splash sobre essa transformação

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Sempre vi muito de mim em Rob. Acho estranho o medo de compromisso ser visto como masculino. Queríamos que a nossa Rob fosse egoísta a ponto de se tornar uma idiota. É comum questionarem se uma personagem feminina é simpática. E eu não acho que nenhum ser humano é fofo o tempo todo.

Sarah Kucserka

Para quem não se lembra

No original, Rob é dono de uma loja de discos, onde trabalham Barry (Jack Black) e Dick (Todd Louiso). Rob ama fazer listas —bem antes de elas tomarem a internet. Depois de um término, ele lista os cinco piores fins de relacionamento e tenta descobrir o que deu errado.

Mas em 2020...

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Rob continua tendo uma loja de discos, só que em Nova York —o livro era em Londres, e o filme, em Chicago. Lá trabalham Cherise (a ótima Da'Vine Joy Randolph) e Simon (David H. Holmes), que é ex de Rob, antes de admitir ser gay.

Rob teve vários romances, inclusive com mulheres, mas está sofrendo mesmo por Mac (Kingsley Ben-Adir).

(Aliás, fique de olho: o inglês Kingsley Ben-Adir, de "The OA" e "Peaky Blinders", faz Malcolm X no filme de Regina King "One Night in Miami" e pode concorrer ao Oscar.)


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Zoë Kravitz foi a primeira atriz procurada

Sua entrada mudou bastante o projeto porque as criadoras, ambas mulheres brancas, queriam que a experiência de uma jovem mulher negra estivesse bem representada. Mas Sarah contou que não sabia se Zoë ia topar, não. Afinal, sua mãe, Lisa Bonet, tinha feito o filme.

Ou ela ia amar, porque a mãe fez o filme, ou ia dizer não porque a mãe fez o filme. Tivemos sorte porque ela tinha uma conexão pessoal com o filme e queria lhe fazer justiça.

Zoë inclusive adicionou toques pessoais à trama

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Ela que sugeriu que fosse no Brooklyn, que ela ama porque você sai na rua e encontra gente de todo tipo. Muitas vezes o Brooklyn que vemos é o de 'Girls', totalmente branco. E o Brooklyn não é assim.

A música, assim como no filme, é fundamental para a série. E Zoë influenciou mais uma vez, porque tem um gosto eclético. Clássicos como Stevie Wonder e David Bowie têm espaço de destaque, mas Sarah tem orgulho de dizer que há música de todos os continentes, incluindo o Brasil.

Quer exemplos?

"Noite Prêta", de Luca Côrtes, que toca no primeiro episódio, e "De Sol a Sol", de Serguei, aparece no quarto.

Zoë também reclamou sem pudores quando a série, uma das poucas com uma protagonista não-branca do Hulu, foi cancelada nos Estados Unidos. Mas Sarah tem esperança de que, como tantas outras, ela possa ser resgatada.

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